1 de fevereiro de 2012

Sufoco nosso de cada dia

Jesus ensinou a falar com Deus sobre as necessidades básicas de forma muito simples e direta: "O pão nosso de cada dia nos dá hoje" (Mt. 6:11). Infelizmente, alguns interpretam e praticam a oração de modo bem medíocre e defendem que se deve ficar em casa, de papo para o ar, esperando o pão cair na mesa, de preferência já recheado com geleia, margarina, manteiga, requeijão ou coisa que o valha.
Longe dessa safadeza do comodismo em nome da fé, a aplicação real da oração ensinada por Jesus, vislumbra, sim, um indivíduo que tem os olhos fixos em Deus, os pés bem firmes no chão (e não nas nuvens) e as mãos bem hábeis para o labor diário.

Se não for assim, fica muito, mas muito difícil cruzar a linha de partida da vida. Se ela, a vida, vem com obstáculos comuns a todos, para os moles e acomodados eles triplicam de tamanho e de quantidade. Além disso, tudo fica menos belo, opaco e sem sabor. 
O comodismo, a fuga das batalhas, o recolhimento das armas são atitudes que diminuem nossa própria dignidade. Somos muito mais humanos quando nos aplicamos nas nossas guerras diárias. A cada batalha temos a possibilidade de melhorar. 

Os mais pessimistas vão dizer que há aqueles que pioram. Em um primeiro momento é o julgamento mais fácil. Mas, ainda que não seja perceptível a todos, quando não mudamos para melhor logo após uma batalha –quer sejamos vencedores ou vencidos–, ficamos ao menos sabendo o que nos falta. No próximo entrave, vamos, finalmente, atestar algum crescimento ainda que seja mínimo. Isso, claro, se não fugirmos da raia.

É bem verdade que volta e meia reclamamos do "sufoco" que vivemos. É batalha demais para dia de menos. Usamos tanto a palavra sufoco que resolvi averiguar seus possíveis significados. O mais comum é de "asfixiar, afogar, dificultar a respiração". Mas gostei da explicação "causar profundo abalo no ânimo".

De fato, em algumas situações parece mesmo que nossos joelhos vão se dobrar. A percepção que se tem é de desfalecimento, impotência, pequenez. Os gigantes parecem ser em número e força muito maiores do que, de fato, o são. Nesta hora, é bom recordar a oração de Josafá, o quarto rei de Judá que governou de 870 a 848 a.C. 
Um momento emblemático de seu reinado foi quando três povos se juntaram contra seu reino. Quando tomou conhecimento da investida bélica contra seu povo, Josafá apelou. Como percebeu sua impotência ele foi pedir ajuda a Deus e o fez decretando que homens, mulheres, crianças e até animais entrassem em jejum. 

No final de sua oração ele disse algo que me chama muito a atenção: "Porque em nós não há força para resistirmos a essa grande multidão que vem contra nós, e não sabemos nós o que fazer; porém os nossos olhos estão postos em ti." (2 Cr 20:12).
Esta atitude parece muito simplista. Para nossa mente ocidental e pragmática é muito cômodo. Temos muita dificuldade em discernir a hora de agirmos e a hora de pedir socorro para o Poderoso. É claro que esta dependência não pode ser na onda do "vou deixar tudo para Deus". Na porta do túmulo de Lázaro, antes de chamar pelo defunto Jesus mandou que alguém tirasse a pedra. Isso ilustra que as ações cabíveis a nós não serão executadas pelo Todo-Poderoso.

Na jornada da vida Ele nos propõe parceria, cooperação, ou seja, trabalho em conjunto. Parece estranho pensar em um Deus que trabalhe com e pelo ser humano, mas se oramos pelo pão nosso de cada dia, o sufoco nosso de cada dia também deve ser superado com Ele.

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