29 de novembro de 2012

Coveiros de sonhos

Calma. Não precisa se preocupar. Como disseram que eu estava deprimido, doente, enclausurado (sic!) você pode pensar que o título é um desabafo, mas não é. É somente uma vacina.
Estamos já na contagem regressiva de fim de ano. Pessoalmente, não vejo a hora que comece logo o tal 2013. Nos próximos 45 dias, vamos viver um misto de pressa, melancolia, expectativa, reflexão, projeções, enfim, uma celeuma de coisas que vão dar mais ou menos certo dependendo do quão coerentes seremos na hora de trabalhar pelo que almejamos.

Minha conta de 45 dias é só porque incluo os 15 primeiros dias de cada ano como aqueles que nos veêm com o melhor dos humores (ao menos em condições normais). Depois disso, tudo vira rotina e o que permanece mesmo são os sonhos que reúnem alguma possibilidade de materialização. 

Claro que cada caso é um caso. Tem sonho que é mesmo melhor deixar de lado. Afinal, se o sonho é comer peixe frito, não adianta pedir a Deus para que o mar pegue fogo. Mas tem sonho que, independente dos coveiros que nos cercam, precisam ser regados, aperfeiçoados e plenamente realizados.
As milenares pirâmides do Egito foram construídas com a função primária de guardar mortos. Os faraós queriam uma última morada à altura do orgulho e vaidade de cada um. 

Em pleno século 21, vejo alguns faraós andando entre nós. Esses faraós modernos, ao contrário dos antigos, constroem pirâmides para enterrar não a si mesmos, mas sim aos nossos melhores sonhadores e, claro, seus sonhos.
A construção desses túmulos é silenciosa, porém constante. Sempre identificamos quem são os coveiros de sonhos quando os ouvimos dizer coisas que desencorajam, desanimam, decepcionam o mais empolgado sonhador.

O coveiro de sonhos é um frustrado consigo mesmo e por isso precisa trabalhar duro para espalhar sua frustração ao maior número possível de pessoas.
Estes coveiros de sonhos, faraós modernos, tiranos contra a beleza, a poesia e a inocência que marcam um sonhador, estão sempre com uma palavra negativa.
Têm na ponta da língua algumas expressões tais como: 'não vai dar certo', 'não vale a pena', 'tem que ser de outro jeito', 'não adianta criar, é melhor copiar'. 

São hábeis no uso do melhor recurso neurolinguístico com o objetivo de fazer uma ou várias pessoas desistirem de um sonho, de um propósito, de um ideal.
O pior é que alguns escondem-se numa máscara de experiência para dizer que já viu e viveu de tudo e que, portanto, está gabaritado para dar esta ou aquela sentença às pessoas ou grupos podendo, assim, usar de licença para matar os sonhos alheios.

Quantos bons escritores, cantores, compositores, advogados, médicos, atores, jornalistas, executivos deixamos de conhecer por causa das infelizes colocações desse ou daquele coveiro de sonhos com suas intermináveis palavras de descrédito e desânimo? 
Felizmente, há alguns que não se deixam abater pela atuação nem influência desses coveiros. Mas, a maioria se abate, desiste e para. 
Já que temos coveiros de sonhos, precisamos contrapor a ação deles tornando-nos jardineiros. Sejamos mais atentos com o que dizer aos nossos filhos, cônjuges, colegas e amigos na hora de falar sobre o que estão fazendo ou planejando fazer. 
Escolhamos com cuidado as melhores palavras pra dizer: 'siga em frente', 'estarei à sua disposição para te ajudar', 'quero estar do seu lado para comemorar'. Dessa forma estaremos regando sonhos e vendo o nosso próximo florescer como um jardim na primavera.

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