8 de março de 2013

Pausa para falar das flores

Hoje preciso dar uma pausa na beligerância política e tentar, ainda que limitadamente, dada minha pobreza lírica, render algum tributo à mulher. Desde que reconheço-me como cidadão, a data é bem aproveitada para instalação de faixas comemorativas, distribuição de rosas, entrega de condecorações, avaliação da mulher no mercado de trabalho, reclamações recorrentes sobre salários, jornada tripla etc etc.
Como acompanhei de perto algumas comemorações e até já tive o privilégio de ser mestre de cerimônias em eventos desta natureza, sei que, a esta altura do campeonato, a mulherada já não suporta mais, e com razão, a história de usar a data para falar, marteladamente, sobre Papanicolau, por exemplo.

Não estou alheio às exceções, mas não é à toa que os índices de saúde feminina são melhores do que os masculinos, elas gostam de se cuidar. Afinal, a esmagadora maioria não se avexa em falar ao médico onde dói e são zelosas no cumprimento do tratamento.  A minoria que não é zelosa, na verdade, são dotadas de órgão reprodutor masculino "virtual". Por isso, agem com a mesma tolice que a maioria de nós, 'meninos'.
Diferentemente dos homens que, na prova de uma masculinidade burra, preferem ficar à míngua e aumentar a quantidade de viúvas, as mulheres se viram nos trinta para cuidar de si e ainda dar conta de quem as cercam.
Sem nenhum arroubo de especialista em nada, acredito que o cuidado com a saúde da mulher é um indicativo da saúde da própria sociedade em geral.

Só para citar um exemplo, gestantes bem cuidada, asseguram elevado índice de natalidade, baixa mortalidade e condições gerais de saúde do bebê dentro dos padrões para o crescimento dos mais vulneráveis pequenos cidadãos.
Eles podem não ter título de eleitor ou CPF, mas sustentam a motivação das gerações que lhes antecedem no sentido de que as ações em âmbitos público e privado devem considerar o que se quer deixar como legado aos sucessores. Claro que o cuidado com os pequenos depende de forma preponderante da ação feminina.

Cuidar da mulher com a mesma atenção que se cuida de um jardim indica, ainda, sanidade espiritual de quem o faz. Não à toa, a própria Bíblia, livro que regula a fé e prática de bilhões de pessoas no mundo, orienta tratamento à mulher como "vaso mais frágil".
A expressão não tem o objetivo de depreciar sua figura, mas, sim, de indicar aos homens o esmero devido ao cuidar delas. Conforme interpretação de diversos teólogos, a mulher não foi retirada da cabeça do homem para não lhe ser superior, nem do pé para não ser por ele humilhada. Antes, o Criador optou pela costela num indicativo da condição de parceira que deve estar lado a lado.

Ainda no âmbito teológico, há um significado especial no fato de que a notícia da ressurreição do Cristo foi primeiro ouvida por mulheres. Durante os três anos de peregrinação, o jovem de Nazaré foi assistido por mulheres que "o serviam com seus bens" conforme fez questão de destacar o evangelista Lucas (Lc 8:3).
Não consigo falar de mulheres sem recorrer ao zelo do Criador. Em toda sua Soberania Ele cuidou de dotá-la de elementos sem os quais os homens estariam incompletos. O ajuste das diferenças, que vão muito além de fatores biológicos, para mim, deixa patente o capricho do Arquiteto do Universo em se fazer conhecido nos detalhes da vida humana.

Não sou obtuso a ponto de ignorar as atrocidades, contudo, elas não são fruto da mente de Deus, mas, sim, do afastamento do homem de sua comunhão. Mesmo assim, em meio a tudo isso, Ele propõe uma vida feliz e entre essas propostas está a forma como tratamos a mulher.
Assim, registro meus mais sinceros votos de alegria, vida, paz, harmonia, saúde física e espiritual às mulheres de perto e de longe, que conheço ou das que sou apenas conhecido, as que me criticam, as que me elogiam, as que me querem perto e as que me preferem longe. A todas, meu feliz Dia Internacional da Mulher.

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