27 de maio de 2010

A vida alheia

Há grande diferença entre 'importar com' e 'cuidar da' vida alheia
 
Há alguns anos ouvi um amigo dizer para outro: "Escolhe a raça" (ele referia-se à raça de gato). Curioso com o significado da expressão passei a prestar atenção no papo. A continuação foi: "Assim, você cuida das sete vidas do gato e deixa a minha em paz".
Evidentemente, a brincadeira foi entre amigos e feita com muito bom humor. No entanto, se a estória das sete vidas do gato não fosse uma fábula, seria bastante interessante dar um gato de presente para cada pessoa logo ao nascer. Deveria ser um bicho de estimação de uso obrigatório.

Contudo, o pobre gato tem apenas uma vidinha muito breve. Resta aos humanos, então, o aprendizado de não cuidar da vida alheia por outros meios. Sou adepto confesso da filosofia de importar-se com a vida alheia. No entanto, existe uma profunda confusão entre importar e cuidar. E, a menos que eu seja um completo idiota, existe grande diferença entre um verbo e outro.
Em linhas gerais, quando damos importância a algum assunto, isso significa que temos interesse nele. Já quando cuidamos, isso quer dizer que estamos tomando conta. Ora, se aplicarmos esses conceitos à vida do vizinho, fica fácil  entender a diferença.

Quando me importo com a vida alheia, demonstro interesse em saber porque meu próximo chora ou o que lhe causa alegria. Posso procurar saber se tem alguma forma de ajudar. Quando me importo, e faço isso de modo sincero, a primeira reação que tenho é da compaixão. Isto é, me solidarizo com o meu próximo e sofro com ele sua dor, ou então, celebro sua festa como se fosse minha.
Quando me importo com as pessoas, estabeleço um canal de comunhão. Isso não significa que vou passar a comer sal no mesmo prato e dividir o cobertor. Significa tão  somente que posso desenvolver as relações sociais com a força, beleza e vitalidade que o Criador projetou.

Importar-se com a vida alheia é conseguir cumprir o que preconizou o apóstolo Paulo: "Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram" (Rm. 12:15).
Agora, cuidar da vida alheia é exatamente o oposto disso. O cuidador da vida dos outros tem o hábito nojento de espiar pelo buraco da fechadura. Quer invadir a privacidade, controlar os passos, determinar os atos de tantos quanto possa.

Em geral, o cuidador da vida alheia é um desocupado que finge ter muitas ocupações. Cria uma aura de quem tem muito o que fazer, mas, na verdade, sua grande missão é bisbilhotar.
As pessoas que nos cercam não precisam de palpiteiros de plantão. Elas só precisam encontrar um ombro amigo, um ouvido atento. Nem é preciso ter todas as respostas, pode até ter tantas perguntas quanto elas, o que realmente precisam é que queiramos viver em comunhão e darmos a cada um o reconhecimento do seu devido valor.

Os homens e os templos

Desde os tempos mais remotos os homens desenvolveram o hábito de construir lugares dedicados a atividades específicas. Não sei onde, nem quando começou, mas o fato é que sempre sentimos necessidade de construir espaços para festas, realização de modalidades esportivas, celebrações religiosas etc.
Por essa prática temos verdadeiros monumentos que representam a força e abrangência de determinadas atividades. O Coliseu romano, por exemplo, faz lembrar as lutas entre gladiadores e também evoca a memória do sangue de milhares de pessoas que morreram nas garras de leões.
Hoje, temos os estádios de Futebol. Construções imensas como o Maracanã, com capacidade para 87 mil pessoas, ou o Estádio Rungrado May Day, em Pyongyang, na Coreia do Norte, com 190 mil lugares. É possível colocar neste estádio as populações de Várzea e Campo Limpo e ainda tem lugar para os jarinuenses.
 
Por analogia, chamamos os estádios de "templos do futebol". Isso revela o valor da modalidade esportiva para a sociedade moderna. É um lugar que representa sua força. Não é à toa o futebol mobilize o mundo a cada quatro anos.
Ainda temos os templos da cultura. Os teatros edificados exclusivamente para apreciação de artes como apresentações de peças teatrais, óperas e concertos. Só para exemplificar, em Pequim, na China, foi construído em 1959 o Renmin Dahuitagn, que significa "Edifício Nacional de Encontro do Povo", com capacidade para 10 mil pessoas.
Nessa mesma onda do gigantismo, temos os templos religiosos. Cada povo tem seu lugar específico para firmar sua religião. Sinagogas para judeus, igrejas para cristãos, mesquitas para mulçumanos e por aí vai.

Um giro pelo mundo nos apresenta uma enorme lista de templos monumentais que bem poderiam representar o valor da fé, mas, infelizmente, representam muito mais o desejo de ostentação dos religiosos.
Embora os equívocos estejam tão presentes quanto erva daninha na lavoura, os santuários edificados em nome de Deus tem seu valor especial. Sem ser radical ou fundamentalista, acredito que devemos realmente frequentar mais estes lugares.

Não acredito que é a simples frequência a este ou aquele templo amplie a conexão com o Divino. Entretanto, o rei Daví chegou a dizer: "Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde ponha seus filhos, até mesmo nos teus altares" (Salmo 84:3). Ora, se até os animais encontram aconchego nos templos erguidos em nome da fé quanto mais o ser humano.
Num encontro entre Jesus e a mulher samaritana à beira de um poço, entre os muitos temas a conversa passou pelo lugar de adoração. Jesus respondeu: "Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem" (João 4:23).

Jesus era frequentador das sinagogas e como bom judeu visitou o grande templo de Jerusalém. Contudo, ele deixou claro que o mais importante não era a frequência a este ou aquele lugar, mas, sim, a adoração que nasce no coração do homem.
O apóstolo Paulo aprofundou o pensamento quando escreveu: "Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" (I Co. 3:16). Mais importante que frequentar este ou aquele tipo de santuário, o melhor é ser um templo vivo onde Deus realmente possa habitar.
Embora seja difícil conceber que o Todo-Poderoso se faça habitar no ser humano, tão pequeno, frágil e imperfeito, é bom atentar para o estado do templo que somos. Afinal, se não habitar o Pai das luzes, outros deuses podem ocupar o lugar.

18 de maio de 2010

Meu gosto por comerciais antigos

Tenho absoluta certeza que revelo a minha idade só de veicular esses vídeos.
Mas, como gosto de verdade, quis homenagear os publicitários que conceberam
estas produções totalmente demais.

Casas Pernambucanas [1962]


Pipoca e Guaraná


Pizza e Guaraná


Parmalat - mamíferos 1 - [1996]


Parmalat - Mamíferos 2 [1996]


Viva o Conga!!!!


Cotonete - [1978]

13 de maio de 2010

Jesus e a princesa Isabel

Cristo despedaça as algemas do medo, do ódio e dá mágoa

Lá se vão 122 anos desde que a princesa Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança assinou a famosa Lei Áurea que, desde 13 de maio de 1888, declarou extinta a escravidão no Brasil.
A despeito das polêmicas que até hoje cercam a ação em função da crise social iniciada pela alforria a uma multidão de pessoas que não tinham para onde ir, sem escolaridade, sem um meio de sustento garantido, entre outros problemas, sua ação foi fundamental. Independente das correntes políticas pró e contra a abolição da escravatura, a memória da princesa foi assombrada por ter sido irresponsável na assinatura da lei por muito tempo.

Mais de 100 anos após sua conquista política e social, alguém encontrou um documento que revelou sua preocupação com o futuro dos negros. Infelizmente, ela não conseguiu executar seus planos de dar o mínimo de dignidade para a imensa nação de ex-escravos. Mas, isso são outras quirelas.
Os registros históricos apontam que mesmo antes de assinar a famosa lei, a princesa financiava a alforria de ex-escravos com seu próprio dinheiro e apoiava a comunidade do Quilombo do Leblon, que cultivava camélias brancas, símbolo do abolicionismo.

Atualmente, a data de 13 de maio parece ter sido relegada ao esquecimento ou minimização de sua importância histórica. A mesma tentativa vem sendo engendrada desde que Cristo, ressuscitou, conforme narram os autores dos Evangelhos.
O Messias afirmou abertamente: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." (João 8:32 e 36).

Como o povo judeu também vivia sob o regime nada humanizado dos romanos, o desejo de uma liberdade física das tiranias de governantes e representantes de Roma era algo que dominava as suas interpretações da liberdade oferecida por Cristo.
Possivelmente, quando Jesus falava desta liberdade oferecida por Ele, muita gente deve ter imaginado sua entrada em Jerusalém montado num cavalo com um enorme exército de soldados com espadas, lanças, couraças, escudos e toda parafernália de guerra.

A deturpação do significado da mensagem de Cristo há 2 mil anos permanece até hoje com uma roupagem diferente. Seus contemporâneos almejavam a liberdade da dominação romana, ao invés da liberdade de espírito que Ele propunha.
Hoje, o discurso de Jesus é reduzido à liberdade de problemas também materiais. A cada dia, Cristo vem sendo apresentado como o solucionador de problemas econômicos. Uma espécie de Gerente Super-Poderoso das contas bancárias.

Isso é ignorância. É reduzir a grandeza do amor e compaixão de Cristo que veio propor liberdade espiritual. As algemas que seu amor despedaça são as do medo, do ódio, da mágoa. Essa liberdade garantida por Ele, resulta em prosperidade, também, mas não apenas no bolso e, sim, da vida.

6 de maio de 2010

Reconhecimento

Neste dias das mães, façamos um passeio pelas telas da vida


Em qualquer relação humana o reconhecimento abre portas. Ouso dizer que ser reconhecido cura feridas, desperta ânimos, abre a visão, enfim, existem diversos benefícios no ato do reconhecimento.


As benesses não ficam restritas a quem recebe, mas também a quem dá o reconhecimento. Isso é verdadeiro no trabalho entre empregado e patrão, na escola, entre professor e aluno ou vice-versa, entre os colegas de trabalho, com os amigos, na família entre marido e mulher, e, também, entre mães e filhos.

No próximo domingo, teremos mais uma comemoração do dia das Mães. Novamente, flores, chocolates –para desespero das que vivem em dieta–, jóias, refeições especiais, beijos, abraços dos filhos, netos, bisnetos que estão perto e daqueles que vêm de longe para celebrar a data.

No momento de abraçar, beijar ou presentear a mamãe, vale parar diante dela e prestar atenção na sua figura. Independente da idade, do estado da pele –se marcada pelas rugas–, ou formato do corpo –se mais gordinhas ou magrinhas–, se altas ou baixas, se negras ou brancas, se biológicas ou adotivas, se doutoras ou analfabetas, não importa. Sugiro que o olhar decline sobre elas e, na velocidade que o cérebro humano alcança, procure fazer um flash-back da vida desta mulher que estará diante de seus olhos e atende pelo doce título de mãe.

Neste passeio entre o ontem e o hoje, agradeça a Deus pelo milagre da maternidade que permitiu o teu nascimento. Lembre de suas lutas, suas dores, suas lágrimas. Recorde, ainda, até das suas ações e palavras mais severas que, hoje, você reconhece o quanto eram demonstrações de amor.

Após o passeio por estas e outras telas da vida, não esqueça de soltar um sonoro: 'Muito obrigado, Deus!'. Agradeça ao Criador por Ele, tantas vezes, ter atendido as suas orações em teu favor. Se fosse possível armazenar em potes as lágrimas que as mães vertem em favor de seus filhos, nos assustaríamos com o volume.

Elas choram pela alegria da maternidade, por causa do primeiro passo, da primeira palavra... Quando o filho acerta em suas escolhas, elas choram. As lágrimas rolam em intensidade ainda maior quando eles tropeçam e caem no curso da vida. As lágrimas maternas regam o jardim da vida de seus filhos. Sejamos, pois, agradecidos fazendo escolhas que façam as mães continuarem chorando, mas apenas de alegria.

 
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