15 de outubro de 2017

SER RESPEITADO ENQUANTO MINORIA NÃO É IMPOR CAPRICHOS, É ENTENDER LIMITES




O que exponho a seguir é o pano de fundo da minha infância, em Ilhéus/BA, que me credencia a não admitir qualquer indivíduo, com quaisquer justificativas sejam elas "artísticas" ou "religiosas", impondo-me suas certezas sobre o que é "tolerância ou intolerância" religiosa, respeito à liberdade de expressão e/ou crença.  São fatos que não me tornam melhor ou superior a ninguém, mas que resultam numa postura de não me intimidar diante de minorias ruidosas. Gente que quer respeito, mas não o oferece. Gritam por direitos, mas exigem privilégios. Alegam defender igualdade, mas buscam mesmo vantagens.

O que descrevo, vivi entre os anos de 1985 a 1989. Quando a população evangélica era proporcionalmente muito menor do que atualmente. Ou seja, religiosamente, éramos MINORIA. E, mesmo assim, não estávamos com dedo em riste afrontando a ninguém.
Fiz o meu ensino fundamental ouvindo a "Ave Maria" e orando o "Pai Nosso", antes do início das aulas todos os dias. Estudei da pré-escola à quarta série, ou seja, cinco anos, num ambiente marcado pela influência do catolicismo romano posto que o instituto responsável pelas escolas pública e privada do complexo traz o nome de "Nossa Senhora da Piedade". Minha unidade escolar era (e é) Santa Ângela.
Frequentei a capela do Instituto que integra um convento (vide foto). Ou seja, o filho de um PROTESTANTE estava, com regularidade, em santuário católico (um dos mais belos que conheço inclusive).
No horário do "recreio", como era mais recorrentemente chamado o intervalo, eu tinha a presença de uma imponente e severa Madre Superiora que, por razões dos seus votos, jamais poderia deixar o hábito de lado. Quem era esta digna senhora conhecida como madre Maria Clara? Nada mais, nada menos que a diretora da instituição.

No que isso me agrediu? Absolutamente nada! No que feriu a confissão de fé da minha família que já era protestante antes de eu nascer? De novo, em nada.
Muito pelo contrário. Só me enriqueceu, fortaleceu, fez crescer como cidadão, ser humano. Afinal, nas reuniões de pais e mestres, o que eu via na mesa de honra era a Madre, nossa diretora, fazendo questão de ter ao lado um líder evangélico que era, por acaso, meu pai. Que, convém lembrar, tinha de se pronunciar sempre, por EXIGÊNCIA da madre Maria Clara. Aplicava-se ali, o "manda quem pode, obedece quem tem juízo".
Tudo sempre com respeito e afeto mútuos que transcendia quaisquer divergências teológicas que estavam presentes e continuam até os dias de hoje. Nada, porém, que fizesse meus pais determinarem que eu não podia ficar na sala de aula no momento de orar a "Ave Maria" ou que teria de ficar fora de qualquer evento realizado na capela do convento. Ser respeitado como minoria, está muito longe do que querem fazer parecer verdade atualmente.

14 de outubro de 2017

BISPO DE APUCARANA CONCLAMA UNIÃO CONTRA A REDE GLOBO




Durante celebração no último dia 12, o bispo da Diocese de Apucarana, Dom Celso Antonio Marchiori, foi contundente no alerta aos fiéis, ao abordar sobre a campanha de desconstrução de valores cristãos orquestrada pela emissora carioca: "Vamos nos unir contra este espírito diabólico que, inclusive a Rede Globo está espalhando contra a família".
Na conclusão da Homilia, Dom Celso alertou a assistência, ciente do poder de alcance de sua expressão uma vez o evento estava sendo transmitido pela internet.
Abaixo, transcrição de trecho (link da transmissão no final do post):
"Faço um apelo a todos os católicos. E aqui, certamente, todos nós temos na nossa família algumas pessoas que não são católicas mais, são evangélicas ou de alguma outra religião. Fale com elas e vamos nos unir contra este espírito diabólico que, inclusive a Rede Globo está espalhando contra a família, contra a religião.
Cuidado com as novelas. Nós, católicos, não deveríamos mais assistir nenhuma novela da Globo. Nós, católicos, aliás, não deveríamos mais assistir a Rede Globo, porque a Rede Globo é um demônio dentro das nossas casas.
Com suas novelas, com os seus programas. Inclusive com alguns programas, às vezes, com uma aparência religiosa, cuidado! Porque a palavra de Deus diz, São Paulo que fala na primeira carta aos coríntios: "o diabo tem o poder de se transformar num anjo de luz para enganar, se possível até, os eleitos". Portanto, às vezes um fervorinho na Rede Globo não quer dizer que a Rede Globo é uma rede católica, é uma rede religiosa. É uma rede manipuladora de opinião, está nos manipulando, está nos conduzindo para o abismo, para destruição.
Nós precisamos nos unir. Conversando esses dias com o pastor Valdir, o pastor Accioly, da Assembleia de Deus, nós conversávamos justamente sobre isso. Precisamos nos unir contra essa ditadura da Rede Globo que nos manipula, que nos destrói, que justamente quer que aconteça isso, que a religião, que a família sejam totalmente destituídas, destruídas."

Espero, sinceramente, que a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) preste-se a apoiar o religioso que, até o momento, foi o mais corajoso dentro do universo católico, seguido do padre Paulo Ricardo. D

o meio evangélico, Silas Malafaia manteve a postura e já mandou o recado, também. 
<https://youtu.be/6iEFfwISdJQ>

Vídeo completo da missa. Apelo do bispo diocesano a partir de 1h03min.<http://bit.ly/DomCelso_BispoApuracana>

11 de outubro de 2017

NOSSAS CRIANÇAS




Por: Alexandre Garcia (Jornal "O Globo", 4 out 2017)


O volante Gabriel, do Corinthians, foi suspenso por dois jogos por causa de gesto obsceno feito para a torcida do São Paulo. Ele pusera a mão sobre a porte da frente do calção, entre as pernas. Fico me perguntando se seria arte, na mesma cidade, quando aquela mãe induziu a filhinha a tocar num homem nu, deitado no chão. Em Jundiaí, a alguns quilômetros dali, um pai de 24 anos foi preso por estar fumando maconha no carro de vidros fechados, com seu bebê de uma semana deitado ao lado. Fico me perguntando porque estava aberta para crianças uma exposição em Porto Alegre que mostra um negro com pênis de um branco na boca, enquanto outro branco o penetra por trás. A mesma exposição tem uma ovelha sendo violentada por duas pessoas, enquanto uma mulher pratica sexo com um cachorro. Não entendi porque isso estava num museu, aberto a crianças, e não numa casa noturna de shows de esquisitices sexuais e restrito a adultos. 

Tampouco entendi a performance de um homem nu que esfrega num ralador uma imagem de Nossa Senhora. Em São Paulo, alguém que pensa que somos idiotas explicou que o homem nu é arte interativa com o corpo humano. Ora, arte com o corpo humano é o que a gente vê, e aplaude, no Cirque du Soleil. E a Veja, de que sou assinante, deve pensar que abandono meus neurônios ao abrir a revista. Comparou as garatujas da exposição de Porto Alegre a Leda e o Cisne, de Leonardo. Como piada, eu poderia acrescentar, no mesmo tom, que deveriam convidar o tarado ejaculador em ônibus para mandar uma foto a ser exposta entre as semelhantes manifestações de "arte". As pinturas murais artesanais eróticas em Pompéia, têm um significado histórico que o mau-gosto do tal museu não tem. 

Tudo bem, eu não gosto mas há milhões que gostam. Respeito. Só não aprovo, como cidadão, que abram as portas para as crianças se chocarem com essas agressões. Que limitem a adultos. Aprendi que arte é beleza, tem padrão estético, tem perfeição técnica, dá prazer intelectual. Há quem pense que arte é escatologia, agressão, garatujas ou até uma tela pintada de branco. Como disse Affonso Romano de Sant'Anna: "arte não é qualquer coisa que qualquer um diga que é arte, nem é crítico qualquer um que escreva sobre arte"

No Peru, o povo encheu as ruas de Lima para exigir a retirada de doutrinação de crianças em assuntos sexuais no ensino público. E ganhou. Nas ruas, defenderam que as crianças são educadas pelos pais e parentes. No Senado brasileiro, excelentes senadores, como Ana Amélia (RS) e Magno Malta (ES) estão convocando os responsáveis por tais exposições a explicarem em CPI onde não estão agredindo o Estatuto da Criança e do Adolescente e qual o objetivo de envolverem crianças nos seus estranhos experimentos.


Publicado originalmente no Jornal "O Globo", de 4 de outubro de 2017. 

 
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