29 de julho de 2010

Igreja pós-moderna

Evangelho sem cruz, é farsa e não a voz de Deus

Embora existam controvérsias quando à definição e aplicação do termo "pós-modernidade", em sentido geral, a questão se resume a este tempo em que a sociedade está centrada na busca por prazeres e satisfação imediata de toda e qualquer necessidade.
A satisfação e o prazer pessoal estão acima de qualquer coisa e de qualquer pessoa. Não importa se o meu bem-estar vai provocar a tristeza no próximo. O que interessa é que eu preciso satisfazer o meu ego doente e narcisista.

Embora existam muitas questões que tentam definir o modo de vida do homem "pós-moderno" uma palavra é consensual: consumismo. O que importa na vida é poder comprar carros, casas, roupas de grife, acessórios de pedras preciosas e outras bugigangas. A felicidade é medida apenas pelo que se tem e não pelo que se é.

De acordo os falsos profetas da atualidade, quem não vive padrões como este são pessoas sem fé, que não honram a Deus e não vivem a 'plenitude' da comunhão com Ele. É de dar nojo. Os discursos vazios e interesseiros tornaram o lugar sagrado de buscar a Deus e manter comunhão com o próximo apenas em um espaço de culto às vaidades.

Desde que me conheço por gente, igreja sempre foi lugar, em linhas gerais, para confessar pecados, buscar forças espirituais para suportar as provações, ter prontidão para servir ao próximo independente de sua renda, nível de escolaridade ou qualquer outro fator social.
No entanto, alguns têm dado outras funções aos templos religiosos. Se dependesse deles, em pouco tempo não seria mais necessário abrir bancos, concessionárias e imobiliárias. Os templos religiosos seriam úteis para substituí-los. Isso porque, na igreja pós-moderna, o que se pretende buscar é dinheiro, carros e imóveis. Se dentro dela encontra-se tudo isso, para que os outros estabelecimentos?

Ao invés de estimular a comunhão com o que é Eterno e verdadeiro, as propagandas, convites, depoimentos, sermões e todas as outras formas de discurso fazem questão de enfatizar a busca pelo efêmero. De forma cínica abafam o discurso de Cristo: "...tome a sua cruz e siga-me". A cruz é símbolo de sofrimento, de anulação do próprio ego e busca por um viver que glorifique a Deus e abençoe a vida do próximo.

Embora pareça que a mentira do consumismo seja mais forte que a verdade do amor, ainda é possível encontrar refúgio em Deus para ter uma vida, no mínimo, mais digna e, sem dúvida, plena em felicidade verdadeira e duradoura. Essa busca não é a mais fácil. Mas, com certeza, justifica nosso título de "ser humano" e permite conhecer o Evangelho de Cristo e o Cristo do Evangelho.

22 de julho de 2010

Amizade é uma bela expressão de amor

Amigo faz tudo e mais um pouco para tirar o outro do buraco
 
No último dia 20 de julho, algumas pessoas se lembraram de desejar um feliz Dia do Amigo. Não sei quando, nem porque começou essa tradição, mas ela me motivou a falar sobre o valor da amizade, inspirado num fato que marcou a vida do profeta Jeremias.
Lá pelo ano 605 a.C., depois de décadas que o profeta havia alertado sobre o cativeiro que seria imposto pelo poderoso império babilônico, finalmente, se cumpria cada uma das duras palavras.

Apesar de ele ser o mais lúcido de seu tempo, era considerado um louco por indivíduos que também se posicionavam como arautos de uma pseudo-verdade. Gente que mercadejava assuntos teológicos tal qual como se vê atualmente.
O profeta Jeremias estava em situação desconfortável. Não bastando sua dor e lamento pelo povo, o profeta teve que suportar o desprezo e as afrontas de gente que tinha mais poderes políticos e religiosos do que ele. Enquanto alguns já eram cativos na terra de Babilônia, ele foi lançado numa cisterna cheia de lama.

Apesar de ter sua vida cercada por muitos rivais que não aceitavam suas advertências, Deus sempre providenciava pessoas que se posicionavam como verdadeiros amigos para os momentos cruciais.
Quando foi parar no fundo do poço, um funcionário administrativo do reino por nome Ebede-Meleque se apresentou para fazer algo mais por Jeremias. O moço era estrangeiro, um eunuco, negro, natural da Etiópia.

Mesmo sabendo que o homem que estava no fundo do poço era alguém repudiado pela maior parte do povo e das autoridades locais, aquele estrangeiro se fez amigo do profeta. A história detalhada encontra-se nos capítulos 37 e 38 do livro de Jeremias.
Ajudar aquele homem representava colocar a própria cabeça a prêmio. Mas, Ebede-Meleque havia tomado a decisão de ser um verdadeiro amigo. E, portanto, estava disposto a fazer tudo o que pudesse para salvá-lo. O eunuco se organizou, providenciou cordas e trapos velhos e lançou no fundo do poço para tirar o amigo de lá.

A imagem de Jeremias sendo puxado para fora do poço pelo amigo etíope é uma figura que me faz acreditar no poder do amor expresso pela amizade.
É, de fato, um presente dado pelo Criador a possibilidade de ganharmos amigos ao longo da vida. Infelizmente, os amigos nem sempre são aqueles que permanecem décadas a fio na distância que os olhos contemplem. No entanto, se nos distanciamos deles no corpo, certamente a alma se mantém ligada e fortalecida pelos amigos que temos.

O Dia do Amigo para fins de comemoração passou, mas qualquer dia, hora e lugar é tempo de lançarmos a corda e tirarmos um amigo do fundo do poço. Quem sabe não tem alguém, agora, precisando deste apoio. Sejamos, pois, amigos melhores e expressemos amor pelo veículo da amizade.
Bem pode ser que essa expressão aconteça não apenas pelas carícias. Por vezes, um chacoalhão pode ser mais prova de amor do que um afago. Independente da necessidade do momento, o que importa é estarmos dispostos a regar as relações de amizade.

15 de julho de 2010

Pé de galinha não mata pinto

Qualquer pessoa com um mínimo de inteligência e sentimento sabe que não se pode, sob circunstância ou alegação alguma, espancar uma criança. Deixar marcas, escoriações ou até fraturas em uma criança é crime, sim, e merece punição. Quanto a isso ninguém tem dúvida.

Agora, criar lei que proíbe a velha e boa palmada é coisa de gente ou que não tem o que fazer ou que nunca criou filhos. Entendo que os governos têm obrigação de garantir que as famílias e seus membros sejam atendidos em suas necessidades essenciais: educação, saúde, habitação, segurança, alimentação, lazer etc.
Entretanto, não está na lista de atribuições do governo interferir no meio da família quanto à sua forma de educação e disciplina dos filhos. Nessa hora, sem dúvida, vale o chavão: 'Em minha casa mando eu!'.

Minha avó sempre dizia: "pé de galinha não mata pinto". Ela usava o jargão para justificar que umas boas palmadas em filhos e, até netos (ai, meu Deus!), não arrancavam pedaço de ninguém. Ela estava certíssima.

A própria Bíblia Sagrada ensina: "O que retém a sua vara aborrece a seu filho, mas o que ama, a seu tempo, o castiga. Não retires da criança a disciplina; porque, fustigando-a tu com a vara, nem por isso morrerá." (Pv. 13:24; 23:13).

Se algum pai ou mãe conseguiu ou consegue manter seus filhos do jeitinho que deseja apenas pelo uso da palavra, aleluias! Troféu de ouro, Oscar, Grammy, Palma, medalha e tudo o mais que se possa dar para condecorar o super-educador. Mas tenho absoluta convicção que esse tipo de caso é tão raro quanto encontrar diamante no quintal.

Ao contrário do que se tenta pregar por aí, corrigir os filhos pelas palmadas não é nenhum pecado, loucura, desatino ou falta de amor. Muito pelo contrário. Como recomendou o rei Salomão, e como prova a vida em sociedade – pelo menos para quem não foge da realidade–, as varadas dos pais são prova definitiva de amor.

A falta de umas boas palmadas faz com que muitas crianças cresçam sem a compreensão de certo e errado, com pouco senso de direção na vida, sem clareza dos limites, até onde podem ou não chegar e a quem devem respeito e obediência.

Não é exagero ampliar o pensamento e antever que, o filho que não apanhou do pai ou da mãe, pouco tempo depois da infância, passa a ser pego pela polícia para apanhar não simplesmente por cometerem crimes, mas também para satisfazer indivíduos que sentem prazer mórbido em torturar ao semelhante.

Ora, entre a surra dos pais e o espancamento da polícia, fico com a primeira para que se tenha ao menos a possibilidade de forjar homens de bem.

1 de julho de 2010

Humor de torcida

Meus colegas de trabalho perguntaram em que mundo estou vivendo. A indagação foi feita porque não esboço reação ao ouvir falar de derrota, vitória ou empate da seleção brasileira na Copa do Mundo. Minha indiferença é ainda maior quando o assunto são outras seleções (salvo a seleção da Argentina).

A última vez que sofri por causa de uma copa foi na edição de 1990, realizada na Itália. Na ocasião, o Brasil foi eliminado pela Argentina nas oitavas de final no jogo do dia 24 de junho, um domingo.  Aos 35 minutos do segundo tempo, o carrasco Claudio Caniggia emplacou o único gol que fez o Brasil voltar para casa mais cedo. É fácil entender porque brasileiros e argentinos são tão sarcásticos mutuamente.

O técnico da seleção brasileira era Sebastião Lazaroni. Tinha apenas 12 anos e recordo o quanto fiquei com os nervos à flor da pele, tal a ineficiência do camarada. Mesmo tendo um time com Taffarel como goleiro, Romário e Bebeto como atacantes, a condução da equipe foi pífia. A alteração orgânica foi tamanha que sentia os músculos do pescoço contraírem de raiva.
Era um torcedor no sentido mais profundo da palavra.  Mas, tempos depois, voltei à sanidade e, simplesmente, optei pela indiferença. Frieza da minha parte? Pode ser. Contudo, tenho minhas justificativas e, ao longo do tempo, elas foram se fortalecendo ao invés de arrefecerem. Hoje, ao observar o comportamento dos torcedores consigo tirar alguns questionamentos e até lições.

Entre as lições, destaco a beleza do ajuntamento humano por uma causa comum. Embora os céticos e pessimistas prefiram destacar as imperfeições do homem e suas limitações, é mais prazeroso destacar as suas virtudes e potencialidades.
Uma Copa do Mundo não seria um grande evento sem as torcidas. Sem as multidões que superlotam os estádios. Sem as mulheres e homens que se tornam crianças e se fantasiam, extravasam, dançam, gritam, pulam, choram, sorriem. São manifestações legítimas do homem e, felizmente, elas estão aí. Quanto a isso, não seria louco de me posicionar arbitrariamente contra. Se tivesse dinheiro para bancar 30 dias fora do país, gostaria de acompanhar pessoalmente o espetáculo das torcidas.

Agora, a variação de humor e valorização da torcida e da imprensa quanto à seleção brasileira é um negócio que me irrita profundamente. Se em uma partida os jogadores não vão bem, é suficiente para que numa matéria de 10 minutos, pelo menos nove sejam para falar que são todos incompetentes, indispostos, ineptos, descompromissados, desinteressados, enfim, predicado é o que não falta, quer sejam explícitos ou implícitos. O desânimo, descrédito e pessimismo que tomam conta parecem uma densa nuvem que não vai se dissipar.

Se no outro jogo há uma melhora, algum resultado do tipo 3 a 1 para o Brasil. Aí pronto, a 'lambeção' em nada lembra os piores comentários da partida anterior. Nas duas situações, percebo que uma questão importante é jogada de lado de modo instantâneo e arbitrário: a memória. Por argumentos embasados, na maior parte das vezes apenas na emoção e sentimentalismo, erros e acertos podem ser omitidos ao bel prazer do "especialista da vez".

Infelizmente, lamento que nas relações interpessoais, em geral, façamos o mesmo. Por falta do mínimo de clareza mental, todo o bem que uma pessoa tenha nos proporcionado, pode ser esquecido. Isso tira o brilho de nossa espécie. Essa opção por ignorar as coisas boas e reforçar as ruins do cônjuge, pai, mãe, irmão, amigo, patrão, colega de trabalho ou de quem quer que seja nos reduz a idiotas. Seríamos melhores, se aprendêssemos a apontar erros, sem ignorar os acertos uns dos outros. Mas enquanto preferimos ter humor de torcida, vamos errando até um dia aprender e, com isso, crescer.

 
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