29 de março de 2012

Falar e fazer

Neste post quero dar sequência à abordagem sobre os verbos que lhe conferem o título. No post anterior <Pausa para um brinde>, fiz uma homenagem aos milhares de cidadãos campo-limpenses que, normalmente, só tem tempo para trabalhar e pouco podem se expressar. Reitero a afirmação de que luta pela cidade quem sabe o que quer e como quer. Agora, escrevendo na rede, mantenho o ponto de partida considerando os moradores de Campo Limpo Paulista, na região de Jundiaí, a 60km da Capital. Contudo, tenho absoluta certeza que o tipo descrito abaixo, o falador, está presente em todo lugar. Seja na família, na igreja, na escola, em qualquer lugar a espécie está presente, mas, estou convicto de que eles não são maioria.

Temos, sim, pessoas que não perdem tempo falando aos ventos, mas, ganham tempo produzindo. Recorro, mais uma vez, aos maravilhosos ditos populares que minha avó usava. Sobre essa espécie de gente que fala, fala e só fala em prosa e verso, ela dizia: "Quem muito fala dá bom dia a cavalo".
No post anterior, fiz um louvor aos que produzem, trabalham, se comprometem, fazem e, de fato, acontecem. Esta semana, deixo bem claro, sem espaço para acharem que falei de batatas, quando, na verdade, falei de giló, registro o meu protesto, reclamação, lamento, irritação, repúdio, nojo dos grupinhos que se formam aqui e acolá apenas para falar.

Embora muitas pessoas possam discordar do que vou dizer, ao contrário do que parece, esse tipo de gente que citei acima, não é a maioria como a gente acha e, às vezes, até tem certeza. Nos enganamos quando damos mais importância a essas pessoas do que elas realmente merecem. O que ocorre, é que como elas só sabem falar, a habilidade vai se aprimorando com o tempo.
Para explicar o raciocínio, vamos pensar em uma casa que tem um único bebê de 3 meses que resolve querer mamar às 4 da manhã. Alguém tem dúvida que aquele pequeno pulmãozinho tem capacidade de acordar a todos na casa que ele mora e, de quebra, alguns vizinhos?
É mais ou menos isso que acontece com os faladores. Eles aprenderam a berrar. Fortaleceram os pulmões e afiaram a língua de modo tal que, além de ferir aos outros, em um momento ou outro a lâmina afiada e o veneno concentrado começa a lhe mutilar e criar gangrena não no corpo, mas na alma.

Os faladores também têm problemas de visão. Em sua arrogância, os que muito falam iludem-se de que são verdadeiros gigantes da produtividade. Contudo, de coisa tenho certeza: quem muito fala, pouco faz. Quem é valente no gogó, tem a covardia como evidência da atitudes. Se confrontados, encolhem. 
Quem de fato produz, muitas vezes esquece de dizer o que fez, como fez e quando fez. Mas o fato é: fez. Quem só fala, tem dia, hora e lugar marcados de tudo. Mas, engraçado, somente da falação. Se perguntar: 'Tá e daí, me mostra', vai gaguejar, titubear, desconversar e vazar, como se diz no popular.

O falador também tem grande habilidade para reclamar de quem faz. Se você está quieto no seu canto, ótimo. Ele ou ela não vai engolir um milímetro de saliva ou destilar nenhuma gota de veneno contra você. Mas se o radar do língua-de-trapo detectar qualquer ação sua que tenha real impacto, pronto, está declarada a guerra. Uma verdadeira caça às bruxas será instaurada. 

O falador é movido pela inveja e pelo despeito. Não tem competência para fazer quando comissionado, mas tem um motivação mórbida para tentar estagnar quem produz e surge no seu caminho. A função do falador é vivida com certa voracidade porque, se deixar de falar, reclamar, condenar, injuriar, difamar, o que vai fazer? Nada. Porque não sabe fazer nada! Tudo que lhe cai às mãos definha. Tem o mesmo poder de praga no campo que extrai das árvores o alimento alheio para se reproduzir e se espalhar.

Apesar disso tudo, acredite: os faladores não são a maioria. A maioria mesmo tem tanto para fazer que não tem tempo de reclamar. Erram muitas vezes por não se expressarem. No entanto, não o fazem por maldade. Isso ocorre porque, quando sabem de algo errado simplesmente se levantam, ajudam a corrigir e seguem suas jornadas. Estes, sim, são maioria. Ainda bem.

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