28 de março de 2013

Carrascos de Cristo

A Páscoa, apesar de nos fazer lembrar da morte de cruz daquele que foi apresentado como "o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo", na verdade, é o maior tratado da vida que foi assinado por ninguém menos que o  próprio Criador.
A encarnação do Logos, como escreveu o evangelista João, aponta para uma pessoa que mudou o curso da história porque escolheu fazer ao invés de só discursar. Seu nome? Jesus de Nazaré.

O momento é oportuno para refletir sobre o sacrifício substitutivo de Cristo. Isto é, para o seguidor de Cristo que se preza, é uma boa oportunidade de interiorizar-se, olhar para si, ver o quanto é pequeno e fraco diante da grandiosidade e poder do Criador e, na menor das possibilidades, desmanchar-se em gratidão pelo fato do próprio Deus ter se feito carne, habitar entre os homens e dar a própria vida em resgate do ser humano.

Honestamente? Se tivéssemos um pouco mais de vergonha na cara, não teríamos um "muito obrigado, Deus" apenas na Páscoa. Gratidão deveria ser nossa palavra de ordem. Ao invés disso, que mais fazemos? Praguejamos, blasfemamos, ofendemos uns aos outros, desenvolvemos sentimentos mesquinhos de inveja, orgulho, arrogância e tantas outras mazelas.
Max Lucado registra no livro "Ele escolheu os cravos" (CPAD, 2006), o seguinte: "A obrigação dos soldados era simples: Levar o Nazareno até o monte e matá-lo. Mas eles tinham outra ideia. Queriam se divertir primeiro. Fortes, descansados e armados, os soldados cercaram um carpinteiro galileu exausto, quase morto, e o atacaram.

O açoite fora ordenado. A crucificação ordenada. Mas quem teria prazer em cuspir em um homem quase morto? O ato de cuspir não tem a finalidade de machucar o corpo – de forma alguma. O ato de cuspir é a intenção de degradação da alma, e muito eficiente. O que os soldados estavam fazendo? Não estariam eles elevando-se a si próprios à custa de outra pessoa? Eles sentiram-se grandes ao humilhar Jesus."
Enquanto os carrascos romanos escolheram agir em favor da morte de Jesus, em seu corpo combalido habitava um espírito que havia optado pela vida de muitos, a partir da entrega da sua. Ele mesmo disse aos discípulos que ninguém tomava a vida dele, mas essa era ofertada voluntariamente.

Algumas de nossas escolhas diárias são similares aos açoites que Cristo suportou quando estava sendo massacrado pelos soldados romanos. Não carregamos chicotes, pregos, caniços ou coroa de espinhos para torturar ao Filho de Deus, mas quando nos deixamos dominar por todos os sentimentos que Ele mesmo recomendou que nos livrássemos, nos tornamos seus carrascos outra vez.

Cada ofensa a um irmão, cada vez que escolhemos a hipocrisia à sinceridade, a mentira à verdade, o ódio ao amor, a ostentação à simplicidade, a corrupção à ética, a traição à fidelidade, a omissão à prontidão em servir, cada uma dessas escolhas equivalem a torturar e crucificar a Cristo de novo. É como se fosse possível dar golpes e mais golpes no Filho de Deus.

O profeta Isaías descreveu com riqueza de detalhes o momento da condenação, crucificação e morte de Jesus. Ele profetizou, por exemplo, que Jesus seria contado entre malfeitores e, mesmo condenado injustamente, pediria ao Pai em favor dos seus algozes: "Foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu" (Isaías 53:12).

Nesta Páscoa, que analisemos quão cruéis temos sido quando, deliberadamente, optamos por maltratar o nosso próximo, seja por gestos ou palavras. Se Ele tanto fez por nós, que podemos fazer por Ele? Embora, não precise de nenhum favor das suas criaturas, Sua grande alegria é nos ver ao menos tentando viver como Ele pregou, ou seja, amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

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