13 de dezembro de 2012

Os maus políticos e os coletores de lixo

Em uma noite dessas, quando a madrugada já se anunciava, ouvi a passagem do caminhão de lixo. Como tinha resíduos sólidos a serem descartados que ainda não tinha ido para o cesto, alcancei-os na esquina de minha casa.
Ao retornar, considerei que a esmagadora maioria da população sequer sabe quem são estes homens. Lembramos apenas de descartar o que temos de pior em casa e colocar de modo a que eles levem para o mais longe possível. Lhes disponibilizamos aquilo que sequer suportamos.

Não os percebemos quando passam à luz do dia, imagina, então, quando passam na calada da noite? Entretanto, basta um dia sem que eles cumpram o cronograma e logo percebemos o resultado de uma ausência.
No caso em especial dos coletores que encontrei na madrugada, vi um procedimento que é bastante comum. Enquanto o caminhão percorria outras ruas do bairro, eles escolheram um local e reuniram ali o maior volume de lixo das casas em volta. Desse modo, quando o caminhão encosta, o corre-corre de cada um já havia acontecido.

Além do cheiro ruim, também me chamou a atenção o fato de eles juntarem a sujeira em um único ponto e descartá-la organizadamente.
No mesmo momento, assistia ao jornal que abordava mais um escândalo provocado por integrantes da classe política. Faço questão de dizer que são 'por integrantes' e não apenas 'da classe política' porque embora pareça à maioria que são todos iguais, não são. 

Assim, alguns paralelos entre os maus políticos e os coletores de lixo foram sendo construídos na minha cabeça. 
Enquanto os coletores são anônimos e, muitas vezes, esquecidos, ignorados, os políticos não deixam suas estampas apagarem. Fazem das tripas coração, para que seus sorrisos hipócritas e amarelos sejam publicados em sites, emissoras de televisão, e, para gerar um pouco mais de lixo, também querem estar em outdoors, panfletos, faixas, banners, jornais etc. 

Se não é a cara putrefata que querem exibir, lutam com unhas e dentes para que seus nomes estejam gravados nas placas de inauguração dos prédios públicos. 
Enquanto lixeiros juntam resíduos para facilitar o descarte de modo a contribuir com a saúde pública, os maus políticos fazem questão de espalhar os frutos de suas ações mesquinhas.

À medida que distribuem o lixo social com seus discursos ocos e decisões pautadas, exclusivamente, na vantagem pessoal, tornam nosso presente tacanha e comprometem, agudamente, o futuro das cidades, dos estados e do País.
Com razão, protestamos quando o lixeiro não passa em nosso bairro. Temos de reclamar mesmo. Se não, vira 'casa-da-mãe-joana'. A mesma que é montada pelos maus políticos nas Câmaras de Vereadores, nas Assembleias Legislativas, na Câmara de Deputados e no Senado Federal.

Não acredito que um dia ficaremos 100% livres dos maus políticos. Isso seria o mesmo que acreditar que os dedos das mãos passariam a ter o mesmo tamanho (ficaria medonho) ou que trigo e joio jamais cresceriam juntos.
Diante dos paralelos traçados, concluo que os coletores de lixo são, sem dúvida, muito melhores que os maus políticos. Aos lixeiros falta escolaridade, mas não humanidade. Falta-lhes visibilidade, mas sobeja dignidade. Enquanto, sem serem vistos, nos prestam indispensável serviço, os maus políticos faria o mesmo se desaparecessem.

Os lixeiros só são lembrados quando o lixo fica para trás. Aqui os maus políticos encontram uma boa combinação, uma união de amor escrito nas estrelas, não com o lixeiro, mas com o lixo.

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