31 de julho de 2011

Despedida de um mês intenso, sem esquecer da gratidão

Felizmente, os dias passam. Infelizmente, Julho acaba. Benditas sejam as tão desejadas férias!

A pouco mais de 80 minutos para chegar o sr. "Agosto Dois Mil e Onze", preciso expressar um pouco do que inunda a alma e povoa a mente. Foi um mês intenso, agitado. Para mim um inverno no qual houve o predomínio de diversas cores, tons, formas e sons. Só de festas e programações especiais em igrejas de Jundiaí estive no Congresso Geral da Umadju, na igreja Sede da Assembleia de Deus, bairro Vianelo (de 2 a 4); Santa Gertrudes 2 (dia 10); Guanabara (15); Horto Florestal (16); Parque Centenário (17); 4ª Semana Jovem do Jardim do Lago [Jardola] (18 a 23); Gertrudes 1 (22); São Camilo 1 (24); Passeio a Santos com juventude do Jardola (dia 30); lRio Acima (31).

Em todas essas programações cumpri a função principal de fotógrafo (uuuuuhhh) Que nenhum fotógrafo profissional saiba disso. Ainda tive a honra de ser convidado como preletor para as congregações no Anhangabaú (dia 6); Fepasa (24) e, neste último dia do mês, na Colônia. Os convites foram formulados pelos queridos Pb. Wilson Roberto Montagna, Jadiel Sena e Juliano Muniz. Nas três ocasiões como pregador fui "surpreendido novamente" para usar um jargão do meu amigo e irmão Jonas B. da Silva. A surpresa foi decorrente de ministrar com uma ousadia e coragem pouco comuns a mim.
Não posso deixar de tornar pública a satisfação em ter estado em todas as congregações, independente da função a ser desempenhada. Fotografar, cantar ou pregar são tarefas boas e necessárias, mas o bom mesmo é a paz de espírito dada por Deus em saber que, juntos, podemos fazer o Seu nome glorificado.
 
Por ser a ministração mais recente, quero compartilhar alguns pensamentos do que veio ao coração e à boca na congregação da Colônia. Inspirado no cântico de Débora registrado em Juízes 5:1,2 no qual a juíza fala sobre a voluntariedade do povo, ministrei sobre a necessidade de termos uma boa memória espiritual que nos conduza à gratidão. Minha premissa é: "A gratidão é alimentada e impulsionada por uma boa memória espiritual". Com isso, refiro-me ao fato de sempre ter em mente a lembrança das grandes coisas que Deus opera em nossas vidas.

Uma vez gratos a Deus por tudo o que Ele fez e faz nas nossas vidas, desde as provações até as conquistas, o passo seguinte é o voluntariado, isto é, a disposição em servir. Um coração grato, sempre se recorda do estado precário de onde foi tirado e a nova condição espiritual dada por Deus. Se recordamos das grandes coisas que Deus faz, logo temos sempre um cântico de gratidão nos lábios. Se a gratidão espiritual pauta nosso cotidiano e define nossas perspectivas, estamos sempre buscando formas de torná-la visível no plano material.

Nas relações humanas, estamos sempre pensando em como agradar um cônjuge ou um amigo muito querido, aquele de quem não se pode esquecer o presente de aniversário. O mesmo princípio é válido no tocante a Deus. Embora Deus não precise de nada, o salmista perguntou: "Que darei eu ao SENHOR, por todos os benefícios que me tem feito?" (Salmo 116:12). Mesmo cientes de que não há nada novo que Deus não tenha recebido como presente, é revigorante pensar que Ele está sempre disposto a ouvir um "muito obrigado, Senhor", ou "ao teu nome Deus, toda honra e glória". Mesmo tão poderoso, Ele se alegra com um singelo "glória a Deus". Penso que o salmista havia entendido isso, pois logo após seu questionamento ele se compromete com o que entende ser uma forma de agradecer: "Erguerei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor. Cumprirei para com o Senhor os meus votos, na presença de todo o seu povo." (NVI).

A voluntariedade que foi tão elogiada por Débora, está atrelada a não esquecermos as coisas boas e aprendermos até mesmo com as ruins. Infelizmente, em função de um mau condicionamento da mente humana, somos seletivos no armazenamento e resgate de informações que marcam nossa história. Via de regra, nos recordamos com intensidade de um olhar de desaprovação e esquecemos um abraço caloroso e sincero. Isso é decorrência das marcas deixadas pelo que é ruim.

Contudo, acredito ser perfeitamente possível e necessário termos uma memória que privilegia os momentos agradáveis, aqueles sentados à mesa com favos de mel, muito mais do que aqueles nos quais provamos amargo fel. Para tanto, acredito que é preciso: 1) lembrar-se das coisas que Deus já fez em nosso favor; 2) estar bem firmado promessas que Ele assegura cumprir na vida daquele que se mantém fiel.

Bem, tenho muito mais coisas a dizer, mas vai em outras notas ou posts do blog. Por hora, o que posso fazer é agradecer a Deus por tudo o que me fez, por tudo o que vai fazer. Agradeço, ainda, por todas as pessoas que o Senhor me concede o privilégio de conviver, interagir, comemorar, projetar, realizar, chorar, sorrir, enfim, viver para a Sua glória, porque dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas.

28 de julho de 2011

Uma cidade ou um coração?

A força subjuga, o amor conquista
Se perguntássemos a um soldado da antiguidade se seria mais fácil conquistar uma cidade murada ou o coração humano ofendido, provavelmente, ele responderia que a cidade.
Isso porque para quem precisava desenvolver estratégias de como tomar a cidade de um inimigo qualquer, as soluções sempre dependiam de um pouco de perspicácia do general para decidir onde, como e quando atacar, com que intensidade, com quantos homens e quais posições e armas seriam atribuídas a cada pelotão.

Uma vez definidas estas questões, era só partir para o ataque e enfrentar o que viria como resposta do inimigo. Por isso, os ataques precisavam ter a maior dose de surpresa que fosse possível. Porque se os dois lados estivessem com o mesmo nível de preparação, as batalhas seriam mais extensas e, claro, mais sangrentas.
O fator surpresa não evitava mortes, mas fazia com que o lado menos preparado optasse pela rendição mais depressa como forma de preservar a vida de mulheres e crianças.

Embora a inteligência já fosse um valor agregado importante mesmo nas batalhas dos tempos bíblicos, tal qual nos dias atuais, o que geralmente decide uma guerra é o poder bélico de um dos lados.
Isto é, quanto mais armas e dinheiro mais fácil se torna a guerra. É óbvio que existem exceções. Como é o caso dos Estados Unidos no Vietnã que até hoje cai como fel no orgulho nacional americano. Mas isso é outra história.

Voltando à comparação entre conquistar uma cidade e um coração, o rei Salomão também refletiu no assunto e registrou o seguinte provérbio: "O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como os ferrolhos de um palácio." (Pv. 18:19).

Essa afirmativa deve nos conduzir a uma reflexão acerca do cuidado necessário sobre o que fazemos com as nossas palavras e atitudes às pessoas que nos cercam. Ao consultar o significado da palavra ofensa vamos descobrir que uma das condições para sua instalação é o fato de ser desconsiderado.
Ainda que tenha a linha do tempo da vida não muito farta em anos, nos poucos dias transcorridos comprovei que uma pessoa fica chateada quando brigamos, falamos alto, batemos a porta, desligamos o telefone ou coisa do tipo. Contudo, passado o calor da discussão, o perdão e o abraço permitem seguir em frente.

Agora, desconsiderar, ignorar, ofuscar, boicotar, não levar em conta as opiniões, não dar a mínima para os sonhos, não querer ouvir as queixas, tampouco partilhar as conquistas de uma pessoa é muito mais ofensivo do que se imagina.
Se, agora, causarmos dor e sofrimento ao próximo, no futuro, não será possível colher alegria e paz. Por isso, é de bom tom cuidar para que as pessoas não se tornem muralhas intransponíveis, mas que tenham sempre portas e janelas abertas para nossa entrada e contemplação.

13 de julho de 2011

Maior habilidade: acusação

Passar a culpa de qualquer coisa para outra pessoa parece ser uma atitude simples, mas, na verdade, é algo que exige mais do raciocínio humano do que se possa imaginar. De tão complexa e nociva, essa é uma habilidade desenvolvida desde muito cedo. Como as primeiras disputas acontecem entre irmãos, é nesta arena familiar que os gladiadores começam a enrijecer os músculos do mal.

Exagero meu? Nem tanto. Considere, por exemplo, quando dois irmãos estão no exercício das mais habilidosas peripécias pela casa inteira. Corre daqui, pula de lá, passa por cima, passa por baixo, pendura, balança e, claro, cai. Entre um lance e outro, o prato que estava na pia da cozinha, de peça única para alimentação, vira milhares de caquinhos que talvez sejam úteis para decoração caso o artista adote o mosaico como técnica de produção.

Até que o som do prato estilhaçado ecoe pela casa e antes que a voz da mãe reverber com um sonoro: 'O que é isso aí?!', as mentes dos meninos envolvidos trabalham numa velocidade inimaginável, em milésimos de segundos dão voltas ao mundo. Os quadros reconstruídos pelos peraltas incluem palmadas já recebidas ou castigos anteriores. Diante do horror que se apresenta, a solução que vem à mente dos dois é dizer que a culpa foi do outro. Sorte de quem grita primeiro!

É como nos games televisivos, quem aperta o botão mais rápido tem a chance de responder e pontuar. As mães menos avisadas acabam por dar atenção para aquele que conseguiu levantar a voz de acusação na frente. Dá umas palmadas no acusado –ainda que seja inocente– e deixa o outro livre. Ora, mas se o prato caiu e os dois estavam brincando no lugar que não deviam, a cozinha, logo, ambos mereciam, se não as palmadas, pelo menos um castigo.
Eventos familiares à parte, o quadro que acabo de descrever em maior ou menor escala é reproduzido nos demais ambientes onde gravita o "bicho homem", especialmente os de trabalho.

Qualquer trabalhador que se preze, independente da função que exerça e do grau hierárquico que ocupe, deve procurar a excelência como meta. Isto é, estar sempre em busca de ferramentas, técnicas e desenvolvimento de habilidades que tragam crescimento qualitativo e quantitativo nos âmbitos pessoal e coletivo.
Não faltam grandes discursos, palestras, cursos, livros, sites, CDs, DVDs sobre a importância da criação e manutenção de um ambiente de trabalho colaborativo, no qual as pessoas sejam estimuladas a oferecerem o seu melhor, a crescerem como indivíduos etc. Entretanto, toda essa "poesia corporativa" é desconstruída como castelo de areia em um cotidiano cada vez menos humano e cada vez mais bestial e predatório.

Sem esperança, eu? Absolutamente, não. Apenas com os pés no chão e com os olhos bem arregalados para questões que despencam como rocha incandescente. Apesar do impacto provocado pela mediocridade e covardia da transferência de culpa que vence os limites da infância e invadem os escritórios de trabalho, os campos de futebol, as pistas de atletismo, as raias de natação, os templos religiosos, as ruas e praças da vida, ainda acredito no poder maior e melhor da excelência buscada, vivida e estimulada ainda que por uma minoria.

Infelizmente, não consigo reivindicar o título de "o mais excelente", mas ao menos tento conhecer e comungar com pessoas que, via de regra, são rotuladas como ignorantes, fracas e pobres, mas que, no entanto, mostram-se muito mais conhecedoras, fortes e ricas que muitos boçais que se sentem em pedestais de luxo mas, na verdade, não conseguem ficar mais altos do que um caixote de feira consegue elevar.

7 de julho de 2011

A mesma medida

Nem sempre quem nos mede é tão grande quanto parece

Nunca escondi que tenho especial apreço pelos ensinamentos bíblicos. Não ouso dizer que sou o praticante irrepreensível, embora a própria Bíblia recomende que se busque sê-lo, reconheço que os padrões de comportamento bíblico são especialmente rigorosos.
Afinal, o próprio Cristo que veio pregar um reino diferente, recordou uma expressão comum no meio do povão: "Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo" (Mateus 5:43). No verso seguinte, porém, Jesus ampliou a responsabilidade social de todos os seres humanos e ordenou: "Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus".

O Messias chegou causando choque de conceitos numa sociedade que já estava condicionada a não mais, sequer, pensar no que fazia. Sua mensagem ganhava um matiz especial se considerarmos que ele falava a um povo que vivia como escravo há muitas gerações e que, naquele período, estavam sob o domínio dos inescrupulosos romanos.

Para o povo judeu (e mesmo para nós vinte séculos depois) a alimentação do ódio, a repetição de maledicências e a preparação para aguardar o grande momento de uma vingança são posturas muito mais cômodas do que cumprir o que preconizava o pregador da Galiléia.
Afinal, amar, bendizer e ainda orar em favor de quem nos trata mal, menospreza e tenta nos diminuir não são atitudes fáceis de pôr em prática. Entretanto, se o Messias disse que assim deve ser, é porque mesmo sendo difícil, é possível praticar.

Vai exigir esforço? E como! Vai doer? Provavelmente, muito. Contudo, o esforço adicional para cumprir o princípio cristão, além de fortalecer o espírito vai resultar em cura e refrigério que a postura contrária de vingança e ódio não consegue proporcionar.
Ainda que alguns creiam nos princípios bíblicos, outros, além zombar do que é ensinado, até escarnecem dos que tentam praticá-los taxando-os como tolos, ignorantes etc. Desse modo, costumam agir de modo a contrariar toda e qualquer visão cristã de relacionamento.

Por isso, é comum que as pessoas desprovidas de amor ao próximo, o que deixa em xeque a capacidade de amor próprio, ajam de forma arrogante, prepotente, egoísta e orgulhosa no trato com quem as cerca. Quando experimentamos este tipo de situação, é fácil nos fecharmos em copas e sofrer o agravo e tentarmos pagar com a mesma moeda.
Contudo, foi Jesus quem alertou: "a medida que usarem, também será usada para medir vocês" (Mateus 7:2). É o velho e bom princípio da semeadura: "tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gálatas 6:7).

 
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