27 de março de 2017

EMOÇÃO x EMOCIONALISMO

Esta semana, deparei-me com alguns vídeos no YouTube com chamada de um "mendigo que surpreende igrejas e faz fogo cair na igreja".

O começo do enunciado atrai, o final "faz fogo cair" é de causar riso, para não dizer ira. Ao assistir 3 vídeos para não correr o risco de ser injusto a ira não diminuiu. Não costumo entrar em embates desta natureza, mas desta vez confesso que mexeu com meus brios.

A ideia da encenação --tratar o necessitado com amor-- é antiga, apenas o suporte --rede social-- é novo. Entretanto, o problema aqui não está no número teatral e, sim, no embuste de espiritualização.

Fui criado na igreja evangélica. Na adolescência, tive meu encontro pessoal com Cristo. Sou pentecostal por convicção. Creio na atualidade dos dons espirituais para a igreja hodierna e não apenas para os crentes do primeiro século.

Entretanto, a variedade de línguas não é um instrumento para manipulação do homem --o que se vê nestes vídeos-- e, sim, um dom para edificação da igreja para casos coletivos com a devida interpretação, também dádiva do Espírito Santo. O mesmo dom é útil para edificação individual. Neste caso, não precisa ser suprimida, mas também não deve ser usada como "patente-de-mais-comunhão".

Vi três vídeos deste irmão e para meu espanto, o que ele sugere como "variedade de língua" é usado no mesmo momento da música em duas apresentações. Sendo que com algum esforço é possível perceber uma repetição no que estaria sendo dito de modo "sobrenatural".

Outros vídeos onde a glossolalia é repetida no mesmo compasso da música.
<https://www.youtube.com/watch?v=cswAfJLeazA>
<https://www.youtube.com/watch?v=UCe5Pm4WxKk>
<https://www.youtube.com/watch?v=ODjLLobog7U>

Não houvesse este desrespeito a um assunto tão sensível: um dom do Espírito Santo, a proposta suscitaria crítica, mas certamente teria outro viés.


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