7 de outubro de 2013

Só posso dizer: muito obrigado

Amados, tenho muitas coisas para dizer. Muitos pensamentos, conjecturas, devaneios, desabafos, projetos, sonhos, conquistas, derrotas, perdas, ganhos enfim, uma soma de coisas que forjaram o que sou hoje. Para não correr o risco de me perder demais, optei por deixar escrito o que as palavras conseguem expressar e deixar o restante para o que apenas a alma consegue traduzir.
Primeiro, permitam-me deixar um agradecimento formalíssimo por estarem aqui hoje.  Apesar de ser domingo, amanhã é dia de branco ou de preto, nunca entendi muito bem esta coisa racista. 

Na madrugada do dia 6 de outubro, exatamente à 1h25 da manhã alcancei a soma de 306.816 horas,  12.784 dias, 1065 meses, ou seja, 35 anos. Talvez pela hora que decidi sair da primeira casa, ainda trago a coisa do ser bicho noturno. Tanto que fiz questão de estar trabalhando exatamente neste horário para fazer minha celebração particular.

A bem da verdade, o dia do meu aniversário é o que sinto-me menos confortável e menos sociável. Já houve ocasião que exatamente no dia, que era de trabalho normal, desapareci no globo e ainda desliguei celular. Não queria ser visto, cumprimentado, cortejado, nada vezes nada. Talvez fosse caso de ser um desajuste espiritual ou desequilíbrio mental mesmo, não sei bem ao certo agora.

Entretanto, fui introduzido ao convívio social entre vocês na comemoração de aniversário do Jonas, em 2009. Naquela oportunidade, o convite me causou profundo impacto, pois tinha o significado de um acolhimento ímpar, uma vez que há poucas semanas eu tinha me apresentado como voluntário para contribuir na área de comunicação da Umadju. Sentia-me indigno, mas honrado.

Desde então, Deus tem usado a vida de vocês para forjar o meu caráter. "Assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro" (Pv 27:17). Por uma característica que eu entendo ter recebido da parte do Senhor, sou conhecido como popular, carismático, atencioso etc. Isso, por óbvio, aumenta o número de pessoas à minha volta. Um grito para uma festa de aniversário e viraria um evento como já ocorreu nos três últimos anos. Mas, desta vez por razões que não consigo relacionar eu coloquei no coração algo diferente. Queria um momento mais íntimo e tinha no coração o desejo de me rasgar assim como o faço agora.

O lado mais carnal que gosta do aplauso até gostaria de promover uma mini-rave, com mix musical de crente, claro! Mas, isso pode esperar outro momento, outro aniversário, se eu chegar até lá. Afinal, a soma dos nossos dias estão nas mãos do Senhor. Também os rumos das nossas vidas, se vamos ao norte ou ao sul, é Ele quem determina.

Hoje, só quero registrar minha alegria por ter vocês à minha volta. Dizer que por vocês sou aprimorado. Os tenho em especial estima porque vocês são amigos no sentido mais amplo da palavra. Não por aplaudirem, mas por contestarem, refutarem, corrigirem, mas sempre fazer isso com graça e doçura que somente a amizade sincera pode expressar. Vocês suportam minhas excentricidades e rabugice precoce, ninguém aguenta isso se não for por amizade sincera.

Mesmo que já tenhamos vivido muitas coisas juntos, fui um enxertado neste grupo. Contudo, vocês já choraram comigo as minhas maiores tristezas. Quando o Senhor permitiu que meu irmão fosse recolhido de entre os vivos, foi nos ombros de vocês que encontrei um amparo que só podia vir da parte do Eterno.
Vocês me fazem acreditar que tenho potencial para contribuir no reino de Deus. Condição que, por um momento, cheguei a pensar que não mais poderia fazê-lo. Mas ao observar a postura equilibrada, sensata, justa, batalhadora, sonhadora, humilde, e, sobretudo, cristã, de cada um de vocês sinto-me não apenas ungido com bálsamo, percebo-me mergulhado em um balde dele.

Agradeço ao Senhor, nosso Deus, pela vida de cada um. Somente Ele poderia ter escrito essas páginas da minha história e tornado vocês protagonistas dos melhores capítulos. Obrigado por me darem o privilégio de servir a Deus ao lado de vocês. Obrigado por me inspirarem, motivarem, animarem. Houve um momento da minha vida que me questionei sobre porque as Escrituras são tão recorrentes no mandamento do amor ao próximo.

O questionamento se fez presente porque foi um tempo de solidão, decepções, traições, abandono. Neste contexto, é fácil reclamar com Deus essa ordem do amar. Contudo, entendo que por Sua bondade e misericórdia, consegui entender que Ele deseja se revelar a nós e além de fazê-lo por meio de Cristo, a expressão máxima de seu caráter, Ele também o faz por meio da vida das pessoas. E vocês, sem dúvida alguma, são canais de expressão do Senhor.

A expressão "Muito obrigado" não diz tudo o que eu gostaria agora, mas é o código linguístico que tenho para dizer a vocês o quanto vocês são preciosos. Que o Eterno vos agracie em tudo, pois o que já fizeram por mim é uma dívida que jamais conseguirei pagar. O que ameniza minha carga é o conselho do apóstolo Paulo. "A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei" (Rm 13:8). Estou, sim, muito endividado. 

Até que Ele venha nos buscar e livrar de todas as nossas agonias, quero poder retribuir da melhor maneira possível todo esse amor que não apenas sei, mas sinto e o sentir, nestes casos, vai além do simples conhecimento. Transcende a percepção dos sentidos do corpo, alcança as profundidades da alma. Com coração rasgado digo-vos, ardentemente: "Amo-vos em Cristo, o Amado de nossas almas". Muito obrigado.

 
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