27 de março de 2017

FISCALIZEM OS ELEITORES

Os pedintes fazem um expediente 
sistematizado. Conseguem identificar 
onde mora cada candidato. Para cada 
abordagem tem uma despesa diferente: 
água para um, luz para outro, telefone, 
internet, gás, crédito para celular, combustível.
Se o cara que topou pagar algo para este 
tipo cretino de gente for eleito, ele apenas 
estará se ressarcindo das extorsões 
praticadas em nome do vitimismo 
e justificadas pela preguiça.


DE REPENTE, num estalar de dedos, num passe de mágica, saído da cartola do Mister M ou do chapéu do Mestre dos Magos, da Caverna do Dragão, eis que surge nas ruas um exército de especialistas em tudo. Sabem como resolver todos os problemas de uma rua, bairro, cidade e, se bobear, desbanca até a Dilma. Conhecem tudo de legislação, orçamento, receita, despesa, tributos, taxas.

Gente que faz um ensaio exaustivo na frente do espelho para forçar uma cara-de-conteúdo e perguntar nas redes sociais: 'Quar çeu prano de guvernu?' Pois é. Não estou falando dos candidatos a vereador e prefeito. Estou falando de eleitores.
Esta semana, ouvi o dono de um restaurante em Jundiaí elogiando a cerimônia de encerramento das Olimpíadas do Rio e dizendo que se os políticos no Brasil fossem melhores... Já interrompi antes de concluir e sem titubear alertei: "Melhorem os eleitores que, automaticamente, os políticos serão melhorados".

Políticos não vêm de Marte, emergem do povo. Temos aí uma parcelazinha que se vende como paladinos da "morau" e da "justissa", dizendo-se neutros (mas sempre atacando a alguém com intenções tão cristalinas quanto uma fossa séptica).
Além dos que se acham "miores-qui-todu-mundo" e que vivem para atacar e dizer que estão aí para fazer "controle social", tem aqueles que, com o mesmo ar de superioridade, dizem que não se importam com política, que não vota porque não vale a pena, que nada nunca vai mudar blá, blá, blá, mimimi, mimimi.

Curiosamente, porém, adoram fazer protesto em redes sociais quando há problemas no atendimento do posto de saúde, longa espera na emergência do hospital, falta de ambulância, falta de segurança, ruas escuras, sujas, playgrounds quebrados, merenda sem qualidade, material escolar que não é entregue etc etc etc.

Ora, se os seres não se importam com política e com políticos, por que ousam fazer verborragia contra as coisas que são arbitradas por eles? Se está lavando as mãos, logo, entende-se que não precisa dos serviços públicos. Alegar que paga impostos e, por isso, pode cobrar é engodo retórico, pois todos pagam ou, em tese, têm de pagar.

E se dão de ombros com defesas estapafúrdias por voto branco, nulo ou abstenções, logo, não têm legitimidade para cobrar nada de nenhum gestor eleito. Quem pode cobrar com legitimidade é quem se arrisca nas escolhas políticas.
Qualquer postulante não eleito tem crédito para cobrar o que quiser dos eleitos. Pois se arriscou. Foi para a rua. Apresentou propostas. Se expôs ao escrutínio do eleitorado.

Considero-os legítimos para reivindicar o que e quando quiserem, aqueles que se submetem a ficar ouvindo a penca de eleitores que merecem ser denunciados. Fiquei louco? Não. Há um modismo de denunciar candidato por coisas imbecilizadas que, infelizmente, estão inseridas em leis igualmente débeis.

Entretanto, mais que candidatos cretinos, em quantidade respeitável, existem eleitores medíocres. Gente que integra o elemento pitoresco do caldeirão eleitoral: os pedintes.
Gente especializada em identificar comitê e saber com quem fala para conseguir o busão fretado para a caravana da igreja, o conjunto de camisa novo para o time, a locação da van para sepultar o tio avó do primo da cunhada a 700km de distância. Tem, também, os que querem dinheiro para quitar as dívidas na escola particular da filha está e que, como a instituição é muito boa, não quer tirar o rebento de lá.


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