9 de fevereiro de 2012

Um jeito para esperar o fim

O fim do mundo é um tema que assombra o imaginário popular. Mais que figurar entre contos, fábulas e provérbios, o assunto está presente na Bíblia e também recebe especial atenção de cientistas que prevêem as mais variadas formas para tal. Pode ser por uma colisão de um super-cometa com o planeta Terra, pela morte do Sol ou por suas explosões mais intensas que aumentariam a radiação solar muito além daquilo que o frágil planeta suportaria.

Se a ameaça prevista não vem de fora, ela pode estar dentro do planeta. Como, por exemplo, a explosão do super vulcão no Parque Yellowstone nos Estados Unidos (tem até um filme ridículo sobre isso).
Como cristão, acredito no que afirma a Bíblia: que haverá novo céu e nova terra. É claro que permito-me a uma leitura criteriosa e uma pesquisa ampla sobre cada profecia. Mas diante da soma de fatos históricos que estão perfeitamente alinhados com as previsões do livro da Revelação, bem como de outras porções proféticas nos evangelhos sinóticos, profetas maiores e menores do Antigo Testamento, sou obrigado a curvar meu ceticismo ante à precisão cirúrgica das Escrituras.

Mesmo sabendo que o mundo vai  acabar, não gosto do fatalismo que se vive e a postura do "vamos jogar a toalha", especialmente no que diz respeito às relações humanas. Com o conformismo típico dos covardes, ouve-se aqui e acolá que está tudo tão ruim que não há mais nada a fazer. 
Pinta-se um quadro de violência de matizes tão acentuadas que, se for fazer gosto, não é nem para sair de casa. Pior que isso, pouco a pouco estimula-se as pessoas a se isolarem e, já que está tudo de mal a pior, e parece que o melhor é fazer como lagartixa: quem tiver a unha maior que suba na parede. Assim, procura-se ter vantagem a qualquer custo sobre o próximo. 

Não importa se, para tal, nos anulamos como seres humanos e nos tornamos monstros que negam todos os valores éticos e morais. Mais que isso, negligenciamos o fato de sermos criados para refletir o Autor da Vida. Assim, ampliam-se as agressões físicas e verbais em escalas que saem do núcleo familiar, chegam à escola, trabalho, igreja, clube, praia, arena, enfim, nos tornando mais bestiais que as feras do campo. Somos moldados e, pior, vencidos pelo meio.
Como, felizmente, não sabemos quando o mundo vai, de fato, acabar, independente do modo como isso se dará, o mínimo a fazer é tentar fazer como ordenou o Messias. Ele sintetizou a lei em dois grandes mandamentos: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento (...) amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt. 22:37-39).

Se vai tudo acabar no mundo material, o melhor a fazer é buscarmos a construção de relacionamentos saudáveis. Não digo que serão 100% serenos. As tempestades vão sempre integrar o cenário. Sempre vamos precisar dar um grito extra. Digo com frequência que precisamos ser, no mínimo, verdadeiros. Assim, provavelmente, numa manhã estaremos chorando de raiva por causa de uma palavra ruim que dissemos ou ouvimos, mas no final da tarde, podemos sorrir pelo bálsamo do perdão. 
Reconheço que não é fácil, mas como o nosso mundo exterior vai acabar mesmo, ao menos nosso mundo invisível pode ser mantido inteiro. Fácil? Claro que não! Se fosse, não teria graça. Por isso, sugiro que nos preparemos para o fim do mundo ou da vida da melhor maneira: amando.

1 comentários:

M.Suhet disse...

Ótimo texto Emanuel... como todos os seus textos... srsrsr..
Eu sumi um pouco não? srsrssr... mas já estou de volta.
É triste não? ... Olhar para nossa vida e perceber que é exatamente isso que você relatou ai em cima...
Mas o homem é assim, e a realidade em que vivemos tem uma grotesca tendência para o pior.
Infelizmente há muitos tolos que nunca percebem o verdeiro significado da vida... Há uma quantidade razoável de inteligentes, que conseguem enxergá-la mesmo que num pequeno vislumbre de sua totalidade... e há um ínfimo número de sábios, que vivem longe da ignorância e da cegueira moral, nesses está a esperança do verdadeiro legado que Deus nos deu.
Parabéns pelo seu texto!

 
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