2 de janeiro de 2011

2011, o próximo e eu

No final de 2010, tomei a decisão de não me manifestar sobre os votos para 2011. Entre os motivos para esta resolução apática e fria está o fato de que, a bem da verdade, não sabia o que dizer. Ainda não estou tão certo de que, agora, saiba, mas quero ao menos tentar. Faço-o não sem uma dose extra de emoção. Assim, talvez não consiga fugir do que chamam de clichê, piegas, cafona entre outros rótulos, mas se o é, que seja.
A virada de ano aconteceu, como de costume, longe de dezenas de pessoas que gostaria de ter perto de mim na hora de fazer a contagem regressiva. Se estivesse dentro das minhas possibilidades, promoveria uma gigantesca festa de Réveillon para concentrar todas estas pessoas. Mas, por múltiplas razões, não podem estar no mesmo lugar e no mesmo momento alguns membros da família, irmãos da igreja, colegas de trabalho, amigos da faculdade e tantas outras pessoas que, pela graça e misericórdia divinas, compõem a minha trajetória de vida sobre a terra. Digo isso porque considero cada um como uma dádiva de Deus, isto é, um presente do Pai.
Por não poder estar com todos ao mesmo tempo, adotei a 'tática da listinha'. Escrevi os nomes de algumas dezenas de pessoas que influenciam direta ou indiretamente a minha rotina diária. Ainda ficaram de fora aqueles que estão em um passado mais remoto com quem não tenho mais contato, mas que, como é regra geral, deixaram algo de si na minha bagagem.
Em favor dos integrantes da listinha e também por aqueles que ainda serão acrescidos, minha súplica a Deus é de que neste e em anos futuros consiga ser um bom aluno, capaz de praticar a disciplina do Amor. Tomo emprestada a poesia de Asaph Borba:
"Ensina-me
Ensina-me amar,
Mesmo quando só há ódio ao meu redor
Ensina-me a dar,
Mesmo quando não há nada a receber
Ensina-me aceitar
Tudo o que tens preparado para mim
Confiando que tudo está nas Tuas mãos,
E que tudo vem de Ti, Jesus.
Ensina-me adorar,
Mesmo quando há pranto em meu coração
Também a perdoar
Como a mim tens revelado o Teu perdão
E que eu possa ter mais sede de te conhecer melhor,
Cada dia mais vontade de estar ao teu redor
Escutando teu falar, sentindo teu amor,
vivendo junto a Ti, Senhor."
Francisco de Assis também externou uma oração que me comove e, ainda que não consiga agir como ela preconiza, é uma petição que também partilho:
"Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna."

Dependência de Deus
No meio da avalanche de sentimentos e pensamentos que invadem nossa alma e mente à esta época do ano, é difícil precisar o que realmente queremos. Cada um deseja tanta coisa. Planejamos, sonhamos, imaginamos, calculamos, até fazemos promessas a Deus ou a nós mesmos sobre inúmeros assuntos. Infelizmente, muitas das excelentes expectativas que criamos tendem a diminuir ou até a deixar de existir na lista de prioridades à medida que passam os dias.
Algumas destas prioridades se perdem porque Deus mesmo se encarrega de nos mostrar, de múltiplas maneiras, que não é a Sua vontade para nossas vidas. Outras, no entanto, não se concretizam simplesmente porque deixamos de usar o potencial de resistência e superação que o próprio Criador nos concedeu.
Não acredito e não gosto do pensamento corrente de que o 'homem pode tudo se acreditar em si mesmo'. Não defendo esta ideia porque ela me parece querer anular a necessidade de recorrer a Deus para que possamos conduzir nossas vidas e fazer as escolhas diárias. Com isso, não quero argumentar pelo outro extremo de que basta sentar e esperar que 'Deus tudo fará'. O comodismo não é uma condição que partilha da simpatia divina, porque a expressão máxima do amor de Deus, Jesus, afirmou: "Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também" (João 5.17).
A construção de qualquer coisa na vida humana depende, sim, de acreditarmos no potencial que há em nós sem, contudo, deixar de consultar Aquele que em nós depositou uma centelha de sua capacidade criativa. Esta relação de dependência com Deus é prioritária para que possamos acertar. Isso não vai acontecer em 100% das escolhas. Dada a nossa falibilidade e limitação humanas, vez por outra nosso discernimento é equivocado na tomada das decisões. Em outros momentos, falta-nos a paciência necessária para aguardar e enfiamos os pés pelas mãos.

Perspectivas
Mais um ano se ergue diante de nós. A forma de encará-lo depende da quantidade de réveillons que já vivemos. Até certa idade na infância, não temos muita noção do que os fogos, as multidões reunidas, as estradas cheias e tudo o mais realmente querem dizer. Na adolescência, ficamos ansiosos para que os anos que faltam para a maioridade passem o mais depressa possível. Na juventude, as viradas de ano vêm marcadas de muita expectativa sobre construção da família, realização de curso superior, definição da carreira profissional.
A certa altura do calendário da vida, olhamos para os anos passados, concluímos que nada sabíamos e que, a partir de agora, vai ser possível fazer escolhas melhores, pautadas sob a razão e não exarados de emoção. A isso, convencionamos chamar de maturidade. Tão desejada, e até profetizada pelos mais velhos que sempre dizem: 'Um dia você aprende', a maturidade, de fato, para mim ainda é um mistério.
Digo isso porque não me parece verdade que quem está nos 40, 50 ou 60 anos seja assim tão acima do bem e do mal quanto já tentaram me fazer acreditar. E digo isso com base no fato de que, já vi muita gente com essa idade que não aprendeu a amar. Chegaram na faixa etária tida como 'da maturidade', mas são piores que recém-nascidos na arte do amor. Eu também não sou nenhum notório saber da matéria.
Contudo, entrei 2011 com um condicionamento mental e espiritual de modo que permita-me aprender sobre isso agora. Não quero esperar ficar com a osteoporose desenvolvida para dizer que descobri o amor. Não quero ter que ficar com a visão física limitada, para, então, perceber que meus olhos espirituais podem enxergar mais.
Esta motivação traz em seu bojo o desejo de cada pessoa, que faz parte da minha história, seja meu colega e alvo prático neste curso que não tem fim: o curso do amor. Este é o meu jeito de desejar feliz 2011.

9 comentários:

Rafael Tavares disse...

Parabéns pelo texto e obrigado por lembrar de mim. Me sinto honrado em tê-lo recebido. Creio que outros também partilham do mesmo sentimento.

robisom disse...

faço as minhas palavras do sabio salomao ha amigos mais chegado que irmaos Pv 18,24

Nivania disse...

Manu, fiquei emocionada com as mensagens e feliz por saber que em algum momento de tua Vida eu tb fiz parte e espero ter somente acrescentado.Você tb por vários momentos fez parte de nossas vidas sendo amigo, irmão,compartilhando, orientando e acima de tudo dedicando muito amor. Você sempre demonstra e age com muito amor ao próximo. Que Deus o ilumine para que você possa sempre nos confortar com tuas sábias palavras.

Lucinéia disse...

oieee lindas palavras...e por sinal muito sabias....parabenss Emanuel!!

Saulo disse...

Shoooooooooooow !!!!

profa. Kátia Keller disse...

Querido, lindo texto, tanto quanto eu esperava. Falo isso feliz por ter sido sua professora e ter tido a oportunidade única de lhe conhecer, como sua amiga virtual (mesmo porque nos separam milhares de quilômetros atualmente) e como irmã que partilha do mesmo amor por Jesus Cristo, nosso único Salvador. Deus tem sido de uma misericórdia infinita comigo e realizado curas e maravilhas para que línguas confessem o Seu Nome e para Sua Honra e Glória. Portanto, deixemos todos os detalhes de todas as áreas de nossas vidas em Suas Mãos. Ele nos oferecerá sempre o melhor, desde que sejamos amorosos e obedientes - ou, pelo menos, tentemos ser. Que o Pai Celestial derrame sobre a sua vida toda a sorte de bênçãos, e que vc seja sempre luz para o mundo e sal da terra. Grande beijo! :-D

Edilaine disse...

SEM PALAVRAS ...AMEEEEEEEEEIII... TE ADORO....

Anônimo disse...

Chega de mensagens clichês e efêmeras! Originalidade é tudo. Parabéns, Manu. Sou seu fã...

Anônimo disse...

Ola MAnu, já disse que me emocionei ao ler seu texto, mas gotaria de deixar registrado aqui o quanto eu gostei dele.

Bjos Glau

 
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