2 de setembro de 2010

A verdadeira esperança faz produzir

O dicionário Houaiss traz a seguinte definição para o verbete esperança: "sentimento de quem vê como possível a realização daquilo que deseja". Ao contrário do que se defende por aí, a esperança não é um sentimento que induz ao comodismo e passividade. A verdadeira esperança impulsiona as pessoas para frente.
Há um adágio popular com o qual tenho algumas restrições: "quem espera sempre alcança". Se esta espera é do tipo, 'vou ficar sentado até cair do céu', está errado! Esta espera que acomoda, provoca estagnação, improdutividade, dependência, entre outros problemas, além de trazer danos ao preguiçoso, tem consequências diretas e indiretas para as pessoas que o cercam.
Quem está diretamente ligado ao preguiçoso –parentes, amigos, colegas de trabalho– são atingidos em cheio por sua espera nociva. Em casa, aquele que faz uso de uma falsa esperança cria todas as condições para que a família passe por privações.  Não demora faltar condições para trocar o guarda-roupa das crianças, comprar o calçado novo, consertar a goteira do telhado, tampar o buraco por onde passam os ratos, entre outras situações.
No trabalho, o falso esperançoso sempre posterga sua obrigação na esperança de que alguém vai fazer em seu lugar. Faz mal o seu trabalho, ou melhor, não o faz e ainda prejudica os outros colegas que precisam correr atrás do prejuízo.
Na roda de amigos, quem vive de uma pseudo-esperança, é o tipo que instala uma bombinha no pulso dos amigos e consome todo sangue possível. Quando a vítima desperta e acaba com as expectativas do parasita, logo o amigo 'tão querido' se torna um inútil, infame, malvado, entre outros rótulos.
Se abrirmos o campo de visão, vamos perceber que o falso esperançoso prejudica a sociedade de uma forma geral. As relações indiretas que ele estabelece também são atingidas por sua falsa esperança. Por 'esperar cair do céu', o acomodado acredita que os governos têm obrigação de colocar o dinheiro na conta, a comida na mesa e a roupa no armário.
Para que não digam o que eu não disse, deixo claro que os governos devem, sim, trabalhar pela promoção do bem-estar e inclusão social de todos os cidadãos que integram o seu campo de atuação. Entretanto, isso não significa que uns devem trabalhar, enfrentar o sol escaldante, estudar por anos a fio e, no frigir dos ovos, ter que bancar a incompetência e preguiça de quem apenas tinha uma falsa esperança de que tudo daria certo sem o mínimo de empenho.
Se o sol nasceu para todos, logo, todo mundo pode, com base na sua esperança, produzir. Se o agricultor simplesmente esperar que a terra produza sem fazer a sua parte em arar a terra, semear e regar, ele nada vai colher. A agricultura, por si, é um ato movido pela esperança. A esperança de que a chuva virá no tempo e na dose que a plantação precisa. Se, por alguma tragédia natural, o fruto do campo perece, não é porque faltou esperança ao lavrador.  Interessante notar, que, caso as sementes sejam perdidas por causa da falta ou excesso de chuva, calor escaldante ou geada, a esperança que motivou o agricultor a semear da primeira vez, o fará fazer da segunda, terceira ou quantas vezes forem necessárias.
Isso posto, a esperança verdadeira faz com que o homem produza. Pela esperança, o homem tem os olhos no futuro, mas não ignora seu presente sabendo que cada passo e cada decisão, desde a mais simples até a mais complexa tem influência direta para a sua vida e para a do seu próximo.

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