9 de setembro de 2010

Quando aprender vira dom

Acredito, piamente, na igualdade de capacidades entre as pessoas. Independente de idade, sexo, raça ou qualquer outra diferenciação entre os seres humanos, todos são capazes de aprender. Pode ser que ocorra uma diferença de tempo e modo de aprendizado de um para o outro. Um pode captar mais informação pelo que ouve, outro pelo que vê, outro pelo que sente.

Por isso, quando se está tentando ensinar alguma coisa a alguém é necessário tentar apelar com recursos que agucem a audição, a visão, o tato e, se possível, até o olfato e o paladar. Esses últimos, quando não é possível dar alguma coisa para cheirar ou experimentar, apelamos para a memória e dizemos algo como: "Lembra o cheiro de....", ou "Tem sabor de...".

Os recursos para ensinar são aprimorados pelo bom professor. Não interessa se a "aula" é no ambiente acadêmico convencional (sala de aula, carteiras enfileiradas, quadro, giz e, mais recentemente, computadores), ou na cozinha de casa, no pomar do vovô, na mesa da diretoria. Em todo lugar sempre é necessário ter alguém ensinando algo e sempre terá aquele precisando aprender.
Quem vive de ensinar, vai aprimorando as técnicas e se torna quase um ator sob a ribalta. Gestos, expressões, caras e bocas, entonação da voz, tudo vai compondo o quadro do ensino.

Quando o conteúdo é algo do tipo 2 + 2 = 4, cada indivíduo impõe a si mesmo um método de observação e um ritmo de estudo que garantem aprender a fazer essa e outras contas. Especialmente quando o cálculo é com dinheiro.
Contudo, existem alguns conteúdos que parecem elevar a capacidade de aprender a um dom raro. É como se, de repente, aprender não fosse tão igualitário quanto é. Ou seja, sobre determinados assuntos, algumas pessoas simplesmente não conseguem colocar na cabeça como funciona.
São aprendizados que poderiam ser assimilados e praticados em diversas áreas da vida, especialmente no que diz respeito aos muitos relacionamentos que precisamos estabelecer ao longo da breve vida.

Parece que aprender é um dom para os maridos que não prestam atenção naquilo que é dito por suas mulheres. Pilatos fez o mesmo, e diz a tradição que morreu louco. Ou quando um tenta prevalecer sobre o outro ao invés de se completarem, como planejou o Criador.
Aprender vira dom, quando o patrão faz questão de tripudiar sobre o funcionário, tentando fazê-lo se sentir menor e incapaz. O mesmo ocorre se o empregado tenta ganhar o dinheiro nas costas do patrão sem produzir de acordo com a função para a qual foi contratado.

A capacidade de aprendizado parece virar dom, quando insistimos em viver como se fôssemos ilhas, ou seja, isolados de tudo e de todos. Deus não nos fez para a solidão. Ele nos dotou de necessidades que só podem ser supridas na comunhão com o próximo.
O abraço, que só pode ser dado se envolver pelo menos duas pessoas, ilustra a necessidade que temos uns dos outros. Quantas vezes um abraço fala mais que mil palavras? Em tantos momentos não sabemos o que dizer para uma pessoa, mas com um simples e poderoso abraço é possível dar nova motivação, trazer alívio, conforto, refrigério.

Mesmo assim, muitas vezes insistimos na tolice de afirmar que não precisamos de ninguém. Se o fazemos, não passamos de alunos negligentes que querem abafar as melhores lições da vida. Podemos e devemos aprender mais uns com os outros. E isso não significa dizer que só aprendemos com quem pensa ou age igual a nós. Grandes lições da vida são dadas exatamente pelos que nos são diferentes.

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