23 de setembro de 2010

O que se quer, depende do que se faz

O país que queremos, depende dos representantes que temos

Há algum tempo recebi um e-mail com afirmações incômodas. Há apenas dez dias para que a sensação de satisfação ou arrependimento seja semeada pelo período de quatro anos, acho oportuno relacionar os tópicos que me parecem socos impiedosos no estômago, tal a frequência com que vemos o que é afirmado.
Infelizmente, temos um grande número de patrícios que em maior ou menor medida, com maior ou menor regularidade já fizeram o que segue:
1) Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas;
2) Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas;
3) Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração;
4) Troca o voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, dentadura;
5) Fala no celular enquanto dirige;
6) Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento;
7) Para em filas duplas, triplas em frente às escolas;
8) Viola a lei do silêncio;
9) Dirige após consumir bebida alcoólica;
10) Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas;
11) Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas;
12) Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho;
13) Faz "gato" de luz, de água e de TV a cabo;
14) Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado,
        muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos;
15) Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto;
16) Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou R$ 10 pede nota fiscal de R$ 20;
17) Comercializa objetos doados nas campanhas em favor de flagelados por tragédias;
18) Estaciona em vagas exclusivas para deficientes;
19) Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado;
20) Diminui a idade do filho para que este passe por baixo
        da roleta do ônibus, sem pagar passagem;
21) Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA;
22) Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos como clipes,
        envelopes, canetas, lápis.... como se isso não fosse roubo;
23) Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha;
24) Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o
        fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem;
25) Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.

A lista se estende, mas paro por aqui. Já deu vergonha alheia. De qualquer forma, vale lembrar que, quer de modo consciente ou inconsciente, os representantes eleitos pelo povo saem do próprio povo e, via de regra, têm os hábitos acima, acrescidos de alguns piores.

Se quisermos um país melhor, precisamos ser cidadãos melhores, que escolhem com cautela e razão, e não mera emoção, aos brasileiros que serão nossos representantes.

16 de setembro de 2010

Indignação

Frequentemente sofro com os processos eleitorais. Os motivos para isso são vários: poluição sonora e visual, sujeira nas ruas, caixas de correspondências entupidas, papéis, promessas, picaretagem profissionalizada e outras mazelas que são justificadas como 'parte do processo democrático'.
A cada eleição, ao contrário do que alguns insistem em dizer, sinto-me remando contra a maré. Tenho a sensação de que ao invés de avançarmos no exercício desta tal democracia, tenho a nítida percepção de que paramos, ou, o que é pior, passamos a andar para trás numa velocidade incrível.

O pleito deste ano parece que está reforçando meu sentimento de fraqueza, impotência, indignação e, talvez, da minha própria incompetência como cidadão. Os motivos para esse caldeirão de sentimentos são múltiplos. Vejamos:
1) O número de artistas-candidatos multiplicou como nuvem de gafanhotos;
2) O horário para propaganda partidária no rádio e na TV se tornou um mega circo eletrônico, com figuras como Tiririca e o candidato do "peroba neles";
3) Tem até atriz pornô como candidata a deputada federal por São Paulo!;
4) A falta do mínimo de qualificação para os candidatos. É possível encontrar até analfabetos entre eles!

Quanto a este último tópico, sem nenhum exagero de linguagem, sinto subir um ardor pelo pescoço de tanta raiva quando lembro que não é preciso ter nenhuma qualificação para chegar a cargos que definem o futuro de milhões de pessoas.
Este ano, dos 19.458 candidatos, quatro são analfabetos; 109 apenas lêem e escrevem; 658 têm Ensino Fundamental incompleto; 1.427, Ensino Fundamental completo; 667, Ensino Médio incompleto; 5.245, Ensino Médio completo; 2.078, Ensino Superior incompleto; e 9.270, Ensino Superior completo. Ou seja, a maioria –mais de 50%– parou no meio do caminho quando o assunto era estudar.

Ora, para ser engenheiro, são necessários ao menos cinco anos de estudos, muitos livros e muitas horas de estágio com todas as comprovações possíveis. Depois de muito tempo como estudante ou estagiário explorado e muito dinheiro aplicado para tentar 'ser alguém na vida', o ganho médio de um engenheiro é de R$ 5.096,50 por mês.
Embora o Supremo Tribunal Federal tenha abolido a obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista, as empresas jornalísticas que são sérias vão continuar optando por profissionais que cursam ou cursaram Comunicação Social com enfoque em Jornalismo.

Ao contrário dos engenheiros, jornalistas e outras centenas de profissões que só podem ser exercidas por quem fez curso superior, pós-graduação, especialização, mestrado ou coisa que o valha, para ser deputado, senador ou presidente da República não é preciso estudar! É o caminho mais fácil para fazer um pé de meia sem ter que enfiar a cara nos livros.
Mesmo assim, o último aumento dos soldos dos legisladores nacionais, aprovado em 2007, determinou um aumento de 28,53%. Assim, o salário deles passou de R$ 12.847,20 para R$ 16.512,09. Eles ganham mais que o presidente da República que recebe R$ 11.420,21. Isso, sem contar outros valores que são para 'ajudar' o pobre legislador a fazer o que eles chamam de trabalho.
Cada congressista chega a custar R$ 100 mil por mês. Só para estimular o cálculo, é bom lembrar que são 513 deputados federais e 81senadores. Faça as contas.

Apesar de tudo, o que nos resta é estudar (e muito) para fazermos mais pelo país do que esses indivíduos que vendem competência, contudo, são a materialização da inoperância.
 

9 de setembro de 2010

Quando aprender vira dom

Acredito, piamente, na igualdade de capacidades entre as pessoas. Independente de idade, sexo, raça ou qualquer outra diferenciação entre os seres humanos, todos são capazes de aprender. Pode ser que ocorra uma diferença de tempo e modo de aprendizado de um para o outro. Um pode captar mais informação pelo que ouve, outro pelo que vê, outro pelo que sente.

Por isso, quando se está tentando ensinar alguma coisa a alguém é necessário tentar apelar com recursos que agucem a audição, a visão, o tato e, se possível, até o olfato e o paladar. Esses últimos, quando não é possível dar alguma coisa para cheirar ou experimentar, apelamos para a memória e dizemos algo como: "Lembra o cheiro de....", ou "Tem sabor de...".

Os recursos para ensinar são aprimorados pelo bom professor. Não interessa se a "aula" é no ambiente acadêmico convencional (sala de aula, carteiras enfileiradas, quadro, giz e, mais recentemente, computadores), ou na cozinha de casa, no pomar do vovô, na mesa da diretoria. Em todo lugar sempre é necessário ter alguém ensinando algo e sempre terá aquele precisando aprender.
Quem vive de ensinar, vai aprimorando as técnicas e se torna quase um ator sob a ribalta. Gestos, expressões, caras e bocas, entonação da voz, tudo vai compondo o quadro do ensino.

Quando o conteúdo é algo do tipo 2 + 2 = 4, cada indivíduo impõe a si mesmo um método de observação e um ritmo de estudo que garantem aprender a fazer essa e outras contas. Especialmente quando o cálculo é com dinheiro.
Contudo, existem alguns conteúdos que parecem elevar a capacidade de aprender a um dom raro. É como se, de repente, aprender não fosse tão igualitário quanto é. Ou seja, sobre determinados assuntos, algumas pessoas simplesmente não conseguem colocar na cabeça como funciona.
São aprendizados que poderiam ser assimilados e praticados em diversas áreas da vida, especialmente no que diz respeito aos muitos relacionamentos que precisamos estabelecer ao longo da breve vida.

Parece que aprender é um dom para os maridos que não prestam atenção naquilo que é dito por suas mulheres. Pilatos fez o mesmo, e diz a tradição que morreu louco. Ou quando um tenta prevalecer sobre o outro ao invés de se completarem, como planejou o Criador.
Aprender vira dom, quando o patrão faz questão de tripudiar sobre o funcionário, tentando fazê-lo se sentir menor e incapaz. O mesmo ocorre se o empregado tenta ganhar o dinheiro nas costas do patrão sem produzir de acordo com a função para a qual foi contratado.

A capacidade de aprendizado parece virar dom, quando insistimos em viver como se fôssemos ilhas, ou seja, isolados de tudo e de todos. Deus não nos fez para a solidão. Ele nos dotou de necessidades que só podem ser supridas na comunhão com o próximo.
O abraço, que só pode ser dado se envolver pelo menos duas pessoas, ilustra a necessidade que temos uns dos outros. Quantas vezes um abraço fala mais que mil palavras? Em tantos momentos não sabemos o que dizer para uma pessoa, mas com um simples e poderoso abraço é possível dar nova motivação, trazer alívio, conforto, refrigério.

Mesmo assim, muitas vezes insistimos na tolice de afirmar que não precisamos de ninguém. Se o fazemos, não passamos de alunos negligentes que querem abafar as melhores lições da vida. Podemos e devemos aprender mais uns com os outros. E isso não significa dizer que só aprendemos com quem pensa ou age igual a nós. Grandes lições da vida são dadas exatamente pelos que nos são diferentes.

2 de setembro de 2010

A verdadeira esperança faz produzir

O dicionário Houaiss traz a seguinte definição para o verbete esperança: "sentimento de quem vê como possível a realização daquilo que deseja". Ao contrário do que se defende por aí, a esperança não é um sentimento que induz ao comodismo e passividade. A verdadeira esperança impulsiona as pessoas para frente.
Há um adágio popular com o qual tenho algumas restrições: "quem espera sempre alcança". Se esta espera é do tipo, 'vou ficar sentado até cair do céu', está errado! Esta espera que acomoda, provoca estagnação, improdutividade, dependência, entre outros problemas, além de trazer danos ao preguiçoso, tem consequências diretas e indiretas para as pessoas que o cercam.
Quem está diretamente ligado ao preguiçoso –parentes, amigos, colegas de trabalho– são atingidos em cheio por sua espera nociva. Em casa, aquele que faz uso de uma falsa esperança cria todas as condições para que a família passe por privações.  Não demora faltar condições para trocar o guarda-roupa das crianças, comprar o calçado novo, consertar a goteira do telhado, tampar o buraco por onde passam os ratos, entre outras situações.
No trabalho, o falso esperançoso sempre posterga sua obrigação na esperança de que alguém vai fazer em seu lugar. Faz mal o seu trabalho, ou melhor, não o faz e ainda prejudica os outros colegas que precisam correr atrás do prejuízo.
Na roda de amigos, quem vive de uma pseudo-esperança, é o tipo que instala uma bombinha no pulso dos amigos e consome todo sangue possível. Quando a vítima desperta e acaba com as expectativas do parasita, logo o amigo 'tão querido' se torna um inútil, infame, malvado, entre outros rótulos.
Se abrirmos o campo de visão, vamos perceber que o falso esperançoso prejudica a sociedade de uma forma geral. As relações indiretas que ele estabelece também são atingidas por sua falsa esperança. Por 'esperar cair do céu', o acomodado acredita que os governos têm obrigação de colocar o dinheiro na conta, a comida na mesa e a roupa no armário.
Para que não digam o que eu não disse, deixo claro que os governos devem, sim, trabalhar pela promoção do bem-estar e inclusão social de todos os cidadãos que integram o seu campo de atuação. Entretanto, isso não significa que uns devem trabalhar, enfrentar o sol escaldante, estudar por anos a fio e, no frigir dos ovos, ter que bancar a incompetência e preguiça de quem apenas tinha uma falsa esperança de que tudo daria certo sem o mínimo de empenho.
Se o sol nasceu para todos, logo, todo mundo pode, com base na sua esperança, produzir. Se o agricultor simplesmente esperar que a terra produza sem fazer a sua parte em arar a terra, semear e regar, ele nada vai colher. A agricultura, por si, é um ato movido pela esperança. A esperança de que a chuva virá no tempo e na dose que a plantação precisa. Se, por alguma tragédia natural, o fruto do campo perece, não é porque faltou esperança ao lavrador.  Interessante notar, que, caso as sementes sejam perdidas por causa da falta ou excesso de chuva, calor escaldante ou geada, a esperança que motivou o agricultor a semear da primeira vez, o fará fazer da segunda, terceira ou quantas vezes forem necessárias.
Isso posto, a esperança verdadeira faz com que o homem produza. Pela esperança, o homem tem os olhos no futuro, mas não ignora seu presente sabendo que cada passo e cada decisão, desde a mais simples até a mais complexa tem influência direta para a sua vida e para a do seu próximo.

A Dilma não é ruim, mas...

Apesar de dizerem que o voto é secreto, eu não preciso esconder que não votaria na candidata do Lula. Reconheço que faço parte de um grupo que está diminuindo. Pelos resultados das últimas pesquisas, corre-se até o risco da eleição plebiscitária ser decidida ainda no primeiro turno.


Por termos um sistema político que privilegia a camaradagem, o tapinha nas costas e o sorriso amarelo, a esmagadora maioria dos eleitores ainda não tem maturidade para sentar, ler, ouvir todos os lados de uma eleição e comparar as propostas. Infelizmente, o que se ouve é: 'não vou votar pra perder', 'não voto em candidato que está atrás nas pesquisas' e outras sandices do gênero.

Hoje, procura-se aplicar uma maquiagem na situação e dizer que todo mundo gosta da Dilma, que ela é linda, simpática (sic!), capaz, que é a 'mãe' do PAC. Interessante que o primeiro filhote da 'mãezona' foi abortivo. Todo mundo sabe que nem metade da tal transformação de infraestrutura do país, sequer saiu do papel. Mesmo assim, os criadores de siglas geraram o PAC 2.

Uma bela plástica, técnicas para uso da voz, ensaios na frente do espelho para sorrir frente às câmeras, um banho de loja para melhorar o figurino (que era horrível) e pronto! Está montado o circo para convencer as pessoas pela maquiagem e, não, pelo conteúdo.

O picadeiro está montado. De um lado, temos o presidente da República fazendo o papel de garoto propaganda, por ter empurrado sua candidata goela abaixo da militância.
Do outro, estão alguns membro da oposição querendo acusar a Dilma de ter sido guerrilheira, por possíveis sequestros e assaltos no período da ditadura e outras aventuras da juventude.

Não gosto desta tática de combate. Afinal, acredito no poder do arrependimento, no perdão e nas possibilidades de elevação do espírito e da alma que podem trazer. Não é o passado de Dilma que me preocupa, mas, sim, sua incapacidade para encarar o futuro do país. Uma coisa que pouca gente se recorda é que Dilma, na verdade, foi apenas a rapa do tacho de Lula. Não é nenhuma novidade que os grandes nomes do partido para uma sucessão presidencial mais inteligente seriam Palocci, Zé Dirceu, Genoíno, entre outros.

Até os senadores Suplicy e Mercadante –atual candidato ao governo do Estado, seriam opções melhores. Devo confessar que, mesmo não gostando da política do PT, já votei no Mercadante para senador, mas não o faria para nenhum cargo executivo. Salvo esses dois últimos que gozam de boa reputação e até se pronunciaram contra as políticas do governo quando foi preciso, todos os outros foram tombando.
Os desmandos como a invasão do sigilo bancário de um caseiro, a corrupção explícita dos mensalões, valerioduto e outras desgraças políticas resultaram na derrubada de cada possibilidade de Lula. Sem saída, quem sobrou? A ministra da Casa Civil. Mandona, autoritária, intolerante, grossa, impaciente. Mas, não há nada que uma pela propaganda política não resolva.

Quando afirmo, sem titubear, que a candidata de Lula não tem capacidade de encarar o futuro da gestão de um país como o Brasil, tenho em mente, que ela nunca foi eleita sequer para vereadora! Se tornou ministra por uma consequência da camaradagem e, agora, é candidata ao maior cargo do país, por causa da incompetência dos outros companheiros de cela, de torturas, perseguições, fugas e, décadas depois, de outras ações apelidadas de política.

Vou revelar outro segredo: também não morro de amores pelo Serra. Mas, não posso definir meu voto por bem-querer ou mal-querer, e, sim, por definir o que, de fato, quero para o futuro do meu país.
Dinheiro no bolso e feijão na mesa com facilidade, sem a obrigatoriedade de estudar, ganhar o sustento com o suor do rosto e não apenas pelo "enorme" esforço de passar o cartão do "Bolsa-Tudo" num caixa eletrônico, não é o tipo de política que garanta um futuro decente para país.

Candidato Quem?

No Brasil, a cada dois anos temos uma panaceia de coisas de políticos à nossa volta: discursos, fotos, jornais, panfletos, faixas, banners, cavaletes, placas, carros de som, animações na internet, torpedos etc etc etc, todos os meios e peças de comunicação possíveis acabam por invadir nossas vidas.
Nem bem higienizamos a mente da enxurrada de baboseiras que se ouve nos comícios, reuniões, passeatas e outras ações nas eleições municipais, eis que surge um exército de gente que nunca vimos na vida dizendo ser o melhor cara para representar o povo ou o Estado, na Assembléia e Câmara Federal.

O que chama a atenção, é o fato de que um número exacerbado de candidatos entende que o eleitor é um perfeito idiota. Basta colocar a cara maquiada num panfleto, dizer que é o novo "salvador da pátria", que mandou dinheiro, que fez emendas parlamentares, que defendeu a moral e a ética, que é exemplar na representação popular, colocar o número o maior possível e pronto. Está feito o serviço de informação clara, precisa, inequívoca e capaz de convencer o eleitor de que "o tal" merece mesmo entrar ou permanecer na mamata!
Estou sendo cruel? Não! Apenas realista. Se acredito que tem gente que trabalha na Assembleia ou na Câmara dos Deputados? Claro que acredito, mas eles, com certeza, são minoria. Se "trabalhar" é ficar de ponte aérea em ponte aérea, fazer umas visitinhas nas cidades onde pretende tirar fotos uma vez na vida outra na morte e, mesmo assim, ter verba garantida para morar, comer e viajar, descobri que sou um perfeito vagabundo.
Não só eu, mas alguns milhões de brasileiros que sofrem mais e precisam estar no ponto de ônibus às 4 horas da manhã, pegar um trem, um metrô, um jegue e uma carroça, ralar no sol ou na chuva, sem aquecedor para amenizar o frio, ou refrigeração para aliviar o calor. Depois, de muito ralar ainda fazer algum curso supletivo, de Ensino Médio, Técnico ou Superior e chegar em casa, à meia-noite, mais moído que carne triturada e ainda dizer que o salário mínimo é uma fortuna!
Voltando aos nobres edis, trabalhadores incansáveis que nunca vimos na vida, tenho algumas perguntas.
Se ele ou ela quer ser eleito para representar o povo de uma cidade, como o eleitor pode falar com ele depois de eleito? Ele atende telefones, ou manda capataz o fazer? Recebe em seu gabinete algum pobre com roupa de sacolão, ou só se relaciona com os engomados dos gabinetes?
Quem dentro da minha cidade pode dizer, com sinceridade, e provando por documentos, que ele realmente já fez alguma coisa por alguma parcela da população? Se não fez, o que garante que ele tem conhecimento, capacidade e habilidades para fazer?
Meus questionamentos levam em consideração de tentar evitar o efeito dominó da ignorância. Se temos na Assembléia Legislativa ou na Câmara dos Deputados gente que chega lá sem fiscais, sem a pressão popular, não temos nenhuma segurança de que eles realmente vão trabalhar.
Eleger alguém como representante sem saber quem é, de onde vem e o que pretende, é como colocar alguém para cuidar da sua casa sem conhecer o currículo. Se, tendo referência, sempre temos que correr o risco, se não tiver então, é colocar um ladrão em casa conduzido pela própria mão. É entregar o ouro ao bandido.
Vale ressaltar também que é preciso levar em consideração quem está "vendendo o peixe" do cara na cidade. Se for ladrão, mentiroso, oportunista, explorador, mentiroso, é claro que não vai apresentar gente que presta. É o velho pensamento: "Diga-me com quem andas, que te direi quem és".

 
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