28 de abril de 2012

Quem tem razão não se esconde

Coraje, el hombre!

Se o que se pretende denunciar é algo que exige o anonimato por uma questão de proteção da identidade do cidadão consciente e inteligente que não tolera a violação de direitos (trabalho infantil, exploração sexual, violência doméstica etc) há canais como 181 e 100. O serviço telefônico gratuito assegura o sigilo da identidade do autor da denúncia.

Qualquer outro assunto que diz respeito ao bem-estar coletivo: saúde, educação, mobilidade urbana, segurança, habitação, cultura, esporte, lazer, meio ambiente etc etc etc, enfim, , se é demanda pública, se é de interesse coletivo, todos podem e devem reivindicar e ter notoriedade do feito. Isso não precisa ser feito apenas por quem está no poder ou quer chegar a ele. 

Virou moda querer usar perfil de Facebook com insígnias ridículas e pouco criativas para atacar as pessoas. Em Campo Limpo Paulista, gente com sede de poder apela para perfis ridículos cujos gerenciadores (ou seria gerenciador?) chega ao impropério de escrever: "ESCULTAMOS A POPULAÇAO DA CIDADE, E SOMOS UMA EQUIPE DIVIDA EM CELULAS" (sic!) <comentário de um perfileco, se fosse de uma pessoa ainda publicaria o nome aqui>

Ora, se formam uma 'EQUIPE DIVIVIDA EM CELULAS' que ouve as pessoas, sabem dos anseios da população, por que cada membro desta pretensa equipe não mostra sua fina estampa? Posem para as lentes, sorriam e deixem os pixels esboçarem seus rostos. Digam seus partidos, suas intenções. Querem ser candidatos a vereador, prefeito, ou vão apenas ser cabos eleitorais? De quem? Se usar o terminho: "pré-candidato" não tem problema aparecer. É só não ficar divulgando número, partido, essas coisas, sabe? Pedir voto, agora, não pode. Em julho, 'poooooooooooode'. Tomar o partido de A, B ou C também é direito de cada um é só não ser agressivo nem ofender moralmente o lado para o qual você se voltou contra ou simplesmente não gosta.

A liberdade de expressão é um direito constitucional. Ou será que esta 'EQUIPE' é assim, tão alienada? Quero crer que não. De qualquer forma, vai que a amnésia tenha corroído alguns neurônios ou as sinapses estejam com alguma dificuldade para acontecer. Então, vou dar uma forcinha para concluir este status com cara de post.

A dica é ler a Constituição Federal, promulgada em 5 de outubro de 1988. Não quer comprar? Não tem problema. Não precisa gastar. Olha o link para ler e/ou consultar na íntegra: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm>

Para concluir, só um trechinho que parece poesia:
"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;". 

Êta coisa linda! Tão claro que nem precisa explicar, não é mesmo?

27 de abril de 2012

Enfim, chegou o dia

O prédio com mais de 8,6 mil metros quadrados, mais que uma bela obra é um lugar para o cuidado da existência.
Para que milhares possam nascer ou manter suas vidas, algumas centenas de profissionais vão doar as suas

Que bom poder dar publicidade a alguns dos meus pensamentos nesta data: vinte e sete de abril de dois mil e doze. Fiz questão em registrar por extenso porque exatamente hoje acontece a inauguração do novo Hospital de Clínicas Campo Limpo Paulista. 
A data é histórica para a cidade e também para mim que, em 1º de junho, completo 18 anos como cidadão campo-limpense. 
Este ano, completei uma década como funcionário da Prefeitura de Campo Limpo Paulista.

É tempo suficiente para fazer alguns pensarem que estou deitado em berço esplêndido. A quem interessar possa: nem estou deitado, nem o berço é esplêndido. Aceito trocar os estresses da atuação no poder público por uma conta bancária que não tenha o vermelho como cor preferida. Mas, não são pitangas que quero chorar. 

Hoje, quero deixar um registro para a posteridade de algo que está acima de conta bancária e de benefícios trabalhistas. Depois de uma longuíssima saga, finalmente, o HC vai ser utilizado pelos seus legítimos proprietários: o povo. 
Esta data, também responde à justa pergunta: 'Quando vai ficar pronto?' Este também é o momento de um 'cala boca' bem dado àqueles que usam a língua como metralhadora. 

Muitas vezes, andando em ônibus coletivo, ou esperando a minha vez no caixa do mercado, ouvi os vaticínios de alguns profetas apocalípticos que diziam: 'Sabe quando vai terminar? Nunca!' Pois é. Se essas pessoas se alistassem como videntes, não ganhariam nem para o sal.
Na semana passada, pincelei o que se dizia em 2008, um ano depois que as obras haviam sido iniciadas. Vou pôr mais água no feijão. Apesar de a primeira etapa (que consistia em erguer a estrutura) acontecer muito rapidamente, o início da segunda fase sofreu uma série de atrasos por conta de questões burocráticas. 

Além disso, quando retomou, demorou na execução e, para piorar, durante o período de crise econômica mundial no final de 2009, foi necessário optar entre investir, isto é, gastar mais na construção do novo hospital ou manter todas as outras áreas da cidade funcionando: educação, segurança, esporte etc

Como o ritmo da obra diminuiu, chegando a parecer que havia parado, os desocupados de plantão, empregados do Sr. Ócio e subordinados aos encarregados da inutilidade, logo começaram a tricotar dizendo que a estrutura estava afundando, que o terreno não era apropriado para fazer um hospital, que as paredes estavam rachando, que tinha coluna torta blá blá blá. Os 'especialistas', que de tudo falam e nada sabem, moviam suas línguas torpes para dizer todo tipo de despautério.

Felizmente, essa gente fala como maritaca para garantir que as demais pessoas que trabalham, e não têm tempo a perder, ao menos possam dar boas risadas de suas colocações sem fundamento.
Como a dor de cotovelo é uma constante aos incompetentes, é preciso apelar para o ridículo no intento de desmerecer o que está feito. Não se trata de promessa, enrolação ou coisa que o valha. Está lá para todo mundo ver e entrar. 
Preciso concluir gravitando do material para o humano. Não somos educados a elogiar as pessoas. Crescemos em um contexto familiar e social que estimula a somente falar mal do que está errado, mas nos calamos quando poderíamos ao menos reconhecer o que está certo.

Não sou profissional de saúde, fico bambo só de ver sangue e, portanto, o mínimo que preciso ter é respeito com técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos, enfim, todas as pessoas que participam pela preservação do que temos de mais precioso: nossa vida.
Tem joio no meio desse trigo? Óbvio. E onde não tem? Nas festas ou velórios  familiares só aparecem pessoas que se veneram? Se é assim em um universo como o da família, o que não dizer de um universo muito maior? Os maus profissionais existem, mas os bons são maioria, só não reconhecidos como devem.

Em tempo: fiz questão de esperar a madrugada para que pudesse postar este artigo
exatamente na data de inauguração do novo hospital de Campo Limpo Paulista

19 de abril de 2012

Os atiradores de pedras

Dos 18 anos que vivo em Campo Limpo Paulista, dez completei como funcionário da Prefeitura. Por conta disso, alguns ousam dizer que 'amarrei o burro na sombra'. Coitado do meu burro, então. Terminei minha primeira faculdade aos trancos e barrancos, pagando sempre as mensalidades com atraso ou vendo o 13º passar que nem modelo em passarela: rápido e distante. Só estou detalhando isso para que se perceba quão tolo é dizer que estamos deitados em berço esplêndido. 

É bem verdade que ao longo deste tempo de vida pública já vi de tudo. Existem muitos Tiranossauros Rex espalhados no poder público nas três esferas e nos três poderes. Entretanto, tenho a mais absoluta certeza que estes anti-cidadãos são minoria. A maioria mesmo se esforça em seu trabalho. Contudo, eles não são enxergados, notados, comentados, elogiados.
Os comentários que ganham projeção são os ruins. Ninguém liga ou escreve para o jornal, rádio ou TV dizendo que o médico Zé das Couves atendeu bem. 

O que registro agora, tenho absoluta certeza que vai acirrar ânimos. Contudo, o faço com assinatura e estampa. Isto é, não estou escondido em perfil de Facebook, Orkut, Twitter para argumentar.
A Internet, de fato, tem um grande potencial de inclusão e informação. Contudo, vejo mais um emburrecimento coletivo. É um universo saturado de grupos e pessoas ocas que acusam, lançam pedras contra tudo e contra todos, mas não têm a menor capacidade para realmente fazer alguma coisa.

Como estamos em pleito eleitoral, proliferam jornalecos, 'perfilecos' e páginas virtuais que aglomeram um sem número de desocupados que são especialistas em tudo! Sabem como resolver em 365 dias o problema de 50 anos.
Além da Prefeitura que trabalho, tenho acompanhado o que falam em Várzea Paulista e Itatiba. A primeira porque é onde estou morando. A segunda, pela amizade com uma jornalista especial que entrou na minha vida e, embora distante, não mais saiu.

Em Várzea, por exemplo, tem um sem número de pessoas para tentar atingir o prefeito Eduardo Pereira por causa dos buracos nas vias públicas. Sou anti-petista convicto, mas isso não me dá o direito de tentar desmerecer o trabalho do então prefeito varzino. 
Reconheço que faltam coisas na cidade? Claro! Agora, quem teria resolvido nos sete anos já corridos de administração? Assim, seria mais produtivo se todos esses 'especialistas em gestão pública' se inscrevessem nos concursos e no alto de suas inteligências excepcionalíssimas começassem a mudar o que acreditam. 

Em Itatiba, pasmem! Teve gente para criticar o fato de implantarem sinalização de trânsito. Eram contra semáforo no centro!
Voltando ao meu chão, encontramos os mesmos super-megas-masters-blasters senhores e senhoras que sabem esbravejar como ninguém. Contudo, só têm olhos para o cisco no olho do outro, ao passo que não percebem a trava no próprio globo ocular.
Aqui, a moda sempre foi falar do atraso nas obras do hospital municipal. Antes, quando terminou a primeira fase, o que mais se dizia é que o prédio estava afundando (sic!) Pois é. Não afundou. E agora? Vai inaugurar para desespero de alguns.

Quando falam de asfalto, é até de provocar riso. Cheguei aqui em 1994. Na época, nem tatu de chuteira subia alguns bairros como Vila Constança, Colina do Pontal, Vila Chacrinha, Parque Internacional, Marchetti, entre outros.
Faltam coisas? Evidente. Agora, quem consegue fazer tudo o que se quer? Se em casa, com papai, mamãe e as crianças optamos por fazer o que PRECISAMOS e não tudo o que QUEREMOS, porque na gestão pública seria diferente? 
Sou consolado porque tenho plena ciência de que temos muito mais pessoas que fazem do que apenas falam.

4 de abril de 2012

Ele escolheu os cravos



Ainda vou continuar gravitando no tema da ação. Contudo, quero falar de uma pessoa que mudou o curso da história porque escolheu fazer ao invés de só discursar. Seu nome? Jesus de Nazaré. Ao menos foi assim que ele foi popularizado. 
Não que essa popularidade fosse das melhores pois, Natanael, um dos discípulos convidados por Filipe, chegou a perguntar: "Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?" (João 1:46). Entretanto, Jesus estava muito acima do populacho que só sabia falar. O Filho de Deus escolheu fazer.
Desde o nascimento até o último suspiro, considerando as limitações do corpo humano a que se submeteu, Jesus foi pura atitude. Ele não perdia tempo com blá, blá, blá. 

Mesmo não sendo de falação, por muitas vezes foi necessário que interpelasse os desocupados de seu tempo para, com muita classe, requinte e contundência reafirmar sua missão: buscar e salvar o que se havia perdido. 
Seus opositores reclamavam até por ele curar aos sábados. Típico de quem não tem argumento, implica com coisa idiota. O que era mais importante? A cura de um cego e um paralítico, ou a obediência a um dogma cheio de vícios humanos? Pois é. A língua dos desocupados trabalha contra os ocupados desde que o mundo é mundo. Mas, insisto que esses tinhosos, não são a maioria. Eles apenas fazem mais barulho que os ocupados.

Voltando ao Nazareno, o título desta coluna remete ao de um livro do consagradíssimo escritor norte-americano Max Lucado e a uma canção da doce Fernanda Brum.
Em seu livro "Ele escolheu os cravos" (CPAD, 2006), Lucado registra: "A obrigação dos soldados era simples: Levar o Nazareno até o monte e matá-lo. Mas eles tinham outra idéia. Queriam se divertir primeiro. Fortes, descansados e armados, os soldados cercaram um carpinteiro galileu exausto e quase morto, e o atacaram. O açoite fora ordenado. A crucificação ordenada. Mas quem teria prazer em cuspir em um homem quase morto? O ato de cuspir não tem a finalidade de machucar o corpo – de forma alguma. O ato de cuspir é a intenção de degradação da alma, e muito eficiente. O que os soldados estavam fazendo? Não estariam eles elevando-se a si próprios à custa de outra pessoa? Eles sentiram-se grandes ao humilhar Jesus."

Enquanto os carrascos romanos escolheram agir em favor da morte de Jesus, em seu corpo combalido habitava um espírito que havia optado pela vida de muitos, a partir da entrega da sua. Ele mesmo disse aos discípulos: "Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai." (João 10:17-18).

Seu poder impressiona ainda hoje. Com uma palavra, acalmou as águas e calou os ventos no meio de uma tempestade no mar da Galiléia. Aquele carpinteiro que chamou apenas pelo nome de Lázaro, no cemitério em Betânia, para evitar que todos os outros mortos saíssem de seus túmulos caso ouvissem "Vem para fora". Curou cegos de nascença, purificou leprosos, levantou paralíticos e libertou a mente e a alma de milhares. Ainda assim, escolheu morrer.

Mesmo sendo soberano, antes da última ceia com os discípulos, decidiu executar o serviço que era dedicado aos empregados mais desprezados das famílias: lavar os pés dos visitantes. Feito isso, disse: "Entendeis o que vos tenho feito? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou.
Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.
Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes." (João 13:12-17). Nesta Páscoa, que escolhamos atos mais nobres e possamos nos dispor a falar e cumprir.

 
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