22 de julho de 2009

Eles estão morrendo, e nós olhando

De acordo com estudo feito pelo Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), em parceira com o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e com o Observatório de Favelas, pelo menos um em cada 500 adolescentes brasileiros será morto antes de completar 19 anos.

O levantamento é baseado nas informações sobre jovens de 12 a 19 anos de 267 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes. Pela primeira vez foi calculado o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), que mede a probabilidade de um adolescente ser assassinado. O cálculo prevê que 2,03 jovens em cada mil serão vítimas de homicídio.
Na prática, isso quer dizer que em um período de seis anos, entre 2006 e 2012, podemos totalizar mais de 33 mil jovens mortos. Sendo que a possibilidade destas mortes serem provocadas por armas de fogo, é três vezes maior na comparação com outras armas.


E daí? Normalmente, o que acontece é que diante de informações como essas o máximo que fazemos é nos impressionarmos com os números, virarmos a página do jornal ou clicar no próximo link e negligenciamos os fatos. Esquecemos que as estatísticas apontam para seres humanos. Gente de ossos, nervos, carne e pele iguais a qualquer um de nós. Embora os números sejam frios, eles falam de pessoas reais, que não são inferiores, menores ou incapazes.
Estes números apontam para o grande volume de sonhos que podem deixar de se concretizar. Falam (ainda que não ouçamos) dos inúmeros avanços sociais, tecnológicos e humanos que poderíamos viver se não perdêssemos estes jovens tão cedo e por motivos tão fúteis.


Morrem por causa da cor da pele ou do sexo. Despedem-se da vida, por causa do furto de um tênis, bicicleta ou jaqueta. Perdem a chance de projetar, construir, lutar, vencer, crescer como cidadão do mundo e como imagem e semelhança do Criador.
Enquanto morrem, nos perdemos em discussões inúteis, tão idiotas quanto os argumentos para defendê-los. Nos fechamos em um mundo medíocre que prefere condenar estes jovens a estender a mão e ao menos tentar ajudá-los.


Ainda há quem queira defender uma pregação monástica do tipo que jovem precisa estar única e exclusivamente dentro da igreja fazendo jejuns, orações e longe da TV, do campo de futebol, dos pontos de encontro da juventude. O que fazemos, de fato, para alcançar esta juventude com a boa notícia do evangelho de que Deus as ama e de que cada um pode ter um futuro muito melhor se dedicarem suas vidas a Ele?

Ao contrário de ficarmos apenas olhando a multidão de jovens sem perspectivas e darmos a cada um o veredicto de condenação, deveríamos dizer-lhes que, mesmo com o passado e presente deles manchado e destroçado, o futuro continua intacto e pode ser editado com um script de alegria, fé, esperança e amor.

1 comentários:

Igor Férva disse...

Ótimo texto cara, parabéns!!Não adianta nada sabermos dos absurdos que acontecem neste país, se nada fazemos.

abraços

 
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