28 de julho de 2011

Uma cidade ou um coração?

A força subjuga, o amor conquista
Se perguntássemos a um soldado da antiguidade se seria mais fácil conquistar uma cidade murada ou o coração humano ofendido, provavelmente, ele responderia que a cidade.
Isso porque para quem precisava desenvolver estratégias de como tomar a cidade de um inimigo qualquer, as soluções sempre dependiam de um pouco de perspicácia do general para decidir onde, como e quando atacar, com que intensidade, com quantos homens e quais posições e armas seriam atribuídas a cada pelotão.

Uma vez definidas estas questões, era só partir para o ataque e enfrentar o que viria como resposta do inimigo. Por isso, os ataques precisavam ter a maior dose de surpresa que fosse possível. Porque se os dois lados estivessem com o mesmo nível de preparação, as batalhas seriam mais extensas e, claro, mais sangrentas.
O fator surpresa não evitava mortes, mas fazia com que o lado menos preparado optasse pela rendição mais depressa como forma de preservar a vida de mulheres e crianças.

Embora a inteligência já fosse um valor agregado importante mesmo nas batalhas dos tempos bíblicos, tal qual nos dias atuais, o que geralmente decide uma guerra é o poder bélico de um dos lados.
Isto é, quanto mais armas e dinheiro mais fácil se torna a guerra. É óbvio que existem exceções. Como é o caso dos Estados Unidos no Vietnã que até hoje cai como fel no orgulho nacional americano. Mas isso é outra história.

Voltando à comparação entre conquistar uma cidade e um coração, o rei Salomão também refletiu no assunto e registrou o seguinte provérbio: "O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como os ferrolhos de um palácio." (Pv. 18:19).

Essa afirmativa deve nos conduzir a uma reflexão acerca do cuidado necessário sobre o que fazemos com as nossas palavras e atitudes às pessoas que nos cercam. Ao consultar o significado da palavra ofensa vamos descobrir que uma das condições para sua instalação é o fato de ser desconsiderado.
Ainda que tenha a linha do tempo da vida não muito farta em anos, nos poucos dias transcorridos comprovei que uma pessoa fica chateada quando brigamos, falamos alto, batemos a porta, desligamos o telefone ou coisa do tipo. Contudo, passado o calor da discussão, o perdão e o abraço permitem seguir em frente.

Agora, desconsiderar, ignorar, ofuscar, boicotar, não levar em conta as opiniões, não dar a mínima para os sonhos, não querer ouvir as queixas, tampouco partilhar as conquistas de uma pessoa é muito mais ofensivo do que se imagina.
Se, agora, causarmos dor e sofrimento ao próximo, no futuro, não será possível colher alegria e paz. Por isso, é de bom tom cuidar para que as pessoas não se tornem muralhas intransponíveis, mas que tenham sempre portas e janelas abertas para nossa entrada e contemplação.

1 comentários:

Ben Oliveira disse...

Gostei!
Acho que em certos casos é mais fácil conquistar uma cidade mesmo.
Quanto aos relacionamentos acredito que muita coisa se resolve no diálogo, mas também sei que existem linhas que quando ultrapassamos não tem um caminho de volta. É claro que é importante resolver os sentimentos, desejos, idéias, e também evitar as mágoas, porque elas fazem mal para todos os indivíduos envolvidos, mas em alguns casos o que afastam as pessoas não são os muros, mas as diferentes direções escolhidas.

 
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