30 de dezembro de 2012

Como me desejar feliz ano novo: com muito dinheiro

Muito provavelmente pela antecipação da rabugice que será minha marca de terceira idade (se eu chegar até lá), tenho me tornado cada vez menos suscetível ao clima de euforia de fim de um ano e começo de outro. Uma das coisas que me arrefecem o ânimo é a procrastinação de tudo! Nada funciona. Tudo estaciona. Tudo fecha mais cedo. Um monte de lugares deixa de funcionar. As respostas dos e-mails são: 'Voltamos a partir do dia yy de janeiro'. Em função dessa política do 'ano-que-vem-a-gente-vê', fico apenas ansioso pelo ano que vai chegar para confirmar se realmente alguma coisa vai ser vista. Claro que, em alguns casos, só vai funcionar depois do Carnaval! Aff!

Bem... Acredito, sim, no valor de termos uma disposição mental e espiritual, digamos, positiva, para o novo ciclo que vai chegar. Entretanto, não gosto da coisa do pensamento positivo, mentalização, figa, mandinga, 7 pulos em ondas, comer lentinha, vestir esta ou aquela cor, usar escultura de gato japonês (Maneki Neko), usar trevo-de-quatro-folhas, e por aí vai. Para fábulas e lendas, a imaginação popular não tem fim. Não uso nada disso, mas também não vou lançar no Limbo ou Purgatório aqueles que usam. Afinal, cada qual com sua crença.

O que tenho a deixar registrado, agora, pela concatenação de signos linguísticos (as letras, que formam palavras, que compõem orações e períodos e, finalmente, textos) deve escandalizar alguns, fazer rir outros e mudar meu status na visão de não sei quantos. Trata-se sobre as felicitações de ano novo. Adotei o discurso verbalmente desde o final de 2011 e reitero agora.

É de uso milenar os votos de 'feliz ano novo com muita saúde, paz, alegria, amor'. É bonito, bacana, legal, educado. Porém, contudo, todavia.... adianto que quando eu for te transmitir meus votos de ano novo, o slogan adotado é: "FELIZ ANO NOVO COM MUITO DINHEIRO, TODO O RESTANTE DEUS JÁ DEU, BASTA FAZER USO!". Pode fazer o mesmo comigo. Esses são os meus sinceros votos para meus amigos, para mim e até para os que me mantém na lista como rival. Afinal, egoísmo é um sentimento péssimo, corrosivo e de retorno nefasto.

Alguém dirá: 'Vixi! Que materialista!'. Corrigindo: Materialista, não. Realista! Reduzo as felicitações para a multiplicação do money, prata, jaburu, cacau, faz-me-rir, mérreis, alegria-de-todos, bufunfa, porque todo o restante, desculpe a falta de modéstia, tenho em profusão. 

Explico
Justifico que todas as virtudes desejadas foram muito bem arquitetadas e armazenadas em nós pelo Criador, no ato da criação. Ele mesmo se apresenta como fonte inesgotável, sempre acessível a quem o buscar. E, não sem propósito, o boneco da barro só ganhou vida quando recebeu em suas narinas o sopro de Deus. Logo, se olharmos firmemente para Ele, tudo isso que foi projetado por Ele será vivido em plenitude.

Apesar do mau humor que tenho aprimorado como forma de defesa, já tenho, sim, alegria. O mau humor e a carranca é só para assustar os menos persistentes e que, provavelmente, de quem eu pouco ou nada teria a receber, muito menos a retribuir. E olha que esta alegria já foi ameaçada com a escassez de grana para trocar o sapato. Ela também foi testada quando olhava para uma roupa e tinha que pegar outra na loja, porque era a mais barata. Essa alegria nunca diminui, mesmo quando tenho que olhar primeiro para o preço no cardápio do restaurante.

Tenho paz de espírito, mesmo quando estou no meio de um furacão. A saúde, vai bem obrigado. Se, porventura, o Todo-Poderoso quiser ensinar algo por alguma enfermidade, Ele vai fazê-lo quer eu tenha dinheiro ou não. O mesmo é verdade quando Ele decide restabelecer a saúde. Não fosse assim, qualquer morador da Rocinha (Rio de Janeiro) poderia ser enterrado na primeira gripe da vida, e nenhum morador do Morumbi (São Paulo) morreria de câncer. A saúde vem mediante a vontade inquestionável de Deus e não pela quantidade de recursos aplicados ou pela falta deles em sua busca. 

Quanto ao amor, busco praticar em boa medida. Se consigo? Não sei. Ao menos tento. O amor, afinal, não é um sentimento. Aquela coisa do arrepio, do desmaio, da gritaria, da melação, é besteirol. Amar, ao contrário do que se propaga por aí, é uma faculdade da razão e não da emoção. Decidimos amar. 
O verdadeiro amor encara suas provas de qualidade. Por isso, o apóstolo Paulo disse que o amor "tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta". Ora, se tem de sofrer e suportar alguma coisa, entendo que está mais do que claro as provas de resistência que o pleno amor é submetido constantemente. Isso em qualquer nível de relação, seja ela familiar, profissional, entre amigos.

Sou alegre, tenho paz, estou com saúde, busco amar. Tudo isso, sem dinheiro! Nada mais interessante do que manter todas essas coisas só que com dinheiro. Os amigos mais próximos podem ficar tranquilos que não estou infectado com o amor ao dinheiro que, também segundo Paulo, "é a raiz de toda a espécie de males". Não coloquei o vil metal num altar. Ele não toma o lugar de Deus. Não é mais importante que meus amigos. Contudo, é algo que quero, sim, e em larga escala. Se Jó, Abraão, Isaque e Jacó puderam ser ricos, eu também o posso. Se José de Arimatéia, pela riqueza e coração voluntarioso que possuía, pode tomar o corpo de Jesus para ser sepultado, posso e quero ter grana também. E, felizmente, não preciso sepultar o Cristo, pois já ressuscitou.

Aplicação
Sei bem o que fazer com dinheiro. Afinal, a experiência de ser pobre deveria ser algo com prazo de validade apenas para contar aos filhos. Algo marcado em alguma etapa da vida entre adolescência e juventude como ritual de passagem, mas com a garantia de acabar. Um episódio para valorizar o patrimônio dos pais e entender, de uma vez por todas que dinheiro não dá em árvore, não cai do céu.

Há quem deseje ser rico para poder viajar o tempo todo. Acho isso de pobreza vil. O desejo de grana para se tornar ocioso é horrendo. Dinheiro, chama dinheiro, mas mediante trabalho. Não escondo os votos de feliz 2013 com muito dinheiro, porque sei como multiplicá-lo e aumentar o número de beneficiados por ele.

Desejo muito dinheiro a todos, com a ressalva que, além de ver as suas e as minhas fontes de receita aumentarem em quantidade, desejo que aprendamos a fechar as torneiras das despesas. Um milionário americano ensina que o importante não é o quanto se ganha, mas o quanto se guarda. Ele tem razão. Sei que é difícil. Mas, é possível. Afinal, ser formos bem autocríticos, vamos perceber o quanto de quinquilharia colocamos em casa, sem ter necessidade.

Considerações finais
Que o dinheiro em abundância seja útil para nos fazer sorrir, mas, muito mais para fazer sorrir a outros. Que a produtividade seja uma meta sempre perseguida. Que o dinheiro seja multiplicado, não para te afastar das pessoas, mas para permitir estar mais perto delas. Que essa multiplicação seja limpa, honesta, pacífica, honrosa. Que a busca pela qualificação profissional não se esmoreça e, por meio dela, possa produzir com eficácia, pensar com rapidez e agir com justiça. Protesto contra toda forma de ociosidade. Produzamos. Se o Pai trabalha até agora, trabalhemos também. Feliz 2013.

20 de dezembro de 2012

Hipocrisia fede

Pelo prazer de contrariar, esta semana fiz questão de comparecer às cerimônias de diplomação de vereadores, suplentes, prefeito e vice de Campo Limpo Paulista, no dia 19. Também o fiz em Jundiaí, dia 18. 
Nas duas ocasiões, senti no ar e quase apalpei a hipocrisia. Evidentemente que a fragrância não é agradável. A hipocrisia fede.

E olha que o mau cheiro é mais forte do que naquelas situações que a gente vive em coletivo quando algum passageiro que não gosta de tomar banho, precisa levantar o braço para se apoiar e, por infelicidade, estamos embaixo da 'linha de tiro'.
A diplomação é um ato da Justiça Eleitoral, mas claro que ganha seus contornos políticos. Isso porque, especialmente os partidários dos eleitos incham-se como pavão para desfilar no saguão. É possível ver a cauda aberta.

Emproam o papo como galo em terreiro demarcando território. Sentem-se 'super-heróis' ou 'heroínas'. Mais engraçado é perceber que eles enfiam na cara o olhar altivo e passam a mirar oponentes de cima abaixo. 
O que dizem é: 'Viu, te derrotei'; 'Sou melhor que você; 'Agora tomo o seu lugar'. Enfim, se o que vai pela mente fosse audível, clamaríamos pela surdez. 

Ainda bem que o Criador deixou pensamento para ser lido apenas por Ele. A nós, humanos, fica o direito da expressão verbal ou escrita.
O hipócrita, via de regra, beija e abraça a quem lhe convém no momento. Se é um hipócrita que escreve, em uma década, ele tem artigos ferozes contra a tirania e roubalheira daquele que, naquele momento, é seu desafeto. 

Na década seguinte, o mesmo desafeto passa a ser alvo de poesias que nem nossos mais expressivos poetas conseguiriam fazer tão embevecidas.
Se o orador é radialista, por exemplo, numa década o político em questão é um perfeito idiota, na outra, é um gênio. Em se tratando desse jogo público, político e putrefato o que justifica todas as mudanças?

Se abordados, os hipócritas dirão que mudaram de lado, viraram a casaca, tornaram-se poetas ao invés de algozes, em nome do espírito cívico, da moralidade e dos bons costumes. Nada mais risível. 
Infelizmente poucos de nós se interessa em saber ou até mesmo consegue entender que o discurso do hipócrita tem um preço. E que preço!

Se quem estiver pagando for Lúcifer, Deus é o intolerante que joga o pobre traíra para fora do Seu reino. Se porém, o pagador é Deus, o Belial é mesmo um ingrato que não respeita o Criador.
Ainda na solenidade de entrega de Campo Limpo, havia quem precisasse fazer das tripas coração para ao invés de dar um soco, ter de estender a mão para certa qualidade de indivíduos. 

Compreendo que isso é em nome da civilidade. Neste particular, sou um Neandertal. Não vou dar o soco porque apanharia e recebi formação familiar e religiosa que não é bom que se faça assim. 
Contudo, não tenho a audácia de esticar a mão e abrir um sorriso amarelo e teatral. A isso chamam de intransigência, eu chamo de transparência e sinceridade. Sempre me fez bem, não é agora que vai fazer mal.
Sobre essa questão política tenho muitas outras coisas a ponderar. Contudo, vou esperar a virada de página do ano. Se corresse a pena agora, que não é paga por ninguém, poderia sacrificar alguns benefícios.

13 de dezembro de 2012

Os maus políticos e os coletores de lixo

Em uma noite dessas, quando a madrugada já se anunciava, ouvi a passagem do caminhão de lixo. Como tinha resíduos sólidos a serem descartados que ainda não tinha ido para o cesto, alcancei-os na esquina de minha casa.
Ao retornar, considerei que a esmagadora maioria da população sequer sabe quem são estes homens. Lembramos apenas de descartar o que temos de pior em casa e colocar de modo a que eles levem para o mais longe possível. Lhes disponibilizamos aquilo que sequer suportamos.

Não os percebemos quando passam à luz do dia, imagina, então, quando passam na calada da noite? Entretanto, basta um dia sem que eles cumpram o cronograma e logo percebemos o resultado de uma ausência.
No caso em especial dos coletores que encontrei na madrugada, vi um procedimento que é bastante comum. Enquanto o caminhão percorria outras ruas do bairro, eles escolheram um local e reuniram ali o maior volume de lixo das casas em volta. Desse modo, quando o caminhão encosta, o corre-corre de cada um já havia acontecido.

Além do cheiro ruim, também me chamou a atenção o fato de eles juntarem a sujeira em um único ponto e descartá-la organizadamente.
No mesmo momento, assistia ao jornal que abordava mais um escândalo provocado por integrantes da classe política. Faço questão de dizer que são 'por integrantes' e não apenas 'da classe política' porque embora pareça à maioria que são todos iguais, não são. 

Assim, alguns paralelos entre os maus políticos e os coletores de lixo foram sendo construídos na minha cabeça. 
Enquanto os coletores são anônimos e, muitas vezes, esquecidos, ignorados, os políticos não deixam suas estampas apagarem. Fazem das tripas coração, para que seus sorrisos hipócritas e amarelos sejam publicados em sites, emissoras de televisão, e, para gerar um pouco mais de lixo, também querem estar em outdoors, panfletos, faixas, banners, jornais etc. 

Se não é a cara putrefata que querem exibir, lutam com unhas e dentes para que seus nomes estejam gravados nas placas de inauguração dos prédios públicos. 
Enquanto lixeiros juntam resíduos para facilitar o descarte de modo a contribuir com a saúde pública, os maus políticos fazem questão de espalhar os frutos de suas ações mesquinhas.

À medida que distribuem o lixo social com seus discursos ocos e decisões pautadas, exclusivamente, na vantagem pessoal, tornam nosso presente tacanha e comprometem, agudamente, o futuro das cidades, dos estados e do País.
Com razão, protestamos quando o lixeiro não passa em nosso bairro. Temos de reclamar mesmo. Se não, vira 'casa-da-mãe-joana'. A mesma que é montada pelos maus políticos nas Câmaras de Vereadores, nas Assembleias Legislativas, na Câmara de Deputados e no Senado Federal.

Não acredito que um dia ficaremos 100% livres dos maus políticos. Isso seria o mesmo que acreditar que os dedos das mãos passariam a ter o mesmo tamanho (ficaria medonho) ou que trigo e joio jamais cresceriam juntos.
Diante dos paralelos traçados, concluo que os coletores de lixo são, sem dúvida, muito melhores que os maus políticos. Aos lixeiros falta escolaridade, mas não humanidade. Falta-lhes visibilidade, mas sobeja dignidade. Enquanto, sem serem vistos, nos prestam indispensável serviço, os maus políticos faria o mesmo se desaparecessem.

Os lixeiros só são lembrados quando o lixo fica para trás. Aqui os maus políticos encontram uma boa combinação, uma união de amor escrito nas estrelas, não com o lixeiro, mas com o lixo.

7 de dezembro de 2012

Hipocrisia

A etimologia da palavra hipocrisia afirma que ela foi criada para definir um desempenho teatral. Infelizmente, uma expressão ligada à arte, passou a identificar as pessoas fingidas que dissimulam sentimentos e intenções não assumindo sua verdadeira natureza. 
O hipócrita expressa sentimentos e afirma coisas que não são suas para atingir seus interesses. De certa forma, o hipócrita traz de volta o significado original da palavra que é a ação de desempenhar um papel e muito bem por sinal.

É preciso ser muito bom ator pra dizer que se importa com crianças desnutridas, sujas, nuas e resfriadas. O hipócrita pega essa criança, coloca no colo, dá beijinho e tira foto cercado de outras na mesma situação pra mostrar o quanto se importa com o futuro dos excluídos.
A hipocrisia como diretora impecável, conta com um elenco de primeira grandeza em todos os setores da sociedade.

Desde o indivíduo que se finge de amigo para poder tomar a função no local de trabalho, até o vazio que afirma estar cheio de Deus, no entanto, não sabe o que é amar ao próximo.
Na lista dos que a hipocrisia já dirigiu, há "atores" que impuseram fardo sobre fardo aos ombros de pessoas mais humildes exigindo delas uma vida dita como santa, exaltando a pobreza como virtude, mas esses mesmos defensores de uma pseudo-santidade, nunca quiseram deixar de comer, beber, vestir e morar às custas de dinheiro que não lhes custou o suor do rosto.

Nem mesmo Shakespeare, ao escrever peças como "Romeu e Julieta", imaginou ter um grupo de atores tão dedicados como tem a hipocrisia. 
Jesus nunca economizou palavras com o elenco da hipocrisia. Certa feita comparou-os a sepulcros caiados –bem tratados por fora, mas podres por dentro–.

Embora a hipocrisia tenha suas fileiras engrossadas por novos integrantes a cada geração, precisamos ter a serenidade de aceitar que, para conhecer a Deus, é preciso manter um coração sincero. 
Alguns leitores (uns fiéis outros só curiosos) podem interpretar que estou em uma acidez exacerbada. Mas, acreditem, não estou. Muito pelo contrário. A franqueza e clareza com que me faço entender, de fato, irrita e afeta o fígado de alguns 'fidalgos' que acuradamente seguem os princípios da hipocrisia, mas a mim, garantem equilíbrio e lealdade aos meus próprios valores.

A verdade e transparência não fazem bem aos mentirosos e dissimulados. São valores grandiosos demais para eles. Tal qual a coluna na postagem sobre Coveiros de Sonhos, deixo alerta aos hipócritas de plantão que não se ocupem em me procurar para desejar boas festas. 

Nunca gostei da atitude hipócrita de pessoas que aproveitam a ocasião para, ao invés de tentar se redimir, simplesmente aguçam seus piores instintos, vestem suas melhores capas e saem distribuindo abraços pelos corredores da empresa, no condomínio, no elevador, na feira, no boteco.
Hei!Isso é feio. Se não é possível ser cortês ao longo de 350 dias, nos 15 dias que antecedem o Natal, não precisa fazer das tripas coração. 

No meu caso, jamais sentirei falta de sua mão gélida estendida, pois tenho gente sincera, honesta, agradável, simples, humilde em profusão de quem vou receber beijos e abraços (que não serão de tamanduá). 
Aos hipócritas, o recolhimento será uma válvula de escape para, quem sabe, você descobrir a superioridade da sinceridade. Essa, não tem a pretensão de fazer seus adeptos famosos. Contudo, credencia seus seguidores a se aproximarem de Deus. A sinceridade não é pomposa, mas é honrosa.

 
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