27 de março de 2017

MEU PIRÃO PRIMEIRO

Na pegada da minha incredulidade que faria inveja até ao apóstolo Tomé, continuo a dizer o que muita gente não o faz por razões diversas.

Desdenho de chavões como: 'o gigante acordou', 'povo está esperto', 'ninguém engana mais', entre outras expressões piegas que querem vender uma sociedade madura, transformada, consciente, informada etc.

Não dou crédito a estas expressões porque ao considerar o comportamento dos cidadãos em diversas cidades com tamanho de populações bem diferentes o balanço da efetiva participação é pífio, miserável, risível, inexistente, inexpressivo, ridículo.


Considerando, por exemplo, as estimativas populacionais do IBGE para as cidades de Campo Limpo - 80 mil habitantes; Jundiaí - 401 mil; Várzea Paulista - 116 mil e Guarulhos - 1,3 milhão, poderíamos presumir que as sessões ordinárias das Câmaras Municipais que acontecem semanal ou quinzenalmente são acompanhadas por cidadãos conscientes e não por claques ou grupos organizados que só aparecem quando há algo de estrito interesse de sua categoria ou grupo.


Quando se compara o volume de pessoas que vociferam pelas redes sociais e a quantidade dos que, de fato, querem informação consistente, que querem apurar os fatos por conta própria, a piada já está pronta.
Alguém me dirá: 'Mas as pessoas estudam, trabalham, não têm tempo!'. Sério? Hum. Considerando 80 mil habitantes de Campo Limpo não é possível colocar 100 moradores a cada 15 dias para saber quais projetos estão em votação e o que, de fato, isso importa na gestão da cidade?


Se, no horário das sessões da Câmara campo-limpense passar em dez botecos (onde estão sempre os maiores especialistas #sqn) vai ter mais gente do que se inteirando dos rumos da cidade com base em fatos e, não, invenções e ilações.
Existe muita valentia e "informação" atrás de um computador. Coloco informação entre aspas porque recentemente leu-se pela enésima vez mais uma publicação dizendo que a represa de Atibaia iria abrir comportas e inundar Campo Limpo.


Claro que a vontade de checar informação para não difundir histeria é nula. E por mais que se desenhe insistem em dizer que se o Rio Jundiaí sobe do seu nível normal, é por causa da tal represa.
Se há preguiça para checar o óbvio, não é de esperar que seja diferente para se apurar as informações de ordem pública.
Todavia, estou convencido de que os que menos sabem, são os que mais falam sem qualquer preocupação em fundamentar de modo minimamente plausível qualquer argumento.


As afirmações são sempre com base na "certeza do achismo". 
Ou seja, nunca geriu, nunca administrou bem da própria casa mas, de repente, aparece como especialista em contas públicas. Há um sem número de "guerreiros da moral e dos bons costumes" que se for chamado para tomar café com o vereador ou entrar na sala do prefeito e for recebido sendo tratado pelo nome, pronto, logo vira uma "moça", por mais cara de Lampião que tenha.


Existe um sem fim de gente que berra, esperneia, sapateia, grita, vocifera, bufa, urra, por conta da iluminação pública que está precaríssima ou dos buracos que prejudicaram sua santa suspensão do veículo.


Se, contudo, o buraco na frente de sua garagem for tampado, e o super-entendido de gestão pública conseguir sair e entrar com conforto, não importa que faltem leitos nos hospitais, remédios nas farmácias, médicos nos consultórios, professor, higiene hospitalar, investimento em saneamento (água e esgoto), limpeza pública, coleta seletiva etc. Tudo estará maravilhoso porque o tal buraco foi tampado.


Como diria a minha avó, é a lei do "meu-pirão-primeiro'. Exemplifiquei com o buraco como exemplo hiperbolizado. Entretanto, se não tem piche para encher um buraco ou outro, sempre tem alguma possibilidade de colocar mais um sanguessuga na folha de pagamento da Prefeitura ou Câmara. Aí, de reclamante, boa parte passa a ser a mais feliz com qualquer gestão.


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