29 de abril de 2009

Fé e trabalho

Comemoremos ao menos o respeito mútuo entre os profissionais

Desde a instituição do Dia Mundial do Trabalhado em 1889 o 1° de Maio justifica uma série de eventos, manifestações, abaixo-assinados, e claro, menos um dia de trabalho e mais um dia de folga para milhares de pessoas. Felizmente, nem todo mundo comemora o dia parando de trabalhar. Se assim fosse, estaríamos perdidos. Como ir visitar o parente ou amigo distante
sem o maquinista do trem ou sem o motorista do ônibus?

Como fazer aquela festa de proporções gigantescas sem o operador de áudio, o carregador de caixa, o arrastador de cabo? Como ter um belo almoço em um bom restaurante se os chefes de cozinha, seus auxiliares e garçons cruzassem os braços alegando ser "Dia do Trabalhador"?
Geralmente, não nos damos conta do quanto dependemos uns dos outros. Falamos tão mal do sistema capitalista em que o empregador explora o empregado e mal percebemos que somos tão exploradores uns dos outros quanto os patrões.

Muitas vezes a exploração vem justificada pelo bordão "tô pagano" da Lady Kate (Zorra Total - Rede Globo). Com essa justificativa do poder econômico, revelamos a nossa verdadeira "cara" de arrogantes, prepotentes, mesquinhos, orgulhosos, egoístas. Mal humorado, eu? Não. Apenas
reconhecendo os muitos defeitos que também, infelizmente, carrego e, não raro, acabo fazendo crescer quer consciente ou inconscientemente. Contudo, nem tudo é lamento nesta questão das relações humanas. Apesar das muitas imperfeições pessoais (e é melhor que eu fale delas do que deixar outros o façam) adotei como regra de vida o fator fé.

Há quem diga que esse recurso da fé é simplista demais e costumam ir mais longe dizendo ser inútil, coisa de gente ignorante ou mesmo apenas para pobres. Mas, qual a relação entre fé e trabalho? A fé que me refiro é de que, apesar de todos os defeitos listados acima, acredito na possibilidade de melhorarmos, crescermos como seres humanos aprendendo a respeitar o
trabalhador ao lado independente da função que ele exerça.

Seja ele o executivo de uma multinacional ou o zelador do meu condomínio todos merecem respeito. Em um mundo que incentiva o individualismo por todos os meios possíveis, somente a fé para dar um mínimo de crença no milagre das relações humanas. Se fosse por fatores como salário, jornada de trabalho, índices de emprego, justiça no trabalho, entre outros, seria mais fácil fazer luto do que festa. Especialmente depois tal crise econômica mundial. Contudo, apelo para a fé e convido outros a fazerem o mesmo, crendo que podemos ao menos nos respeitar. Desta forma, teremos motivos para comemorar ao menos o fato de continuarmos agindo como gente no mundo do trabalho.

3 de abril de 2009

3 de Abril é Dia da Verdade

Ainda sinto a areia da praia sob meus pés no Reveillon de 2009 e o ano já chega no seu dia de número 93. O dia de número 91, foi data do folclórico Dia da Mentira.

Aqui e acolá, alguém tentou convencer um amigo, parente, vizinho ou colega de que uma grande calamidade, tragédia ou coisa que o valha estava acontecendo. Depois de conseguir convencer o interlocutor, o brincalhão revelou o trote dizendo: "hoje é dia da mentira"!Pouca gente sabe, mas exatamente hoje, 3 de abril, é Dia da Verdade! Fiquei imaginando o que aconteceria se celebrássemos este dia com a mesma empolgação que existe no 1º de abril. A bem da verdade, para ser redundante ao extremo, não deveríamos ter um dia específico para a verdade, mas ela deveria ser princípio de conduta em qualquer lugar e com qualquer pessoa.

Não sugiro que saiamos pelas ruas dizendo para os desconhecidos quanto eles estão mal vestidos ou o quanto estão feios por ter emagrecido ou engordado além da conta. Também não precisa dizer para o patrão ou superior imediato o quanto ele é narcisista, prepotente, arrogante e mesquinho, por não querer pagar a hora extra ou dar um aumento de salário proporcional ao aumento de serviço que ele deu.

Costuma-se dizer que as crianças não mentem, dizem sempre a verdade. Contudo, quando se diz isso, entendo que seja no sentido de que elas deixam claro quer pela palavra ou pela expressão corporal que gostaram ou reprovaram alguma coisa.As mães sabem bem o que é isso. Se fizerem alguma coisa no cabelo ou vestirem uma roupa que não cai no gosto do filho, a criança não hesita em dizer: "Xi, manhê, isso ficou horrível!". A mãe –a minha que o diga– pode até reclamar da sinceridade da criança, mas ninguém negue o fato de que ela deixou clara sua opinião sem dissimular.

Embora a definição do que é a verdade seja tema de discussões filosóficas, prefiro ficar com o lado mais prático da questão. Essa praticidade é quando somos sinceros o suficiente pra dizer, olhando nos olhos das pessoas à nossa volta, o quanto se está satisfeito ou insatisfeito com uma situação.Entendo que existe verdade quando o marido diz para a esposa o quanto ficou uma pilha por causa da lavadora de louça. Diante dela, o discurso pode ser algo do tipo: 'Que bom, meu bem. Agora, seu esmalte vai durar mais'. Porém, pelas costas ou, pior, diante dos amigos vai dizer: 'Minha mulher acaba comigo, detonou o meu limite no banco. Esta mulher acaba comigo!'Existem verdades que só podem ser ditas pela pessoa certa, na hora certa e do jeito certo. Uma verdade mal apresentada traz tantos estragos quanto uma mentira bem contada. Verdades sobre a roupa ou o peso de uma pessoa, como citado acima, só podem ser ditas por um amigo íntimo.

Outro exemplo de verdade que só cabe ser dita por alguém íntimo –e que realmente se importe com o amigo ou membro da família–, é quando a pessoa tem mau hálito, o perfume venceu ou tem tiques nervosos que incomodam por onde a pessoa passa, mas ninguém tem coragem de apontar. Pelo bem dessa pessoa, alguém terá que encontrar um jeito de dizer a verdade.

O fato é que dizer a verdade não é fácil. Por isso, prefere-se viver em um ciclo de mentiras no trabalho, na política, na família, pela comodidade instalada. Com uma boa dose da experiência que a passagem do tempo nos impõe, devemos resgatar a nossa veracidade infantil. Dá trabalho, mas vale a pena. O hábito da verdade está plenamente de acordo com o fato de sermos ou não filhos de Deus, pois segundo as Escrituras, nEle não existe mentira.

 
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