7 de março de 2012

Eu me rendo

Esta semana, ao refletir sobre o que dizer para as mulheres, indaguei aos meus botões o que elas, eventualmente, gostariam de ouvir como homenagem. Uma vez que elas são um mistério à parte neste universo de meu Deus, a falta de uma resposta objetiva é natural. Afinal, elas, definitivamente, não são uma equação ou mesmo a mais elementar operação aritmética. Nem a compilação de todos os artigos filosóficos, sociológicos, antropológicos, teológicos, biológicos ou de qualquer outra ciência que ouse examinar esta criatura será capaz de chegar a um termo final.
Só o fato de serem multifuncional complica profundamente as possíveis definições. Ser mulher vai além de ser diferenciada pela mama ou pelo aparelho reprodutor. A capacidade de carregar uma nova vida no próprio útero é um milagre sempre fascinante, diria até que embriagador. E, se, por qualquer motivo, elas não podem gerar filhos biológicos, a capacidade de gerar filhos espirituais é outro fenômeno.
Ainda que alguns ostentem, com louvor, o título de idiotas por tentarem menosprezar a mulher, o passado denuncia-lhes a dependência absoluta justamente do sexo frágil. Não fosse a ação da desprezada de então, teria morrido de fome e sede. Nem vou entrar nos maus odores e imundície que o valentão de agora ficaria caso a mulher se recusasse a trocar suas fraldas. Não é à toa que os seres humanos, dentre os mamíferos, são os que mais tempo precisam dos cuidados maternos.

Fato é que desprezar as mulheres é idiotice. É sintoma da inanição da alma e limitação absoluta da mente. Eu, dentro das limitações masculinas, simplesmente me rendo. Desarmo-me por completo diante do potencial deste ser que, sem nenhum exagero, sempre causa-me surpresa.
O poder de foco como esposa, a firmeza como mãe, a perspicácia como profissional são elementos que obrigam-me a estar curvado diante de sua majestade: a mulher. Retomando meu questionamento da abertura, confabulo se o velho "obrigado" bastaria. Tenho certeza que não! Contudo, é o único verbete oferecido pelo Aurélio e dele faço uso. Obrigado por se permitir ser um instrumento tão poderoso de expressão do cuidado de Deus.

Isso é tão relevante que o próprio Autor da Vida, por meio de uma profecia, argumentou: "Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti." (Isaías 49:15). É bem verdade que há exceções, mas a sublimidade e importância da mulher é tamanha que serviu como ilustração para uma palavra profética. Isso não é algo para se minimizar.

Apesar do solitário "obrigado" ser um verbete obrigatório, ele tem menos importância que a comunicação expressa sem palavras. Neste tempo, definido por alguns teóricos como pós-moderno, as palavras se multiplicaram. Escrevemos muito e lemos pouco. Falamos à exaustão e não nos ouvimos nada. Por isso, acredito que a comunicação dos atos sempre estiveram e estarão acima das palavras. Não faço aqui uma defesa pelo não registro. Precisamos dele para a posteridade. Mas as pessoas que nos cercam, hoje, agora, precisam de ações.

Que nossas mulheres multifuncionais possam "ouvir" as ações de maridos, filhos, irmãos, pais, amigos, colegas de trabalho, vizinhos, sócios, tios, cunhados, enfim, que possamos comunicar a reverência, respeito e, sobretudo, amor por esta jóia da criação que atende pelo título de mulher.
Que pelos nossos atos elas "ouçam" sobre a importância que têm, sobre a dependência que delas temos. Que nossas ações sejam uma forma de retribuir-lhes todo conforto, ânimo, fortalecimento que sempre nos fazem sentir a cada abraço, a cada beijo, a cada olhar. Que o som das palavras seja apenas para fazer arranjo em uma sinfonia muito maior orquestrada pelo amor e marcada pelo brilho e força de um coração verdadeiramente agradecido.

29 de fevereiro de 2012

O Supremo e os Zés do Brasil

Quando a constitucionalidade da lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/10) foi sancionada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 16 de fevereiro, eu estava tão sufocado de tarefas que nem pude fazer minha "festinha". Mesmo 15 dias depois, preciso compartilhar a satisfação pelos 7 votos a favor da nova legislação com aplicações nas próximas eleições de outubro. 

Com isso, tem um exército de gente que deve estar emagrecendo ou engordando de nervoso, arrancando os pêlos para safar-se da lei. Bem pode ser que alguns ou muitos consigam se manter nas disputas para os cargos de vereador ou prefeito, mas, o simples fato de deixar esses ladrões do povo em condições de preocupação, ansiedade, nervoso, tensão, é motivo de comemoração. 

Infelizmente, estão isentos dos efeitos da nova lei gente tosca como Valdemar da Costa Neto (PR-SP) e Jader Barbalho (PMD-PR), entre outros. Tudo bem, com o tempo nos livramos das escórias espalhadas por esta geração do mal.
Mesmo assim, em homenagem aos milhares de politiqueiros de norte a sul do Brasil, lembrei dos clássicos versos de Carlos Drummond de Andrade em seu poema "José". Para eles, deixo aqui minha homenagem em forma de paródia usando a inspiração ímpar do nosso poeta:

"E agora, José?
A ficha limpa pegou,
a justiça valeu,
o povo sorriu,
a noite preocupou,
e agora, José?
e agora, você?
você que tem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que odeia, reclama do quê?
e agora, José?"

O questionamento de Drummond cai como uma luva. Pena que a esmagadora maioria dessa gente que luta para ser eleito como representante do povo e realizador de suas demandas seja tão tosca. 
Sempre tive uma fúria que reacende a cada campanha eleitoral nos veículos de comunicação. O show de horror não se compara a nada. 

Nem mesmo o melhor diretor de teatro ou roteirista de cinema conseguiria compor um casting tão desgraçadamente ruim quanto o que vemos bradando na TV, rádio ou Internet e panfletando as ruas.
Meu acesso de raiva fica ainda mais violento quando lembro que para ser vereador, prefeito, deputado, senador ou até presidente da República não existe nenhuma exigência de escolaridade. Se souber ler e escrever, basta. Será?

Sem querer depreciar coletores de lixo e faxineiros, cada vez mais exigem que eles tenham 1001 habilidades em diferentes áreas do conhecimento. Não basta recolher o lixo e manter a calçada limpa. 
Muito provavelmente, essa gente simples precisa saber seno, cosseno e tangente do ângulo da vassoura na calçada. 
Não demora muito até que criem uma vassoura digital para que nossos singelos zeladores precisem apresentar certificado de algum curso de informática para ativar e desativar a ferramenta de trabalho. 

Ora, façam-me o favor! Se para funções elementares existem exigências de escolaridade, por que para governar uma cidade, o Estado e o País o nível de escolaridade não é questionado? 
Por que essa gente treinada, testada e aprovada na falcatrua e dissimulação pode ocupar funções repletas de atributos decisivos para a vida em sociedade?

Deixo bem claro que sou plenamente a favor das exigências pela elevação de escolaridade para qualquer função. Afinal, precisamos acabar com o analfabetismo e, para tanto, vamos ter que trabalhar duro e por muito tempo.
Como eleitores, temos o direito de perguntar aos candidatos: "Que faculdade o sr. ou srª fez?" ou pelo menos "Até que ano estudou?" Se é para decidir coisas do futuro de nosso povo, que tenham, no mínimo, alguma formação acadêmica. 
Assim, quando acabarem seus mandatos, não serão politiqueiros por profissão, mas, sim, políticos de verdade que amam ao seu povo e querem o bem de todos e não apenas fortuna para si.

23 de fevereiro de 2012

Meu tamanho real

Durante a folia de Carnaval, enquanto um percentual expressivo da população brasileira se permitia extravasar algumas paixões, pude viver, pelo terceiro ano consecutivo, um tempo de muita correria, exaustão mas, sobretudo, de muita alegria.  Participei da 22ª Conferência Missionária (clique aqui para saber mais) realizada pela Assembleia de Deus de Jundiaí, no Parque da Uva. A festa acontece para incentivar a reflexão sobre a obra de evangelização (um dever da igreja), além de ser uma forma de prestar contas aos que contribuem com o envio das 15 famílias de missionários presentes em 10 países sendo: Brasil (Acre), Argentina, Peru, Estados Unidos, Canadá, Espanha, Portugal, Holanda, Guiné-Bissau e Japão.

Desde que conheci o evento em 2005, o inseri como atividade obrigatória. Contudo, apenas a partir de 2010 dei um passo a mais com relação a ele.  Passei a me voluntariar para contribuir, ainda que minimamente, com todo o gigantismo da festa. Só para dar uma dimensão, os três pavilhões do Parque da Uva ficam ocupados. No central, que é o maior, acontecem os cultos, os laterais abrigam a Feira das Nações com pratos típicos da tapioca a yakissoba.  Com isso, a conferência mobiliza, em média, 6 mil pessoas por noite. Assim, tranquilamente supera a marca de 20 mil pessoas nos quatro dias quando são realizados seis cultos e ministradas oito preleções.

Para que toda a logística funcione ainda existem a equipe de recepção composta pela ala jovem da igreja, mais de 100 voluntários este ano. Tem os cooperadores e diáconos, os intercessores na sala de oração, as professoras da conferência mirim –mais de 30 voluntárias que cuidaram com carinho das mais de 200 crianças atendidas cada noite. Contamos, ainda, com seguranças, equipe de cozinha, integrantes das barracas, stand da juventude, entre outras frentes de atuação.

Este ano, em especial, tive uma percepção clara do meu real tamanho no meio daquilo tudo. À medida que fui me voluntariando na produção do evento, ganhei algumas funções com as quais não contava. Comecei como fotógrafo, ajudante de faxina, carregador de cadeira, limpador de mesa, e, nos últimos dois anos, fui presenteado com o privilégio de participar da equipe musical.Nesta edição, quando nos aproximamos das últimas 24 horas antes do evento ser iniciado, um misto de alegria e tensão assaltou-me o estômago. Mais que frio na barriga, deu arrepio e gelo completo até o último fio. Esta percepção foi provocada pelo flash-back que a mente insistia em fazer involuntariamente.

Na véspera da abertura, estávamos reunidos no local para o último ensaio geral. Éramos cerca de 90 pessoas que compunham coral e banda, além de um elenco com cerca de 100 integrantes, e orquestra com cerca 30 integrantes, mais uma equipe de bastidores que garantia a calma e confiança dos que vão para a linha de frente. Quando comecei a contabilizar tudo, enquanto o corpo tremia e a mente viajava, percebi quão mínimo era no meio daquilo tudo. Isso porque, ao observar atentamente todo o trabalho, a gente percebe que, de fato, sozinho é impossível fazer qualquer coisa. Nem mesmo a honra de ser narrador na cerimônia de abertura aumentou minha vaidade. Isso porque, não fosse a voluntariedade e soma de esforços de todas as pessoas, nada seria possível. Ao final, houve um reconhecimento geral por parte do público que assistiu. Mas a beleza de tudo esteve na união dos talentos individuais.

Cada pessoa que se dispôs a vestir uma roupa típica de dez nacionalidades. Cada corista que aprendeu frases musicais em hebraico, sueco, inglês, holandês, espanhol, japonês e até português com sotaque de Portugal. Cada músico que se esforçou na leitura e execução das partituras. Somente esta soma de contribuições tornou tudo realizável. Como reforço de aprendizagem, no último dia do evento, chorava como uma criança e nem podia falar. Como forma de gratidão, apenas abraçava, em silêncio, as pessoas com quem tive a honra de viver este momento.Inseri na linha do tempo de minha vida uma experiência marcante e absolutamente prática de um texto bíblico que é atribuído ao próprio Criador: "Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e, agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer." (Gn. 11:6)

Ora, se o próprio Deus reconhece o potencial humano, especialmente, nos atos coletivos, porque é tão comum encontrarmos os que se acham autosuficientes? Para não encerrar falando de gente minúscula, quero deixar meus agradecimentos a todos que de perto ou de longe, íntimos ou não, tornam minha existência potencialmente mais rica e mais útil
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