17 de fevereiro de 2011

Transferência de culpa

Não assumir os próprios erros é um comportamento que surgiu no Éden

De acordo com o capítulo três do livro de Gênesis, depois que Eva foi seduzida pela serpente e que Adão foi convencido por Eva para comer do fruto proibido, o Todo-Poderoso chegou ao jardim para o encontro diário que acontecia todo fim de tarde.
O Criador chegou de mansinho perguntando: "Adão, onde estás?" Na versão corrigida da Bíblia de João Ferreira de Almeida o trecho com 87 palavras ilustra o primeiro "jogo de empurra" da história humana.
Depois de reconhecer que, pela primeira vez, sentiu medo ao ouvir a voz de Deus, Adão explicou que estava escondido porque havia percebido sua nudez.

"E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses? Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi."
Com esta respostinha atravessada, Adão não teve coragem de assumir a culpa, mas em um único golpe passou a bola para Deus: "a mulher que me deste" e se justificou: "ela me deu".

Deus, então, volta-se para a mulher querendo ouvir de sua boca o relato dos fatos. A resposta também foi transferidora: "A serpente me enganou, e eu comi". Como a serpente não tinha para quem jogar a batata quente, o Criador sequer pergunta os seus motivos e já dá a sentença de maldição para a serpente, Eva e Adão.
Não fosse o nosso péssimo hábito de procurar os culpados em volta, Adão poderia ter respondido algo como: 'Senhor, fui fraco, reconheço. E, ao invés de lembrar da sua ordem de não comer do fruto, preferi dar ouvidos a Eva. Estou arrependido e envergonhado'.
Eva, por sua vez, podia ter dito: 'Criador, estou arrependida porque me aproximei demais da árvore e desejei o que não devia e compliquei a situação quando envolvi Adão nisso tudo'.

Contudo, a sociedade dos homens inventou muita coisa, da máquina a vapor a ônibus espaciais, mas mantém os mesmos defeitos do Éden. Ou seja, não assumimos as próprias debilidades e erros. 
Quando as coisas em casa, na igreja, no trabalho, na escola estão desequilibradas, desajustadas, improdutivas, enroladas, confusas, o culpado ou, os culpados, são os outros, nunca nós mesmos.

Acreditamos que se nossos filhos, cônjuges, funcionários, fornecedores, colegas etc, não fossem tão maledicentes e desobedientes às nossas ordens ou caprichos, o mal não existiria. Esse desejo de receber obediência cega e burra, nos faz senhores da razão.
Se alimentamos esta postura de que apenas os outros erram, a colheita do mal será farta. Entre outros resultados, a colhedeira da vida ceifa: fracasso, improdutividade, desilusão e solidão.

1 comentários:

Anônimo disse...

É bem por ai mesmo em nossa maiora das vezes não assumimos os nossos erros, passamos tempo de mais procurando outros culpados e não paramos nem se que para pensar que os culpados podem ser nós mesmos. Vamos refletir sobre nossas atitudes e procurar ser melhor cada dia.

Renata Elen

 
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