20 de julho de 2009

Profissão: Cínico

Se a fábula do boneco de madeira que crescia o nariz a cada mentira se tornasse verdade no mundo real, os cirurgiões plásticos teriam que fazer plantão para cortar e recompor o nariz de um número gigantesco de pacientes. Os mentirosos por profissão estão presentes em todos os setores da sociedade. A consequência desta presença maciça é o enfraquecimento das relações humanas e, pior, o apodrecimento da vida social.

As relações humanas se enfraquecem à medida que, por causa dos seguidores de Pinóquio, as pessoas estão se tornando cada vez mais desconfiadas umas das outras. Vivemos um clima de tensão em que o próximo é sempre ameaçador, uma vez que é difícil precisar quando está falando a verdade ou mentindo. Os equipamentos que emitem relatório sobre quando uma pessoa está ou não mentindo com base no tom da voz, expressão corporal e efeitos orgânicos não estão acessíveis à maioria de nós.

Normalmente, conseguimos discernir quando nossos filhos, ainda pequenos, estão mentindo. Isso já se torna mais difícil à medida que vão crescendo e aprendem métodos que permitem afirmar uma mentira como se fosse verdade com a mesma técnica de um ator em cena. Como o nariz não cresce e uma mentira bem contada acaba convencendo e parece se tornar verdade, quando muito repetida, o hábito de mentir vai se alastrando na sociedade enfraquecendo paulatinamente a confiança mútua.

A podridão geral é provocada quando aquele mentiroso sem grandes pretensões da infância, se torna o executivo, gerente, líder, corretor, vendedor, advogado, senador, deputado, vereador, prefeito, professor, padre, pastor, enfim, tantas outras funções e nos mais diferentes lugares.

Uma das características dos mentirosos que mais me chama a atenção é o cinismo. São tão bons nisso que chego a pensar na regulamentação da profissão "Cínico". Fazem jus ao rótulo de cara-de-pau. Minha avó dizia que ao se barbearem não cai pêlo, mas sim, pó de serra. Ela tinha razão. Um presente que lhe cai muito bem, a qualquer época do ano, é óleo de peroba para garantir a cara cínica sempre lustrada.

Ainda fico estarrecido com a capacidade que esta raça de víbora tem de subir em qualquer tribuna, ocupar qualquer microfone e vomitar mentiras com a naturalidade de quem toma água para qualquer grupo de pessoas. E, se alguém aponta-lhes as mazelas, adotam o discurso do 'coitadismo' e logo se apresentam como vítimas de perseguição, incompreendidos pela massa. A partir daí, não são eles os mentirosos, mas as pessoas que os cercam que não valem nada.

Se vamos ficar livres da mentira e do mentiroso um dia? Eu prefiro crer que sim. Ao menos a Bíblia, em seu último livro e capítulo afirma que não poderão participar da alegria eterna aquele "que ama e pratica a mentira" (Apoc. 22:15). Amemos e pratiquemos, pois, a verdade, para termos melhor futuro que estes miseráveis.

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