27 de julho de 2012

Tributo à amizade


Não sei a origem da tradição, tampouco quando o tal “Dia do Amigo”, celebrado no dia 20 de julho, ganhou mais projeção aqui pelos trópicos. Tenho ciência que, na prática, fica como mais uma data comercial. 
Se não compramos presentes, como em outras comemorações, aproveitamos a ocasião para enviar uma mensagem, publicar um comentário em rede social, confraternizar com os amigos e, claro, gastar! 

A repercussão da data ainda surpreende muita gente que se pergunta: ‘Já tinha essa data antes?’ No meu caso, saí pela primeira vez na vida em função do tal Dia do Amigo. Encarei a noite jundiaiense ao lado de mais 12 amigos. Tínhamos que aguardar todo mundo se liberar de suas rotinas (trabalho, igreja etc). Por isso, o encontro ficou para depois das 21h30. Tarde? Imagina. A noite é uma criança, como dizem por aí.
Chegamos a um bar e restaurante que não podia nos acomodar por falta de lugares. Fizemos um plantão básico na expectativa da liberação de mesas até que fomos ao concorrente. 

Como a meta era estarmos juntos, nem nos abalamos com a espera. Afinal, apesar de nossa sociedade estar doente com o que denomino como ‘individualismo selvagem’, ainda há oásis de conforto, carinho, cumplicidade, compreensão, parceria e todas as outras coisas explícitas e implícitas na amizade.
Como um proletário falido, fico na vontade de poder presentear meus amigos. Já que os bens materiais não são uma realidade, aproveito a ocasião para expressar minha apreciação especial aos amigos próximos ou distantes, íntimos ou reservados, ricos ou pobres, doutos ou leigos, com grande, pouca ou nenhuma projeção social. 

São todos muito especiais e, se pudesse mensurá-los em vil metal, todos valeriam ouro e me deixariam “trilhardário”. Se não posso medí-los em valores materiais, também não consigo fazê-lo  em valores imateriais. 
Amigos são, simplesmente, imensuráveis, indispensáveis e de importância inquestionável. Se entre os metais só podem ser equiparados a ouro, entre as pedras preciosas apenas o diamante é capaz de representá-los à altura.
Um homem sem amigos tem menos perspectiva, vislumbra menos oportunidades (se é que as vê). Não ter amigos é ter uma vida menor, sem brilho, sem cor. 

Com amigos, porém, a jornada, ainda que longa, torna-se prazerosa; as crises abrem caminho para crescimento; as lágrimas regam o jardim da existência; o silêncio se faz discurso; o abraço transmite conforto e segurança; o beijo externa mais que cumprimento; pela prece se busca e se alcança cura para corpo e alma.
Os amigos são os únicos que podem bater em nossa cara, nos dizer as palavras mais duras e, ainda assim, serem alvos de nossa gratidão. Isso porque, amigo de verdade não é o que só nos aplaude é, também, e, principalmente, o que nos corrige.

A amizade, já teria dito alguém, é uma das mais nobres expressões de amor, pois ela nos obriga a partilhar o amigo. Um amigo não é só nosso. Por mais cúmplice que sejamos um do outro, sempre há mais alguém que aplaca nossa mania possessiva e exclusivista.
Existe tanta beleza, poesia, riqueza, força e profundidade na amizade que o rei Salomão registrou: “Em todo o tempo ama o amigo; e na angústia nasce o irmão” (Pv. 17:17).

Jesus mesmo elevou o status de seu relacionamento com os apóstolos quando disse: “Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.” (João 15:15)
Pela doação recíproca de vida encontra-se comunhão com o próprio Criador que, através dos amigos, quer nos ensinar sobre o Seu próprio caráter e o quanto Ele quer ser nosso melhor Amigo. Por tudo isso, e pelo que as palavras não conseguem traduzir, muito obrigado aos meus amigos.

Tributo à amizade

Não sei a origem da tradição, tampouco quando o tal "Dia do Amigo", celebrado no dia 20 de julho, ganhou mais projeção aqui pelos trópicos. Tenho ciência que, na prática, fica como mais uma data comercial. 
Se não compramos presentes, como em outras comemorações, aproveitamos a ocasião para enviar uma mensagem, publicar um comentário em rede social, confraternizar com os amigos e, claro, gastar! 

A repercussão da data ainda surpreende muita gente que se pergunta: 'Já tinha essa data antes?' No meu caso, saí pela primeira vez na vida em função do tal Dia do Amigo. Encarei a noite jundiaiense ao lado de mais 12 amigos. Tínhamos que aguardar todo mundo se liberar de suas rotinas (trabalho, igreja etc). Por isso, o encontro ficou para depois das 21h30. Tarde? Imagina. A noite é uma criança, como dizem por aí.
Chegamos a um bar e restaurante que não podia nos acomodar por falta de lugares. Fizemos um plantão básico na expectativa da liberação de mesas até que fomos ao concorrente. 

Como a meta era estarmos juntos, nem nos abalamos com a espera. Afinal, apesar de nossa sociedade estar doente com o que denomino como 'individualismo selvagem', ainda há oásis de conforto, carinho, cumplicidade, compreensão, parceria e todas as outras coisas explícitas e implícitas na amizade.
Como um proletário falido, fico na vontade de poder presentear meus amigos. Já que os bens materiais não são uma realidade, aproveito a ocasião para expressar minha apreciação especial aos amigos próximos ou distantes, íntimos ou reservados, ricos ou pobres, doutos ou leigos, com grande, pouca ou nenhuma projeção social. 

São todos muito especiais e, se pudesse mensurá-los em vil metal, todos valeriam ouro e me deixariam "trilhardário". Se não posso medí-los em valores materiais, também não consigo fazê-lo  em valores imateriais. 
Amigos são, simplesmente, imensuráveis, indispensáveis e de importância inquestionável. Se entre os metais só podem ser equiparados a ouro, entre as pedras preciosas apenas o diamante é capaz de representá-los à altura.
Um homem sem amigos tem menos perspectiva, vislumbra menos oportunidades (se é que as vê). Não ter amigos é ter uma vida menor, sem brilho, sem cor. 

Com amigos, porém, a jornada, ainda que longa, torna-se prazerosa; as crises abrem caminho para crescimento; as lágrimas regam o jardim da existência; o silêncio se faz discurso; o abraço transmite conforto e segurança; o beijo externa mais que cumprimento; pela prece se busca e se alcança cura para corpo e alma.
Os amigos são os únicos que podem bater em nossa cara, nos dizer as palavras mais duras e, ainda assim, serem alvos de nossa gratidão. Isso porque, amigo de verdade não é o que só nos aplaude é, também, e, principalmente, o que nos corrige.

A amizade, já teria dito alguém, é uma das mais nobres expressões de amor, pois ela nos obriga a partilhar o amigo. Um amigo não é só nosso. Por mais cúmplice que sejamos um do outro, sempre há mais alguém que aplaca nossa mania possessiva e exclusivista.
Existe tanta beleza, poesia, riqueza, força e profundidade na amizade que o rei Salomão registrou: "Em todo o tempo ama o amigo; e na angústia nasce o irmão" (Pv. 17:17).

Jesus mesmo elevou o status de seu relacionamento com os apóstolos quando disse: "Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer." (João 15:15)
Pela doação recíproca de vida encontra-se comunhão com o próprio Criador que, através dos amigos, quer nos ensinar sobre o Seu próprio caráter e o quanto Ele quer ser nosso melhor Amigo. Por tudo isso, e pelo que as palavras não conseguem traduzir, muito obrigado aos meus amigos.

20 de julho de 2012

Honra a quem tem honra

Neive Noguero faz bem feito independente da legenda partidária. Tolo é quem não acredita nisso

Procrastinei muito a edição deste artigo. Primeiro, estava reticente quanto a fazer uma propaganda eleitoral indevida sobre a pessoa de quem quero falar. Segundo, em função de um período de luto, não estava disposto a acirrar discursos. Contudo, a primeira objeção foi removida pois meu personagem, infelizmente, não é candidato. A segunda, apesar de manter-me acabrunhado, não impede de também dizer o que penso e sinto.

Esta semana, fui impulsionado a escrever sobre este tema. O meu personagem, por um fio, quase se tornou um desafeto. Hoje, porém, mais que um colega de trabalho e cidadão campo-limpense por quem tenho elevado apreço, orgulho-me de computá-lo no rol de amigos. Sem mais rodeios, refiro-me a Neive Noguero. 
Embora eu esteja muito aquém de ser um "advogado" a altura para defendê-lo (ainda que não precise disso), o mínimo que posso fazer é contestar toda e qualquer manifestação que, mesmo não conseguindo, tenta arranhar sua imagem. 

Na edição 15 do jornal "Agora", Neive é chamado de ex-expoente do Partido dos Trabalhadores (PT) e, segundo a publicação, vítima de um processo de metamorfose de nome engraçado: "tucanada". O termo foi usado como forma de responsabilizá-lo pelo esvaziamento e descrédito ao PT local. 

Para quem nunca ouviu falar do Neive e tenha alguma coisa contra o PSDB, fica a impressão de que ele errou ao encontrar o entendimento com o atual prefeito Armando Hashimoto, em 2007. Felizmente, o tempo, os registros históricos e até mesmo uma boa memória são elementos suficientes para elucidar todo e qualquer questionamento sobre o êxito de sua decisão. 

Muita gente não entendeu a nobreza de sua atitude e, por falta de visão democrática dos eleitores, ele não foi eleito vereador nas eleições de 2008. Não escondo a satisfação que tive em produzir seus materiais naquela campanha. Infelizmente, não abraçaram suas propostas e não o legitimaram representante.

Num primeiro momento, fiquei triste de verdade. Entretanto, isso foi compensado quando passei a conviver com ele como coordenador de Meio Ambiente. Se alguém tinha dúvidas sobre sua disposição para construir dias melhores para nós e nossos filhos, sua atuação, junto com sua dedicada equipe, dirimiu todas.
Neste período eleitoral, alguns podem até tentar ofuscar seus feitos, macular sua imagem, ou coisa que o valha. Contudo, contra fatos os argumentos são inúteis. 

Sem medo de errar e sem o risco de parecer um bajulador, agradeço a Deus pelo privilégio de conviver com uma pessoa da envergadura do Neive. Disposto, corajoso, sonhador, incansável, dedicado à família, temente a Deus, marido apaixonado, pai dedicado, cidadão visionário.
Não o tivemos, ainda, como vereador, mas o ganhamos como servidor de primeira grandeza. À frente de seu setor, contribui para que o município pense e avance nos temas de sustentabilidade. Fez questão de ir em quantas comunidades quanto possíveis semeando a esperança de que o nosso grande jardim, a Terra, pode ser cuidado a partir do nosso quintal. 

Bendito seja o dia em que Noguero e Hashimoto aceitaram dialogar e optar pela parceria. Há muitas conquistas, mas não consigo relacioná-las aqui. O curso da história nos permitirá ver os muitos frutos de todas elas. Concluo com um trecho do editorial do Jornal "O Pêndulo", edição 672, de 22 a 28 de agosto de 2008, que afirma:
"Da mesma maneira, tem forte simbologia (e emociona) a cena, registrada num recente jantar de confraternização, em que o ex-candidato do PT Neive Noguero e a esposa aparecem abraçados com o atual chefe do Executivo (...) revelando que a sinceridade, o bom senso e o engajamento num projeto de desenvolvimento do município, podem, sim, estar acima das rivalidades partidárias."

12 de julho de 2012

A busca por Deus

Embora já tenha versado um pouco sobre a partida do meu irmão Samuel Moura no último dia 1º de julho, ter a certeza que não mais veremos o rosto de uma pessoa tão íntima, desencadeia uma sucessão de pensamentos. Os devaneios mentais, primeiro, nos tiram o sono, depois, nos obrigam a olhar para cima e aguardar se não, as respostas, ao menos uma serenidade que só é plena se for dada por Deus.

Quando a morte passa perto da nossa vida, ganhamos uma nova perspectiva sobre as promessas de Deus, Sua existência, Seu cuidado com a vida humana. Vivemos em uma sociedade que é chamada de pós-moderna. A bem da verdade, tem horas que não consigo entender o que definem como avanços da sociedade dos homens quando a mesma ainda apresenta quadros tão ou mais bestiais que da Idade da Pedra.

Apesar da essência ruim do ser humano se manter inalterada desde que foi expulso do Jardim do Éden, uma coisa foi se alternando ao longo dos séculos: sua forma de buscar substitutos para o lugar de Deus. Ao longo dos séculos, na sucessão por respostas que fujam do imaterial, do espiritual, do eterno, passamos a buscar respostas mais tangíveis, deuses mais palpáveis e que estejam condicionados à nossa vontade e não o inverso.

Nesta saga, chegamos ao que tem sido rotulado como pós-moderno. Entre outras características, os conceitos ditos 'avançados' negam a Deus e qualquer coisa que a ele esteja relacionada. Mesmo antes deste momento histórico, a Antropologia prefere colocar os temas da espiritualidade apenas como questão cultural e nada mais. 
Desta forma, reduzem toda e qualquer forma de culto apenas para uma linha do tempo do homem e de seu grupo social que cabe apenas entre o dia do nascimento e da morte no plano físico. Os ateus, que comemoraram um certo aumento populacional no Brasil, segundo o IBGE, argumentam que buscar respostas em Deus, praticar qualquer forma de culto (cristão, islâmico, judeu, hindu, budista etc) é coisa para boçais. 

Felizmente, temos liberdade de escolha e, melhor ainda, não somos boçais. Alguns seguidores da falsa ciência escolheram anular a existência de Deus. Defendem seus argumentos com o mesmo fundamentalismo com que acusam religiosos fanáticos. As muitas formas que buscamos a Deus é apenas uma expressão da sede que por Ele temos.
Buscamos a Deus como meio de manutenção e preservação da vida que vai além das datas de nascimento e morte. Esta busca é a única capaz de aplacar as dores e marcas deixadas por todas as mazelas que nossa natureza corrompida impõe um ao outro. Somente nesta busca temos possibilidade de encontrar cura, libertação, capacidade para perdoar. 

Somente a comunhão com Deus é capaz de aplacar a dor da separação que nos é imposta pela morte. Isso porque, a morte não era Seu plano original. Quando ela se instala, vivenciamos um quadro que nos contraria. 
Entretanto, ao estarmos em paz com o Autor da vida, experimentamos paz porque entendemos que Ele, pelo poder e amor que são únicos, elaborou um plano no qual a morte é, sim, uma separação momentânea dos homens e um retorno às origens do homem: Deus. 

Assim, sofro a crítica de crer em algo tão simples e sem as complicações peculiares à Filosofia, Sociologia, Antropologia e outras 'gias'. É simples, reconheço. Mas é tão contundente que me permite olhar para o horizonte e ver mais que nuvens: consigo ver Deus.

Enxergar a Deus nos permite ir além. Nos dá a oportunidade de melhorar, crescer, aprender, nos liberta para amar. Reconhecer a companhia de Deus em nossa jornada não nos isenta de passar por vales, desertos, tempestades, mas, sem dúvida, nos permite passar por tudo isso com a certeza do Seu comando, controle e cuidado independente das circunstâncias.

4 de julho de 2012

Dor, separação e esperança

Em meio ao turbilhão de emoções e pensamentos, preciso, ao menos, tentar organizar as palavras para registrar meus agradecimentos a cada irmão e amigo que se solidarizou com a minha família por causa dessa partida do meu irmão Samuel de modo tão repentino, e para machucar ainda mais a alma, vítima de tanta crueldade. Eu sei que Deus, se assim quisesse, poderia ter impedido a fatalidade. Poderia ter manifestado algum livramento. Mas como Ele é o Senhor da vida e da morte, preferiu tomá-lo para Si. Como bem disse o Patriarca Jó: "O Senhor o deu, o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor" (Jó 1:21).

Foram centenas de amigos e irmãos que se manifestaram pessoalmente, por telefone, por e-mail, pelas redes sociais. Em cada abraço um silêncio carregado de discurso que não precisava de palavras, mas que precisávamos ouvir. Que Deus, o Senhor Soberano, Todo-Poderoso, que está acima de todos e de tudo, possa vos alcançar com toda sorte de bênçãos na mesma medida como cada um se empenhou para abençoar aos meus.

Deus reservou 11.294 dias para a breve vida do meu irmão Samuel de Carvalho Moura. Ele deu seu primeiro brado de vida às 11:05 da manhã de uma quinta-feira, dia 30 de julho de 1981. Foi um nascimento difícil, o mais complicado de minha mãe. Ela quase veio à morte, mas Deus poupou a ambos. Quando ele tinha meses de vida, minha mãe o deu como morto nos seus braços até quando meu pai chegou, o levantou aos céus, clamou a Deus e ele recobrou vida.

Por sermos irmãos sanguíneos vivenciamos aquelas turbulências típicas na adolescência e início da juventude. Ele era genioso, temperamento forte e, por ser sempre muito mais musculoso do que eu, apesar de mais novo, jamais me atreveria a entrar num confronto corpo-a-corpo com ele. Com certeza, ele me venceria. Contudo, irmão é assim mesmo. Por mais que tenhamos conflitos, nos amamos, somos aperfeiçoados graças ao que cada um nos dá e nos toma. 

Nenhum momento de conflito é forte ou longevo demais para bloquear o amor que devotamos um ao outro. Não tive coragem de me aproximar de seu leito derradeiro, do sono que não vai mais acordar até o dia em que o Senhor Deus o fizer ressuscitar. 
Por absoluta falta de coragem não queria registrar na minha memória o seu corpo inerte. Prefiro vê-lo correndo pelos campos, mancando dentro de casa por causa das "peladas" de futebol. Prefiro vê-lo saindo de casa com sua vara de pesca e seu saco de iscas. Não era o mais exímio pescador, mas gostava da arte. 

Até o dia em que eu morrer ou quando as profecias se cumprirem, prefiro me recordar do menino indefeso, que diante da enfermidade, com a garganta inflamada (um mal que sempre acometia) pediu meu abraço e minha companhia. Nesta época, estávamos em Rondônia, na cidade de Guajará-Mirim. Prefiro até lembrar dele bravo comigo, mas não queria levá-lo mudo, no sono profundo.

De agora, até o dia que Deus de mim se compadecer e também me chamar, vou levar a memória dele e do meu irmão Abimael Moura correndo pela vegetação árida do sudoeste baiano onde vivemos em Brumado e Aracatu. Vou digerir sempre a imagem do baterista apaixonado e, como bem pede a função, barulhento. 

Nunca vou ter o mesmo espírito despachado, alegre, sarrista que lhe era peculiar. Não sei ser torcedor vascaíno como ele, nem sou tão contundente como anti-corintiano como ele era. Tinha uma inveja branca de sua força física que, provavelmente, nunca vou chegar a ter. 

Ele partiu. Sua vida foi breve sob a minha ótica e de todos os amigos e irmãos, mas foi o tempo suficiente sob a visão daquele que chamo de Todo-Poderoso. Neste tempo, ele foi motivo de aprendizado sobre perdão, tolerância, paciência, disposição. 
Na minha limitação humana, contava que essa etapa de vida que lhe foi privada, nos permitisse a comunhão que é fruto da maturidade. Dizem que a década dos trinta nos traz uma outra postura diante da vida, da família, dos amigos. Acredito, piamente, que a cabecinha dele estava se realinhando em muitos sentidos. Estava em plena comunhão com a igreja de Deus, exercendo seu talento musical como baterista, soube até que estava planejando me meu sexto sobrinho, mas, infelizmente, não vai ser assim.

Agora, resta-me aguardar a sucessão dos dias e as lições que devem advir de tudo isso. Após ver o seu corpo baixar a tumba fria, à mesma hora que nascera, cheguei em casa e recorri ao Livro Sagrado e em suas páginas li a oração do rei Davi: "Ensina-me a fazer a tua vontade, pois és o meu Deus. O teu Espírito é bom; guie-me por terra plana. Vivifica-me, ó SENHOR, por amor do teu nome; por amor da tua justiça, tira a minha alma da angústia." (Salmos 143:10-11)

Como aprendi há algum tempo, não me cabe questionar de Deus o porquê, mas, sim, aguardar o pra que. Meu pastor Esequias Soares diz sempre nesses momentos que "não devemos colocar um ponto de interrogação, onde Deus colocou um ponto final". Enquanto espero ser melhorado, refeito, uma vez que me sinto despedaçado, resta a mim e a tantos quantos têm esta esperança trabalhar para que as profecias se cumpram e possamos, finalmente, viver a promessa do livro da Revelação: "E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas." (Apocalipse 21:4).

Seja lá quando e como Deus quiser cumprir esta e outras tantas promessas, alimento a minha fé (desejo que outros assim também o façam) de que Ele é Fiel em suas promessas, não nos desampara, não nos deixa. A todos, muito obrigado. Tenham certeza que cada um à sua medida foi instrumento de Deus para que Ele dissesse: "Estou aqui." Em breve, poderemos rever o Samuel de Carvalho Moura ou simplesmente Kokinho, Samuca. Ele não vai estar deitado, ferido, mas estará de pé, glorificado, com corpo incorruptível e, enfim, teremos vitória sobre este último inimigo: a morte. 

Partilho com todos as palavras do Livro Santo que me refrigeraram a alma. Desejo que o mesmo aconteça com cada um que for alcançado por essas palavras mais doces que os favos de mel. As únicas capazes de superar o amargo fel da dor e da angústia. 




Continuo contando com as orações de todos pelos meus pais Manuel e Ana, pelos meus irmãos Abimael e Cristina, pelos meus cunhados Ailton e Karine, pelos meus sobrinhos Abner, Allana, Davi, Isac e Eduardo e pelos meus tios Agnaldo e Adriana.

 
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