25 de agosto de 2012

Professores da Unifesp explicam continuação de greve

Mesmo com algumas conquistas, o governo federal ainda se  nega a negociar Plano de Carreira. Com isso, o que está em jogo é o futuro da  Universidade Pública Federal

A greve dos  Professores das Universidades Públicas Federais, que se iniciou na segunda quinzena de maio, está sendo vitoriosa. Ela conseguiu, depois de quase dois  meses e silêncio, precedido por outros tantos meses de não cumprimento de  acordos pré-estabelecidos, que o governo apresentasse uma proposta para a categoria. Essa proposta não incorporava, ainda, pontos anteriormente sinalizados pelo governo que prejudicariam sobremaneira a carreira docente e,  por extensão, o futuro das Universidades Federais.

O fato de o  governo ter apresentado uma proposta e ter suprimido pontos prejudiciais à carreira representa, de forma inconteste, a vitória dos professores em luta.  Situação amplamente favorecida pelo apoio de importantes setores da sociedade,  que compreendem  a importância estratégica das Universidades Federais, bem como a excelência do ensino, da pesquisa e da extensão promovidos por essas instituições.

Se o movimento  tem sido vitorioso e encontra apoio social, por que os professores permanecem em  greve, e em uma greve bastante forte e coesa, após quase três meses de desgastes  e de bombardeios por parte do governo e de setores da imprensa a ele associados? É preciso deixar claro que tal fato decorre, por um lado, do autoritarismo e,  até mesmo, da arrogância do governo e, por outro,de seus compromissos com um  modelo econômico que não permite os investimentos necessários para que a  educação pública federal se expanda, com a garantia de qualidade tanto no que  diz respeito às condições de trabalho e ensino, quanto à estrutura da carreira docente.

É evidente que a  proposta apresentada possui alguns avanços em relação ao silêncio e às pretensões sub-reptícias anteriores do governo. Ela, contudo, além de não  considerar as propostas do ANDES (Sindicato Nacional dos Docentes das  Instituições de Ensino Superior) exaustivamente discutidas em seus fóruns  internos, possui, também, erros, distorções e limites muito grandes que já foram percebidos por minuciosos estudos conduzidos pelo ANDES e por vários docentes  das Universidades.

Nesses estudos se  demonstra, por meio de gráficos, tabelas e recursos matemáticos que, em alguns  pontos da carreira, a situação será no período final do acordo, em 2015, muito  pior do que se encontrava antes do início da greve. Tal aberração é uma afronta à racionalidade, pois sugere que alguém se contente em ganhar após uma greve uma  condição pior daquela em que se encontrava. Ela só é possível porque o caráter  tecnocrático do governo (lembre-se que as negociações têm sido conduzidas pelo  Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – MPOG - e não pelo Ministério da  Educação - MEC) faz pouco caso da experiência e do conhecimento acumulados pelos  docentes das Universidades Federais, que possuem, em seus quadros, profissionais  do mais alto valor intelectual e científico.

Nesse sentido, a continuidade da greve pode ser considerada uma atitude socialmente responsável,  pois procura, também, impedir que o governo seja incompetente na aplicação de recursos públicos, sempre tão escassos em nossa  sociedade.

Se o governo  esquecesse um pouco sua arrogância tecnocrática e restabelecesse as negociações  (estas que, se levarmos em conta o real significado da palavra, nunca ocorreram, pois o governo nos encontros  com as entidades dos professores limitou-se a apresentar os seus planos, não  ouvindo contra-argumentações), as incongruências de sua proposta seriam facilmente detectadas e o impasse no qual nos encontramos hoje poderia encontrar perspectivas de superação.

No entanto, não é  isto que estamos vendo. O governo quer medir forças, mesmo ao custo de manter em  pauta uma proposta política e economicamente irresponsável. Frente a isso só podemos dizer que o nosso compromisso com a Universidade Pública, com a  sociedade e com o desenvolvimento brasileiro nos obriga a seguir em frente nesta luta.

Devemos lembrar  que as Universidades Públicas já deram demonstrações históricas e irretorquíveis  de sua qualidade. São as que obtêm melhores resultados em exames de desempenho e  para associações profissionais. São responsáveis por mais de 80% dos mestres e  doutores que se formam a cada ano no País.  São as que permitem a plena existência de vida acadêmica e a difusão da diversidade de ideias. São as que podem permitir a introdução de formas  democráticas de gestão. São, por isso, as que mais acolhem e que menos excluem.  

São referenciadas pela sua responsabilidade com o ensino, a pesquisa e a  extensão e são, portanto, aquelas que podem, efetivamente, produzir e difundir  conhecimentos tecnicamente qualificados e socialmente comprometidos. Por estas  razões, continuamos a lutar:
• Pela  abertura de negociações;
• Pela  defesa da carreira docente e, por extensão, da Universidade Pública;
• Pela  garantia da excelência na produção, sistematização e difusão do conhecimento  científico;
•Pela  gestão democrática e transparente dos recursos  públicos!

COMANDO LOCAL DE  GREVE DOS DOCENTES – UNIFESP, CAMPUS OSASCO.

1 comentários:

Anônimo disse...

Esta greve está prejudicando demais os alunos. Os professores estão olhando unicamente os seus interesses, os alunos estão sendo muito prejudicados.

 
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