14 de janeiro de 2009

Mais um ano à nossa frente

Quem diria... já avançamos mais um ano no tal século 21. Até que começássemos a contar o ano de número dois mil quantos temores e assombros tomaram conta das conversas de nossos avós? Muitos diziam: 'mil chegará, dois mil não passará'.


Mesmo no meio dos profissionais de tecnologia havia um pânico generalizado com profecias de catástrofe geral acerca dos computadores que acabariam por computar os anos como se estivessem em 1900 e não em 2000. Felizmente, muito não passou de adágio popular. Nós e nossos avós estamos vendo o avanço do século 21. Não que este avanço seja a coisa mais maravilhosa do mundo! O século prossegue e o ano de 2009 chegou com demasiado foco nos ataques implacáveis de Israel na Faixa de Gaza.

As notícias de falência de empresas, redução de vendas, seca num canto, inundações em outros, arrastões em condomínios de luxo, morte e violência no trânsito, desabrigados, desalojados, desempregados... Ufa!!! Cansa só em pensar e, pior, esta avalanche de notícia parece que vai nos sufocar ou estagnar.


Se nos deixarmos vencer pelo que ouvimos e vemos no mundo da notícia, ou até pelo que acontece na casa do vizinho, seremos dominados pelo medo, pânico, terror, angústia.

Devemos fechar os olhos e tampar os ouvidos? Não. Afinal, não podemos agir como avestruz e enfiar a cabeça num buraco para fingir que os problemas não existem.


No meio de toda esta avalanche segue a nossa vida. O tempo, implacável, nos faz lembrar que a cada segundo estamos mais velhos. O espelho, impiedoso, grita sobre as nossas rugas e aponta os cabelos que teimam em ficar brancos ou cair criando "heliponto de pernilongo" na cabeça dos homens.

Os filhos e netos vão crescendo e se comunicando de forma cada vez mais esquisita e rápida de maneira que aumenta a sensação de que o tempo está mesmo correndo a bordo de um carro de Fórmula 1.


No meio disso tudo precisamos aprender a viver. Um aprendizado que só se encerra quando parte-se o fio de prata, damos o último suspiro e voamos nas asas da democrática senhora morte que não faz distinção de classe, raça, sexo ou credo para recolher seus passageiros.



De forma absolutamente misericordiosa e boa o Criador nos dotou dessa capacidade maravilhosa de aprender sempre. Tudo e todos à nossa volta pode nos ensinar algo, basta querermos aprender. Basta termos disposição para atentar para o sorriso da criança ou para os passos lentos de quem, com o peso dos anos, perdeu a agilidade de ir e vir como na juventude, mas pode, ainda que com uma voz pausada e rouca, transmitir um ensinamento.


Quando estamos dispostos a aprender, a contagem dos dias não é uma subtração, mas sim uma soma. Estamos sempre com desejo de viver, compartilhar, dar, receber, plantar, colher, crer, amar...

Queremos sempre ver a próxima alvorada, estamos sempre perplexos com a beleza do pôr-do-sol, nos encantamos com o colorido das flores, com o cheiro do campo, com o calor do sol, com o frescor da brisa, com o refrigério das águas.


É esta vontade de aprender que desejo poder expressar e ver nas pessoas que me cercam ao longo de mais um ano. Independente das histórias que serão escritas, das perdas e ganhos, alegrias e tristezas, risos e lágrimas, chegadas e partidas que viveremos, minha oração ao Dono da Vida é de que possamos sempre aprender. Aprender a sermos melhores pai, mãe, irmão, avô, avó, amigo, colega, patrão, funcionário, professor, aluno... crescer na arte de ser gente.

4 comentários:

Flavio disse...

Oi Emanuel...
Parabéns, como sempre, sábias palavras... Pena que em algumas delas nos deparamos com uma realidade tão vasta e que nos horroriza diante das calamidades, que o mundo assiste pela força da natureza ou que o mundo participa sendo atores principais, coadjuvantes e milhões de espectadores perplexos, chocados e estagnados em um campo de batalha onde infelizmente o sangue não é de mentira e as bombas não são de chocolate, como gostávamos de comer na infãncia. Mas como vc tbm bem diz, a vida segue, mesmo se alguns não seguem nela... Grande abraço e felicidades no ano de 2009Flavio Tavares

G. Dias disse...

O ente humano não deslembra de nada daquilo que seus sentidos de percepção granjeiam. Conquanto não lograr trazer ao consciente tudo o que lhe fora, de forma indelével, gravado no cerne mental, está lá todo o repertório de seu aprendizado, seja sistemático ou espontâneo; em vigília ou durante o sono, pelos sonhos; pormenorizado, tênue, mas tangível; ponderável, se maquinário terrestre puder fazê-lo. Através do processo ideário incessante - a distinguir o homem dos animais -, desenvolve-se o primeiro na senda do progresso, mesmo que a passos claudicantes. Não fosse sua concupiscência, mundo melhor já se faria existir. Mas tudo a seu tempo. O anelo do bem irrompe o coração com o desígnio cândido. Basta-lhe, pois, a vontade.

Hilário Pereira disse...

A vida é um passagem necessária para uma evolução espiritual. Mortes, guerras, catástrofes, conquistas, alegrias, nascimentos fazem parte do universo e da própria evolução da Terra.

Esse dias li que a natureza não se multiplica só por necessidade do ambiente, mas por vontade de beneficiar o ambiente.

Que sabe o dia em que aprendermos a ler a natureza entendamos a nossa natureza?

Belo texto Manu!

Grande abraço!

Anônimo disse...

Oi amigo, maravilhosa esta mensagem, como sempre.Se as pessoas tivessem a coerência de cuidar somente de suas vidas e orassem por aqueles que necessitam de DEUS, o mundo com certeza seria outro.É como diz o ditado "quem não tem telhado de vidro, não é mesmo? Esperança, o BEM está acima do mal. Bjus Nivania!!!!

 
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