10 de dezembro de 2011

Amor explícito

O amor é um tema que está nos lábios, nos olhos, na mente, nos gestos, nas expressões de todo mundo. Se entendemos ou não o que é esse amor em suas múltiplas manifestações de pais e filhos, marido e mulher, namorados, amigos etc é assunto que dificilmente chegaremos a uma conclusão definitiva.
Por mais que já se tenha discutido sobre este assunto, tentado dar definições para o que é o amor, sempre teremos algo a aprender. Mas, desconsiderando as teorias sobre o amor, o que provoca nas pessoas, suas consequências sociais e outras questões, quero refletir sob a ótica de que o amor vem saturado de ação.
 
Por mais que se tente criar teorias para o amor, seu conhecimento só pode ser ampliado pela prática. Se observarmos as nossas relações, veremos que sempre precisamos fazer escolhas em favor de quem argumentamos amar. As decisões, com certeza, causaram algum impacto em nossas vidas quer seja de grandes ou pequenas proporções.
A pessoa que escolhemos para casar, por exemplo, nos faz abrir mão de hábitos e preferências. Procuramos sempre nos ajustar de tal forma a que as partes interessadas na relação não se aniquilem, mas alcancem uma complementação.

Quando amamos, passamos por sucessivos momentos de renúncia para alimentar o amor. Isso é amor em ação. O amor está sempre voluntarioso na prestação do serviço.
Não importa o momento, o dia, a hora, o lugar. Se amamos, as mãos estão sempre estendidas, os pés sempre ágeis para correr em socorro.
Jesus, o Mestre do Amor, sempre discursou sobre o assunto mostrando a voluntariedade da ação de quem ama. Isso é o que percebemos na célebre parábola do bom samaritano que socorre um cidadão desconhecido agredido por ladrões, paga e acompanha sua recuperação (Lc. 10:30-37).

Um dos textos bíblicos mais populares afirma que Deus deu seu Filho Unigênito para provar que ama o homem. (Jo. 3:16) Sendo assim, é de bom tom avaliarmos o quanto o nosso amor tem sido exercitado.
Quanto as pessoas que nos cercam sabem que as amamos? É comum optarmos para que as pessoas saibam disso pela dedução. Via de regra, somos explícitos nas coisas ruins. Nas expressões de insatisfação, nas palavras de ofensa muitas vezes.
Quando irados, falamos em alto e bom som para quem interessa e para quem não interessa também. Com as expressões de amor, temos a mesma postura de consumidores. Quando satisfeitos, falamos para mais um amigo (quando o fazemos).

Se o produto ou serviço dá algum problema, reclamamos, telefonamos, publicamos no Twitter, Facebook, falamos mal no almoço de aniversário, no jantar de Natal, na viagem de fim de ano. Quando não gostamos de algo, até aceitamos ir no aniversário da sogra para poder compartilhar a insatisfação.
Acredito que poderíamos mudar a postura. Não será brusca, mas pode ser gradual. Ou seja, podemos nos exercitar em exaltar mais as virtudes uns dos outros. Elogiar mais os acertos, minimizar os erros.
Já que estamos em época de Natal, felicitações de boas festas, cumprimentos, viagens, proponho que não deixemos as expressões de amor para a dedução.
 
Sejamos explícitos. Aniquilemos o medo de dizer que amamos. Abraços, beijos, compartilhamento de sonhos. Tenhamos disposição para chorar juntos, para rir. Encorajemo-nos a levar as cargas uns dos outros, a perdoar uns aos outros e, dessa forma, usufruirmos mais de todas as dádivas decorrentes da prática do amor.

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