22 de novembro de 2016

SOU MISCIGENADO. E DAÍ?

Aos imbecis que eventualmente imaginarem que não gosto de preto por ser contra o feriado de 20 de novembro, aviso que minha avó materna era uma negra puro sangue, legítima, forte, linda.

Lamentavelmente, a perdi antes da adolescência e não éramos muito pródigos nas fotografias. O que me privou de hoje ter fotos para exibir ao seu lado.

Mas tenho orgulho de dizer que sou neto de uma negra vencedora, que mal sabia assinar o nome, só conseguia ler as páginas da Bíblia, mas sempre foi guerreira, chegou a liderar empreendimento na venda de carvão em Ilhéus-BA, que garantia mais provisão para a família do que meu avô com seus traços de judeu polonês.

Sou neto de uma negra que nunca precisou berrar que era negra para ser respeitada. Simplesmente o era porque sabia se impor. Não adotava a auto-vitimização.

Não sou afro-descendente. Sou filho de brasileiro preto. Sou neto de brasileira preta. E isso me basta. Não preciso de política afirmativa para reconhecer e/ou praticar igualdade racial. Eu já a vivo.

 
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