27 de março de 2017

NÃO ACREDITO EM MAIS CONSCIÊNCIA POLÍTICA

Como estamos em ano de eleições municipais, cada "grupo" social adota um tipo de discurso. Para terem um tom mais palatável, a classe política diz acreditar que existe uma parcela da população que está mais consciente e, em função disso, deve ocorrer uma melhoria dos nomes eleitos para o próximo mandato.


De outro lado, existem os arautos da revolução e consciência que nunca acontece. A mesma que foi prometida no Orkut de 2004, e que todo ano eleitoral é pregada no Facebook. Ainda tem gente que mede as coisas pela quantidade de likes em fanpages.

É aquela conversa fiada de 'o gigante acordou', 'povo está esperto', 'ninguém engana mais' blá blá blá. Todo este falatório não recebe nenhum crédito de minha parte. E nem me importo de ser minoria. Digo isso porque a realidade que fazem questão de fingir não existir ou ensaiam uma boa cara de paisagem para fingir surpresa é que a tal parcela de gente "consciente", "politizada", "com vergonha na cara", é mínima, exígua, parca, insuficiente para, de fato, causar influência real.


A pregação da tal consciência é tão mentirosa que os levantamentos preliminares apontam um percentual ainda maior de intenções pela abstenção, isto é, não votar, ou pelos brancos e nulos.


O pior é que há uma multidão de imbecis que escarram nas redes sociais que votar nulo é a melhor saída. Numa hora dessas, cai como uma luva a declaração ácida e irrefutável do escritor italiano (e muitas outras coisas), Umberto Eco, que declarou sem titubear: "As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel. O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade".


Ora, se a tal consciência política fosse, de fato, uma realidade, teríamos um número crescente de pessoas dizendo que quer participar e fazer isso com qualidade. 
Além de optar pela participação, um real aumento da consciência política, faria com que os cidadãos com clareza buscassem estimular mais pessoas ao exercício da cidadania. Porém, não é isso que ocorre.


Nos escombros de tudo isso, o que se lê nos perfis de diversos candidatos são pedidos descarados de ajuda exclusivamente pessoal. Pedido de dinheiro para uma amiga de Minas Gerais que precisa vir a São Paulo para cuidar da desvalida que não tem ninguém no raio de 50km que possa ajudá-la em um momento de enfermidade (versão mexicana da desgraça).


Outra idosa, de quem se poderia esperar algum traço de sabedoria dizer: 'Voto em quem me der a cesta básica'. Ao ser advertida por um candidato de que não pode barganhar o voto, a pessoa, no alto de sua 'xucreza' repete as mesmas palavras como se fosse uma coisa boa.


Também passaram a adotar uma nova hashtag "#FulanoMeContrata". Na cabeça desta gente, os políticos ou são donos de empresa de recursos humanos, ou então, donos de fábricas e/ou de pontos de venda de calçados, roupas, alimentos, carros, aviões etc.


Recentemente, vi um apelo para que um pré-candidato ajudasse a resolver o problema de saúde de uma certa família. No final da mensagem a infame completa: "Na minha casa tem 30 votos".
Outra abre sua boca de esgoto para dizer: "É para ter minha ajuda tem que ajuda primeiro estou pra ser despejada de onde eu moro. E ai, como fazer? Sem emprego, sem seguro, sem nada. Preciso muito da ajuda de vocês. Ajuda-me que te ajudarei com meu voto.".


Ah! Faça-me o favor! E ainda querem que eu acredite que existe mais consciência política? Blefe. Mentira. Engodo. 
No meio desta panaceia ainda tem os pseudos-entendidos-de-tudo que ao reclamar sobre mil coisas consegue escrever "dessente" ao invés de "decente". Isso, sim, é uma indecência.


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