7 de fevereiro de 2013

Respeitável público!

Quem chega às funções de comando em qualquer esfera governamental o faz credenciado pelo povo. Infelizmente, a qualidade dos mesmos tem se tornado cada vez mais baixa.
Se são de cargos eletivos, chegam por falta do mínimo de empenho do eleitorado em avaliar suas fichas. Para ser varredor de rua, é preciso ter Ensino Fundamental, para ser legislador, não.

Se chegam por nomeação, muitos o são por serem "amigos-do-rei", não por serem qualificados para esta ou aquela função. Esse fisiologismo nos mantém, cronologicamente, no Século 21, e, socialmente, na era medieval.
Se queremos mudança, temos que exigi-la a partir de baixo. Desde o fiscal municipal que pode tornar pública sua reprovação à falta de cumprimento da legislação do boteco ou da casa noturna, ao caixa do mercado que recebe dinheiro a mais, percebe, mas faz de conta que nada ocorreu.

A mudança tem de começar dentro de nossas casas quando, diante dos nossos filhos, reprovarmos, com veemência e verdade, toda forma estúpida de tratamento a outrem desde a mentira ao preconceito por quaisquer diferenças. Temos que incutir nas gerações subsequentes a intolerância ao erro, mas não a quem erra.

Enquanto cidadãos na base da pirâmide, ficamos regando sonhos de igualdade, liberdade de fraternidade. Não vou chamá-los de ilusórios porque, ao menos na comunidade espiritual dos que creêm em Deus isso os fortalece. Mas isso está mesmo no universo da metafísica. Neste mundo real do pó e da cinza, o que realmente solapa é uma impiedosa desilusão.
Após a votação que definiu Renan Calheiros (PMDB) como presidente do Senado Federal, uma melancolia me tomou de assalto. Isso é uma coisa tão pustulenta que faz surgir um caleidoscópio de interrogações.

São tantas as perguntas sem resposta que, neste momento, o que posso fazer como cidadão traído, vituperado, humilhado, vilipendiado em sonhos democráticos de ética (e comestível?), justiça (serve para vestir?), verdade (ainda existe?).
As perguntas sem resposta saltam como gazela no pasto e, por isso, tenho o choro como última expressão pela angústia de não ser respondido.

Esta mancha no Senado Federal tem a assinatura "secreta" de 56 senadores que foram calheiristas de carteirinha; 18 foram taquistas; 2 covardes que votaram em branco e mais 2 covardes que anularam.
Ora, se a votação é secreta, por que anular ou deixar em branco? Antes, porque essa votação tem de ser secreta, se para eleger o presidente de uma Câmara de Vereadores o voto é aberto?
Por que o procedimento não pode ser também transparente? Medo de serem execrados pela opinião pública? Medo de terem suas reais identidades reveladas ao dizerem com quem andam?

E minhas perguntas se multiplicam: 1) Por que Dilma, Lula e todo o PT endossam esse tapa na cara da sociedade? O jornal "O Globo", de 1º de fevereiro, informa: "[...] Renan volta com força total, com apoio da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Lula, dos partidos da base governista e até de José Dirceu, condenado como chefe da quadrilha do Mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Como agora, em que enfrenta três inquéritos para apurar uso de notas frias e crime contra o meio ambiente, no dia 04 de dezembro de 2007 Renan encerrou quase três anos de duas eleições consecutivas para presidir o Senado. No ato da renúncia, disse que saia sem mágoas ou ressentimentos, de cabeça erguida." Por quê?

2) Por que mais 300 mil assinaturas são ignoradas na petição contra a volta de Calheiros? E mais: por que infames como José Dirceu e Fernando Collor o defenderam?
3) Sou avesso ao comunismo da ex-senadora Heloísa Helena (PSOL), mas em questão de honra e dignidade compará-la com Calheiros seria boçal. Por que, então, os alagoanos o preferiram?
4) Por que 56,6% dos alagoanos são identificados como vivendo em extrema pobreza, à frente do Maranhão (55,9%) e Piauí (52,9%)? Collor e Calheiros não são alagoanos?

Pelo jeito, uma das respostas é que somos todos palhaços.

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