2 de setembro de 2010

Candidato Quem?

No Brasil, a cada dois anos temos uma panaceia de coisas de políticos à nossa volta: discursos, fotos, jornais, panfletos, faixas, banners, cavaletes, placas, carros de som, animações na internet, torpedos etc etc etc, todos os meios e peças de comunicação possíveis acabam por invadir nossas vidas.
Nem bem higienizamos a mente da enxurrada de baboseiras que se ouve nos comícios, reuniões, passeatas e outras ações nas eleições municipais, eis que surge um exército de gente que nunca vimos na vida dizendo ser o melhor cara para representar o povo ou o Estado, na Assembléia e Câmara Federal.

O que chama a atenção, é o fato de que um número exacerbado de candidatos entende que o eleitor é um perfeito idiota. Basta colocar a cara maquiada num panfleto, dizer que é o novo "salvador da pátria", que mandou dinheiro, que fez emendas parlamentares, que defendeu a moral e a ética, que é exemplar na representação popular, colocar o número o maior possível e pronto. Está feito o serviço de informação clara, precisa, inequívoca e capaz de convencer o eleitor de que "o tal" merece mesmo entrar ou permanecer na mamata!
Estou sendo cruel? Não! Apenas realista. Se acredito que tem gente que trabalha na Assembleia ou na Câmara dos Deputados? Claro que acredito, mas eles, com certeza, são minoria. Se "trabalhar" é ficar de ponte aérea em ponte aérea, fazer umas visitinhas nas cidades onde pretende tirar fotos uma vez na vida outra na morte e, mesmo assim, ter verba garantida para morar, comer e viajar, descobri que sou um perfeito vagabundo.
Não só eu, mas alguns milhões de brasileiros que sofrem mais e precisam estar no ponto de ônibus às 4 horas da manhã, pegar um trem, um metrô, um jegue e uma carroça, ralar no sol ou na chuva, sem aquecedor para amenizar o frio, ou refrigeração para aliviar o calor. Depois, de muito ralar ainda fazer algum curso supletivo, de Ensino Médio, Técnico ou Superior e chegar em casa, à meia-noite, mais moído que carne triturada e ainda dizer que o salário mínimo é uma fortuna!
Voltando aos nobres edis, trabalhadores incansáveis que nunca vimos na vida, tenho algumas perguntas.
Se ele ou ela quer ser eleito para representar o povo de uma cidade, como o eleitor pode falar com ele depois de eleito? Ele atende telefones, ou manda capataz o fazer? Recebe em seu gabinete algum pobre com roupa de sacolão, ou só se relaciona com os engomados dos gabinetes?
Quem dentro da minha cidade pode dizer, com sinceridade, e provando por documentos, que ele realmente já fez alguma coisa por alguma parcela da população? Se não fez, o que garante que ele tem conhecimento, capacidade e habilidades para fazer?
Meus questionamentos levam em consideração de tentar evitar o efeito dominó da ignorância. Se temos na Assembléia Legislativa ou na Câmara dos Deputados gente que chega lá sem fiscais, sem a pressão popular, não temos nenhuma segurança de que eles realmente vão trabalhar.
Eleger alguém como representante sem saber quem é, de onde vem e o que pretende, é como colocar alguém para cuidar da sua casa sem conhecer o currículo. Se, tendo referência, sempre temos que correr o risco, se não tiver então, é colocar um ladrão em casa conduzido pela própria mão. É entregar o ouro ao bandido.
Vale ressaltar também que é preciso levar em consideração quem está "vendendo o peixe" do cara na cidade. Se for ladrão, mentiroso, oportunista, explorador, mentiroso, é claro que não vai apresentar gente que presta. É o velho pensamento: "Diga-me com quem andas, que te direi quem és".

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