22 de setembro de 2011

A colheita

Segundo o profeta Oséias, a semeadura de vento resulta numa colheita de tempestade

Nunca ouvi falar sobre uma mangueira dá mamão ou uma bananeira pender com um cacho de uvas. Felizmente, as leis da natureza são tão firmes e bem definidas que impressionam o mais displicente observador. Ao contrário de nossas regras sociais, costumes e decretos promulgados ao sabor do governante do momento, as leis naturais se mantém desde os primórdios da criação.

Se conseguíssemos aplicar seus princípios em sua plenitude nas nossas relações humanas, teríamos mais sucesso do que quando, fingindo-nos racionais, adotamos posturas bestiais.
Embora não sejamos bons replicadores de algumas leis universais, quer queiramos ou não, quer nos apercebamos ou não, elas se manifestam na nossa vida de maneira tão real e sutil quanto o Sol faz evaporar as águas.

Uma dessas leis que se cumprem em nossas vidas de maneira irrevogável e irreversível é a da semeadura. Gosto de uma expressão do apóstolo Paulo, registrada em sua epístola aos cristãos da Galácia, que tem muita popularidade especialmente entre os mais velhos: "Tudo o que o homem semear, isso também ceifará". A afirmação paulina geralmente é repetida entre os de maior idade porque, via de regra, precisamos de algumas pancadas na vida para descobrir a veracidade e contundência disso.

Como resultado dos erros que cometemos ao longo da vida, sentimos na própria carne a dor do aprendizado. Se nos recusamos a mudar de atitude mesmo depois de muito apanhar, o tempo, como mestre implacável, prova e comprova que todo semeador colhe o que plantou não interessa o que, onde ou quando o tenha feito.
O profeta Oséias que exerceu seu papel entre os anos 750 e 730 anos a.C. disse certa vez: "Eles semearam ventos e colherão tempestades". A linguagem poética apresenta uma figura interessante que é a de plantar vento e, o mais curioso, colher tempestade. Qualquer mortal sabe que isso não é possível no mundo físico.

Como o vento é ar em movimento, logo, não é possível juntar as moléculas, prender num potinho e enterrar para que ele germine e desabroche como uma 'bela' tempestade.
Também não consigo imaginar como seria uma plantação de tempestade. Tampouco o que utilizaríamos para 'catar' o que talvez fossem colunas de vento como um redemoinho ou tornado.

Embora no mundo físico esta lavoura de ventos não seja materializável, no mundo invisível ela é perfeitamente perceptível.
Quando semeamos frieza, distanciamento, prepotência, desconfiança, inveja, ciúmes, contenda etc, num primeiro momento, existe um prazer imediato. Surge uma satisfação pessoal por atingir, do pior modo possível, os mais vis propósitos.
As 'sementes' acima têm como resultado imediato uma aparente 'vantagem' sobre o próximo. O ego fica massageado e surge um vão sentimento de grandeza e força.

Ainda que um ego exaltado engane-se com uma suposta superioridade, a colheita pode parecer tardia, mas é certa. Aquelas sementes resultam numa colheita da solidão, uma percepção da qual o próprio Cristo tentou se esquivar.
O sentimento de abandono fez com que ele perguntasse a Deus porque o havia desamparado. Era a solidão que o Mestre queria evitar. Ora, se ele, que fez tanto bem e espalhou tantas sementes de amor e paz, não conseguiu se livrar da dor da solidão, quem não semeia nada de bom que pode esperar?

Para quem gosta de planejar a vida, este é um fator importante a se considerar. O que se quer colher na breve existência terrena? Queremos ter um ombro amigo e leal para chorar nos momentos de dor ou vamos nos agarrar ao primeiro tronco de árvore por falta de uma companhia?
Ao tropeçarmos, teremos alguém que nos estenda a mão para amparar ou mesmo para reerguernos ou ficaremos prostrados? Estas respostas dependem exatamente do que semeamos agora.

1 comentários:

profa. Kátia Keller disse...

Lindo, Emanuel, como sempre! Vigiar sempre o nosso ego para que consigamos realmente escolher e lançar, no solo de nossas vidas, as melhores sementes. Somente assim, colheremos bálsamos para nossos corações e, principalmente, seremos agradáveis a esse Maravilhoso Pai, que tanto nos ama, apesar de nós! Beijos!

 
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