14 de novembro de 2012

Contra os maquiavélicos, a amizade

Atribui-se a Nicolau Maquiavel (1469-1527) uma lista de 10 mandamentos que, infelizmente, são seguidos com certo rigor por um expressivo número de pessoas. Muitos dos seus cumpridores dariam orgulho a quem quer que tenha concebido o 'código de postura do corrupto'. 

Isso porque o esmero com que cumprem os mandamentos é quase de uma fidelidade religiosa. Vejamos: 1) Zelai apenas pelos vossos próprios interesses; 2) Não honreis a mais ninguém além de vós mesmos; 3) Fazei o mal, mas finge fazer o bem; 4) Cobiçai e procurai obter tudo o que puderes; 5) Sede miserável; 6) Sede brutal; 7) Enganai ao próximo toda vez que puderes; 8) Matai os vossos inimigos e ,se for necessário, os seus amigos; 9) Usai a força, em vez da bondade ao tratares com o próximo;  10) Pensai exclusivamente na guerra.

Afirma-se que a lista supra tenha sido elaborada no século 16. Quinhentos anos depois,  infelizmente, a prática dos mandamentos é bastante propalada. 
Contudo, muito mais do que dar lugar à desesperança e incredulidade que, paulatinamente, envenenam e matam a alma, prefiro dar lugar à esperança e à fé que num ritmo também gradual instauram saúde e vida.
Tenho especial apreço pelo que escreveu o rei Salomão acerca da amizade: "O amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade" (Pv. 17:17 - Linguagem de Hoje). 

Apesar de vivermos um tempo demasiadamente conturbado e termos os nossos piores instintos sempre muito estimulados, gosto de acreditar e, mais que isso, viver os benefícios da amizade.
A esperança e fé são injetáveis na alma humana a partir das conexões que estabelecemos com pessoas que convencionamos chamar de amigos. Eles,os amigos, nos permitem viver uma expressão de amor que chamamos de amizade. Com eles somos obrigados a aprender o princípio da partilha. 

Isso porque, não podemos ter direitos exclusivos sobre a companhia de ninguém. Somos obrigados a dividir o tempo e as atenções deles com suas famílias,  trabalho, e claro, com outros amigos.
É bem verdade que poucas pessoas ganham o título de amigo no sentido mais amplo da palavra. Ao longo de toda uma vida poucas pessoas chegam a esse status. A grande maioria são pessoas com quem dividimos atividades nos diferentes ambientes que trafegamos.

Na minha limitada leitura da vida, essa diferenciação se estabelece porque com os colegas falamos e fazemos as coisas do mundo físico tão temporais e efêmeras quanto as tarefas desenvolvidas. 
Entretanto, com os amigos partilhamos segredos, alegrias, tristezas, frustrações, conquistas, superações, decepções, enfim, com os amigos sentamos banquete à mesa da alma e comemos quer a porção seja um favo de mel ou bocado de fel.

Gosto da visão registrada por Salomão de que o amigo é justamente a pessoa que se mantém perto nem que seja apenas para chorar. Normalmente, quando a situação aperta, não sabemos o que fazer para resolver o problema de um amigo. 
Não temos o dinheiro ou a saúde que precisa, não conseguimos ter a ideia brilhante para resolver um problema qualquer. Embora pareça frustrante, a amizade é estabelecida, aprofundada e fortalecida justamente nesses momentos de vulnerabilidade mútuas. 

Percebemos a pequenez e limitação uns dos outros e, milagrosamente, nos encorajamos e dizemos: 'vamos dar mais um passo'.  
Os amigos são tão importantes e sublimes que o próprio Cristo disse aos seus discípulos: "Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes tornei conhecido." (Jo. 15:15).

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