20 de agosto de 2008

Pele é diferente de fantasia


Ilustração: Rodrigo Toledo rodrigo_toledo05@hotmail.com

"Cuidado com os falsos profetas! Eles chegam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos selvagens" (Mateus 7:15 - Versão na Linguagem de Hoje). Este trecho do discurso de Jesus foi feito levando em consideração o contexto religioso tanto para os contemporâneos do Mestre quanto para o futuro.

A aplicação mais comum para este sermão, é sobre a atenção especial que se deve ter com pretensos 'representantes de Cristo' que, em nome de Deus, exploram a fé e o dinheiro alheio. Entretanto, o mesmo texto cai como uma luva se aplicado ao exército de gente que está nas ruas, disputando o voto dos eleitores que há muito tempo está descrente da política.

Apesar de estar tão desgostoso quanto o grande número de pessoas no Brasil e no mundo com aqueles que dizem 'cuidar do bem do povo', agarro-me a um fio de esperança de que ainda tem alguém que podemos nos aproximar. Não é possível que tenhamos 100% de candidatos que não prestam. Ainda tem jeito. Tem gente boa por aí, cujas intenções e ações são genuinamente cristãs e humanas, focadas no bem-estar do próximo, no crescimento da cidade e, por conseqüência, do país.

Mas, não é sempre assim. É preciso ter cuidado com quem bate em nossas portas, entope a caixa de correio, faz um barulho medonho com os carros de som e não têm escrúpulos em fazer promessas, coações, subornos etc.

Misturado com os bons candidatos –o trigo– tem um número expressivo de maus candidatos –o joio. O grande problema é saber quem presta e o quem não presta. Como discernir quem está sendo sincero? Como identificar entre o homem e a mulher de bem, com aquele que declina a cabeça sobre um travesseiro de maldade?

Pra discernir quem é quem, Jesus ensinou o segredo: "Vocês os conhecerão pelo que eles fazem". Não adianta pautarmos nossa avaliação pelo que as pessoas dizem ou escrevem em panfleto (papel aceita tudo), precisamos observar suas ações. No caso desse batalhão de gente que está nas ruas em busca de votos, não basta ouvir os discursos do que querem fazer no futuro, é melhor saber o que fizeram no passado.

Quem quer ser representante do povo de fato não espera ser eleito vereador, por exemplo, para fazer alguma coisa por alguém. Se o desejo de ajudar é verdadeiro, não fingido, a pessoa procura ajudar ao próximo quer seja eleito ou não. Como bem escreveu Geraldo Vandré, "quem sabe faz a hora, não espera acontecer".

Não adianta passar os três meses de campanha eleitoral fingindo ser amigo de todo mundo, importar-se com todo mundo, acenar e buzinar pra todo mundo. Chega a ser engraçado como nesta época, você é cumprimentado por uma porção de gente que nunca te viu na vida e, de repente, parece que conhece sua mãe, seu pai, até a sua sogra é amicíssima destes desconhecidos.

Como num passe de mágica aquele sujeito antipático, aquela sujeita prepotente, passam a ser tão simpáticos, tão humildes que parecem ter passado por um profundo processo de conversão religiosa e transformação do caráter. Mas, não nos iludamos!!! O que eles vestem é uma fantasia.

Como disse Jesus, por fora são ovelhas, mas, por dentro, são lobos devoradores. Por debaixo da capa existe uma pessoa dissimulada, mentirosa, gananciosa, interessada apenas no próprio bem-estar, o ventre deles é o próprio deus, como disse o apóstolo Paulo. A fantasia é de bem, mas a pele verdadeira exala o mal. O melhor mesmo é fazer o que Jesus recomendou e prestar atenção em seus frutos.

2 de agosto de 2008

Democracia evangélica na TV

A manhã deste sábado, 2 de agosto, teve um sabor especial para mim. O motivo? A programação da Rede TV. Além do programa do pastor Silas Malafaia, que sempre que posso acompanho há alguns anos, tive a grata satisfação de ver o programa “Voz das Assembléias de Deus”, apresentado pelo pastor Samuel Câmara, presidente da AD-Belém – PA.

O júbilo não é por ver a Assembléia de Deus na TV, isso porque o programa “Movimento Pentecostal”, cumpria com esta tarefa. Entretanto, a programação privilegiava especialmente a Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD) e tinha como única liderança a aparecer na TV o pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente da Convenção Geral das Assembléias de Deus. Esse tipo de programação tem um caráter muito monopolizador. Apesar de respeitar e reconhecer a liderança do pastor José Wellington, sou convicto de que uma igreja quase centenária como a Assembléia de Deus, não pode se dar o luxo de ter apenas um único e exclusivo grande porta-voz.

Justifico a alegria pelo programa “Voz das Assembléias de Deus”, por pelo menos duas razões. Primeiro, pela condução vibrante do pastor Samuel Câmara e, segundo, pela aparição ainda que muito pequena de grandes lideranças de norte a sul do país. Todas as regiões do país estão representadas, sendo que o público pode saber um pouco sobre atividades da igreja no Amazonas, Pará, Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e, por aí vai.

OUSADIA NA ARGUMENTAÇÃO – Outro fato que me fez pular de alegria e saber que há um fôlego de nova vida para a igreja evangélica no Brasil foi a pergunta que os público podia responder por torpedo. A pesquisa queria saber se a igreja Assembléia de Deus deve abrir suas portas para a comunhão com outras denominações ou se deve se manter fechada no seu sistema.

Como prova de que o povo de Deus já não quer mais viver sob a maldição do sectarismo, 100% dos que participaram da pesquisa concordam que a Assembléia de Deus deve, sim, ampliar seus canais de comunicação, comunhão e, consequentemente, união com as demais denominações evangélicas brasileiras.

Essa propositura do pastor Samuel é ousada e expõe as vísceras de uma situação que poucos até então, tiveram coragem de atacar. Creio piamente, que o Espírito de Deus vai capacitar os líderes com saúde espiritual e visão de reino, para que a igreja brasileira abandone o discurso triunfalista de super-crentes e que divide o povo em guetos de pentecostais, tradicionais, liberais, ortodoxos, entre outros rótulos, para trazer ao Brasil um avivamento autêntico, sem modismos, sem ‘achismos’, mas embasado na prática da Palavra de Deus que é transparente como cristal.

Mesmo nas minhas limitações teológicas, entendo que o evangelho é absolutamente claro e dispensa grande conhecimento de originais gregos ou hebraicos, ou mesmo grande exercício de hermenêutica pra entender que a principal função da igreja é “pregar o evangelho a toda criatura” e exercer esta obrigação espiritual em unidade, tal qual intercedeu o Mestre Amado: “...que eles seja um em nós, para que o mundo creia que tu me enviastes” (João 17:21).

Louvo a Deus pela vida do pastor Samuel Câmara, e rogo ao Eterno para que coloque ao seu lado homens e mulheres comprometidos com a expansão não apenas de uma denominação, mas com o crescimento do reino de Deus entre os homens de tal forma que homens de todas as tribos, línguas, povos e nações vejam e entendam que manifesta-se no rosto da Igreja de Cristo a glória do Rei dos Reis, Senhor dos senhores.
Tal qual orou o salmista, repito sua prece, certo de que o Senhor, que ouve as orações, está atento ao clamor dos que o amam: “Deus se compadeça de nós e nos abençoe, e faça resplandecer o seu rosto sobre nós, para que se conheça na terra o seu caminho e entre todas as nações a sua salvação.” Salmo 67:1,2.

Supervalorização da aparência

Nem tudo que reluz é ouro. O provérbio popular é curto, grosso e absolutamente verdadeiro! Minha avó repetia este adágio em prosa e verso. Nunca se cansava de citá-lo ao deparar-se com situações e, especialmente, indivíduos que chegavam querendo aparecer, dizendo que tinham mais dinheiro que todo mundo ou que podiam mais que os outros.

A Bíblia também registra ensinamento concernente à cautela de aprovar as pessoas pelas suas capas. Em um dos seus discursos, Jesus foi pouco solícito com os mestres da hipocrisia: “Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês são como túmulos pintados de branco, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de podridão.” (Mateus 23:27 - versão na Linguagem de Hoje).

O texto do evangelista Mateus é tão simples que nem precisa de grande retórica para explicar. Fica mais fácil ainda entender o que Jesus disse, quando encontramos à nossa volta gente que encarna o “sepulcro caiado” de forma inquestionável. Em geral, a galera dos fariseus argumenta candidamente que suas ações não são para a promoção pessoal.

Entretanto, quem age pelo bem comum de verdade, tem a possibilidade de atrair ao seu círculo de relacionamento as pessoas das mais variadas correntes de pensamento e trabalho. Isso, porém, só é possível a quem transita entre as pessoas com humildade, simplicidade, sem arrogância, sem pedantismo.

O psicoterapeuta Roberto Shinyashiki afirmou em entrevista na Revista IstoÉ de 19/10/2005 que “hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o grande objetivo da vida se tornou parecer”.
Na mesma entrevista, Roberto fala sobre os heróis de verdade: “Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura.(...) O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros.”

Diante do exposto, devemos nos empenhar em não ser por fora bela viola e por dentro pão bolorento.

Intolerância religiosa, não!

No dia 2 de junho, um quarteto de gente que é difícil dar uma classificação, entrou em um centro espírita no bairro do Catete, na Zona Sul no Rio de Janeiro e, sob pretexto de dizer que o local era ‘coisa do demônio’, destruiu o que foi possível.
O grupo formado por três homens e uma mulher quebrou tudo o que estava sobre o altar no local, um ato de violência motivado por preconceito religioso. Os integrantes do grupo alegaram ser de uma igreja evangélica chamada Geração Jesus Cristo.
Os invasores foram autuados e vão responder por ameaça, dano contra o patrimônio e por desrespeito a culto ou prática religiosa. As penas variam de um mês a um ano de cadeia, mais multa.

A esperança é que a lei seja aplicada e que atrocidades como essa não se repitam. O fato dos vândalos se identificarem como membros de uma igreja evangélica contraria os princípios mais elementares da prática do evangelho.
O apóstolo Pedro falou em sua carta sobre a forma que os seguidores de Cristo devem expressar aquilo que acreditam: “...santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (I Pedro 3:15).

Não precisa ser nenhum especialista em grego para entender que a idéia central do apóstolo Pedro era dos discípulos de Cristo estarem sempre em condições de saúde física, psíquica e espiritual para explicar a mensagem central do evangelho que é salvação do homem, garantida pela entrega expiatória do Cordeiro de Deus.
O grupo de vândalos que destruiu o centro espírita no Rio de Janeiro está longe de poder ser identificado como de pessoas evangélicas. Qualquer igreja séria procura estimular os seus fiéis a compartilharem a fé e não a imporem a mesma. Evangelizar é partilhar o pão da vida e não espalhar o horror.

Como vivemos num país que garante a liberdade religiosa a qualquer pessoa, podemos ter inúmeras idéias diferentes sobre como buscar e servir a Deus, mas isso não dá a ninguém o direito de agredir ao integrante de outra religião.
Quem sabe de fato no que crê transmite sua fé muito mais pelas ações do que pelo discurso. Agredir, ofender, destruir instrumentos de culto, nunca trouxe resultado para a expansão saudável de nenhum grupo que opta por essa prática.

O brasileiro pode se orgulhar de viver pacificamente com as diferenças. E, não são as diferenças de culto religioso que farão o povo brasileiro ser identificado como ignorante e intolerante.
Os evangélicos genuínos repudiam a violência e zelam para cumprir a ordem do Cristo: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

Também publicado no Jornal de Jundiaí,
edição do dia 14 de junho de 2008. Clique aqui

Fé e obras

O texto bíblico a seguir está na versão da Linguagem de Hoje e é um trecho da carta do apóstolo Tiago. “Meus irmãos, que adianta alguém dizer que tem fé se ela não vier acompanhada de ações? Será que essa fé pode salvá-lo?
Por exemplo, pode haver irmãos ou irmãs que precisam de roupa e que não têm nada para comer. Se vocês não lhes dão o que eles precisam para viver, não adianta nada dizer: ‘Que Deus os abençoe! Vistam agasalhos e comam bem.’
Portanto, a fé é assim: se não vier acompanhada de ações, é coisa morta. Mas alguém poderá dizer: ‘Você tem fé, e eu tenho ações.’ E eu respondo: ‘Então me mostre como é possível ter fé sem que ela seja acompanhada de ações. Eu vou lhe mostrar a minha fé por meio das minhas ações.’” (Tiago 2.14-18)
Se estivesse vivo hoje, o apóstolo Tiago teria, no mínimo, vergonha alheia pela omissão de grande número dos pretensos discípulos de Jesus.

 
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