15 de setembro de 2011

Futebol e política

A associação das duas palavrinhas do título deve soar como coisa de um colunista ensandecido. Contudo, posso assegurar que estou são do juízo (ao menos por enquanto). Um argumento que me ajuda a ter a percepção de que não enlouqueci é de que não rasgo dinheiro, ainda.
Pode parecer estapafúrdia a ideia de juntar uma modalidade esportiva que é considerada uma paixão nacional -o futebol- e uma ciência social que, embora negligenciada, atinja a vida de todos quer reconheçamos isso ou não.

Não sou um torcedor exemplar. Nenhum time nacional ou estrangeiro é chamado de 'meu'. Até mesmo pela seleção brasileira de futebol faz muito tempo que não torço. A última Copa do Mundo que ainda sofri foi a de 1990, realizada na Itália. Naquela14ª edição do evento os jogadores brasileiros eram conduzidos pelo técnico Sebastião Lazaroni.
Mesmo sendo este ignorante de pai e mãe quanto ao futebol, existem algumas questões dentro e fora das quatro linhas que chamam minha atenção e gostaria de compartilhá-las.

A primeira que salta-me aos olhos é a mobilização dos torcedores. Como fenômeno social, o futebol não chega a ser objeto de tanto estudo sistemático e aprofundado, mas é necessário reconhecer o seu poder de alcance. Poder tal que mobiliza massas humanas de modo a lotarem arquibancadas de imensos estádios de futebol como Maracanã e Morumbi.

Todo o movimento acontece porque, em linhas gerais, os torcedores querem tremular suas bandeiras, soltar rojões, fazer buzinaço e tudo o que for possível para comemorar o gol ou melhor, os muitos gols do seu time. Essa história de que o 'importante é competir' não é bem verdade. Na prática, o que se quer a qualquer preço, justo ou não, é a vitória do time.
O grau de paixão dos torcedores também desperta minha atenção. Acho engraçado quando as unhas são devoradas, os cabelos arrancados, as testas franzidas, os sons coletivos de desespero, aquela onda de "uuuuuuhhhh" que toma conta do estádio quando a bola quase entra, mas como ser de vontade própria, insiste em não balançar a rede.

O envolvimento do torcedor com as jogadas dos atletas chega ao nível dos membros se movimentarem involuntariamente. As pernas chutam o ar, os punhos cerram-se para golpear o vazio, as contorções de caras e bocas bem podem ser replicadas como máscaras para noite de terror.
A memória dos torcedores também é outro fator que se destaca, ao menos para mim. Existem torcedores que impressionam pelo nível de conhecimento das possibilidades de táticas para vencer uma partida. Milhões sabem o perfil de cada jogador escalado e dos que estão no banco de reservas. Outros recitam como poesia a quantidade de vezes que a bola balançou a rede contra e a favor, adversários futuros etc.

Se desenvolvêssemos como cidadãos a mesma paixão que aprimoramos como torcedores, com certeza, teríamos outras condições sociais, políticas e econômicas. Se nos apaixonássemos pelas nossas cidades, Estados e País com ao menos metade da paixão que é devotada a um time, teríamos uma visão diferente de nós mesmos e, melhor, não seríamos apenas fruto de suposições, nos tornaríamos sociedade de resultados.
Se acompanhássemos cada etapa dos processos políticos do Brasil com o entusiasmo que caracteriza aqueles que acreditam em si e no próximo, teríamos a possibilidade de diminuir o número de fanfarrões que pleiteiam funções públicas no Executivo e Legislativo apenas para "se dar bem".

Meu desejo sincero, que talvez não seja concretizado na minha geração, é que nos tornemos cidadãos tão apaixonados e comprometidos com nosso País quanto somos pelo futebol. Se isso é utopia? Deve ser. Mas, sonhar, ainda não me custa nada e, de quebra, acalenta a alma.

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