29 de junho de 2012

Miséria democrática

Daqui a mais alguns dias teremos uma avalanche de informações, fotos, propostas, promessas, santinhos, bandeiras, jingles, jornais, revistas e tudo o mais que for lícito utilizar dentro do período de propaganda eleitoral.
Infelizmente, a maioria dos eleitores vai ignorar as zilhões de informações que serão criteriosamente elaboradas para veiculação  nos mais diversos meios. 

Algumas informações serão verdadeiras. As que apontarem  para o passado, em maior ou menor medida, deverão ser passíveis de comprovação quer pela tradição oral, quer pelas publicações dos períodos citados.
As informações que apontarem para o futuro terão que passar pelo crivo de um senso crítico aguçado. Além de sermos obrigados a pesar o quão verdadeiros e exequíveis são os tais planos e projetos de A, B, C, D etc precisamos, ainda, considerar a capacidade de realização daquilo que o candidato ou a candidata está propondo.
Neste momento, é muito fácil todo mundo dizer que vai fazer e acontecer. Jogar tudo para o futuro é cômodo. O que realmente importa é o que se pode provar que fez. 

Não é assim que acontece quando vamos procurar trabalho? O nosso currículo tem que ter cursos, escolaridade e comprovação mínima de experiência para a vaga que  nos propomos. Afinal, falar é fácil. Usando um velho clichê, difícil é provar.
Não custa lembrar que papagaio também fala. Ouso dizer que o 'papagaio' se modernizou e, para terror geral da nação, aprendeu a usar diversos meios na repetição de seus motes. 
A publicidade dos papagaios estará (ou já está) estampada em TVs, jornais, revistas, panfletos, perfis de redes sociais, boa parte desses falsos graças à falta de coragem da plebe.

Os conteúdos de quem tem coragem de se manifestar vale a pena ler, ouvir, ponderar independente de quem está se pronunciando. Afinal, como pessoas inteligentes, é lícito fazer tal qual recomendou o apóstolo Paulo na carta aos cristãos de Tessalônica: "Examinem tudo, fiquem com o que é bom" (I Tess. 5:16).
Nesse confronto de ideias está a riqueza do processo democrático. Ter posição clara, preferir o rosa ou verde é legítimo, correto e necessário. 

O que defino como miséria democrática é a prática recorrente de sair do público para o pessoal. Esta semana, mais uma vez, o mesmo imbecil anônimo de algumas semanas atrás (vide link) se manifestou falando sobre o artigo "Associações perigosas".
Desta vez, parece que meu modesto artigo incomodou ainda mais. O tom utilizado foi bem ameaçador. Chegou a dizer que eu deveria fazer um curso no Senai para poder "encher as mãos de calo" em uma metalúrgica.

Neste tipo de ataque fica explícito o preconceito do infame que vê na função dos metalúrgicos uma condição menor. Nada mais tosco. Se tivesse vocação para a metalurgia, com certeza estaria em condição financeira bem melhor do que tenho hoje.

Contudo, profissão se define por vocação e, para desespero de despeitados que se pronunciam anonimamente, tenho vocação de comunicador. Não concorda com o que digo? Respeito. Não me suporta? Azar. Continuo vivendo e celebrando a vida com meus amigos mais próximos ou distantes. Continuo me expressando e falando a leitores que nem conheço, mas por quem tenho prazer em elaborar cada artigo.

A manifestação recorrente do anônimo mostra a incapacidade de argumentação e a falta de coragem para se posicionar. Se eu, um discreto colunista, sem dinheiro, sem pompa, sem circunstância, viro alvo de ataque e ameaça não é possível acreditar que o lado defendido pelo meu oponente misterioso, seja ele qual for, tenha algum conteúdo que presta.
Se, por qualquer razão, os conteúdos giram em torno de ataques exclusivamente pessoais, seus autores não causam preocupação porque, no fim, são apenas incompetentes, vazios e irritadiços cuja visão está focada para um único orifício: o próprio umbigo.

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