27 de maio de 2010

Os homens e os templos

Desde os tempos mais remotos os homens desenvolveram o hábito de construir lugares dedicados a atividades específicas. Não sei onde, nem quando começou, mas o fato é que sempre sentimos necessidade de construir espaços para festas, realização de modalidades esportivas, celebrações religiosas etc.
Por essa prática temos verdadeiros monumentos que representam a força e abrangência de determinadas atividades. O Coliseu romano, por exemplo, faz lembrar as lutas entre gladiadores e também evoca a memória do sangue de milhares de pessoas que morreram nas garras de leões.
Hoje, temos os estádios de Futebol. Construções imensas como o Maracanã, com capacidade para 87 mil pessoas, ou o Estádio Rungrado May Day, em Pyongyang, na Coreia do Norte, com 190 mil lugares. É possível colocar neste estádio as populações de Várzea e Campo Limpo e ainda tem lugar para os jarinuenses.
 
Por analogia, chamamos os estádios de "templos do futebol". Isso revela o valor da modalidade esportiva para a sociedade moderna. É um lugar que representa sua força. Não é à toa o futebol mobilize o mundo a cada quatro anos.
Ainda temos os templos da cultura. Os teatros edificados exclusivamente para apreciação de artes como apresentações de peças teatrais, óperas e concertos. Só para exemplificar, em Pequim, na China, foi construído em 1959 o Renmin Dahuitagn, que significa "Edifício Nacional de Encontro do Povo", com capacidade para 10 mil pessoas.
Nessa mesma onda do gigantismo, temos os templos religiosos. Cada povo tem seu lugar específico para firmar sua religião. Sinagogas para judeus, igrejas para cristãos, mesquitas para mulçumanos e por aí vai.

Um giro pelo mundo nos apresenta uma enorme lista de templos monumentais que bem poderiam representar o valor da fé, mas, infelizmente, representam muito mais o desejo de ostentação dos religiosos.
Embora os equívocos estejam tão presentes quanto erva daninha na lavoura, os santuários edificados em nome de Deus tem seu valor especial. Sem ser radical ou fundamentalista, acredito que devemos realmente frequentar mais estes lugares.

Não acredito que é a simples frequência a este ou aquele templo amplie a conexão com o Divino. Entretanto, o rei Daví chegou a dizer: "Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde ponha seus filhos, até mesmo nos teus altares" (Salmo 84:3). Ora, se até os animais encontram aconchego nos templos erguidos em nome da fé quanto mais o ser humano.
Num encontro entre Jesus e a mulher samaritana à beira de um poço, entre os muitos temas a conversa passou pelo lugar de adoração. Jesus respondeu: "Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem" (João 4:23).

Jesus era frequentador das sinagogas e como bom judeu visitou o grande templo de Jerusalém. Contudo, ele deixou claro que o mais importante não era a frequência a este ou aquele lugar, mas, sim, a adoração que nasce no coração do homem.
O apóstolo Paulo aprofundou o pensamento quando escreveu: "Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" (I Co. 3:16). Mais importante que frequentar este ou aquele tipo de santuário, o melhor é ser um templo vivo onde Deus realmente possa habitar.
Embora seja difícil conceber que o Todo-Poderoso se faça habitar no ser humano, tão pequeno, frágil e imperfeito, é bom atentar para o estado do templo que somos. Afinal, se não habitar o Pai das luzes, outros deuses podem ocupar o lugar.

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