16 de fevereiro de 2012

Quando não sei fazer

Reconhecer as próprias limitações em alguma coisa é um exercício de nobreza que nem sempre estamos dispostos a praticar. 
Convenhamos que desde muito cedo desponta em nós um sentimento de querer sobrepujar ao próximo. Na infância, tomamos o brinquedo do coleguinha, ele chora e quando a mãe de um dos dois questiona o ocorrido respondemos, na maior cara de pau, que quem começou tudo foi o coleguinha.

Na adolescência, queremos ser mais e melhores que tudo e todos. Não basta mostrar 'superioridade' para aqueles que são da mesma faixa etária. Tolamente, alimentamos a fé de que somos mais astutos que os pais, mais vividos que os avós, mais saudáveis que os tios, mais descolados que os primos, mais inteligentes que os colegas... Enfim, é uma faixa etária que, normalmente, olha-se no espelho para dizer: 'Você é o cara! Um verdadeiro sabe-tudo'.
À medida que amadurecemos ou, simplesmente envelhecemos (porque nem sempre idade é sinônimo de maturidade), vamos nos dando conta das bobagens que fizemos para tentar provar que somos os melhores para qualquer feito.

Nas fases jovem e adulto já aprendemos a dissimular. Isto é, no íntimo, quando ninguém está nos vendo, alimentamos o ego com autoafirmações do tipo: 'Isso não daria certo se você não fizesse', 'Ficou bom, mas se eu fizesse ficaria melhor' etc.
Em público, maquiamos uma humildade e despretensão que enganaria até detector de mentira. Entretanto, esse é o tipo de situação que não se sustenta por muito tempo.

O que realmente prevalece é o que alimentamos por dentro. Se damos 'ração' para uma mente arrogante, ela vai ganhar espaço e se fortalecer de tal forma que, cedo ou tarde, aquela maquiagem de gente desprendida será derretida.
Mas até que máscaras caiam, infelizmente, alimentamos um prazer mórbido em tentar diminuir os outros. Essa postura do 'sou melhor que você' vai se tornando quase como uma droga. Há um vício saciado apenas pela possibilidade de qualquer humilhação ou desmerecimento imposto a outrem.

Nada mais medíocre, limitado, pobre e podre do que viver assim. Estou convencido de que quanto mais reconhecemos nossas limitações, mais vigorosos, sábios e úteis nos tornamos para qualquer pessoa que cruza a nossa existência.
Quando percebemos que são tão boas ou até melhor que nós no que fazem, trilhamos um caminho que não conhece descida, só subida. Isto é, crescemos. Ao reconhecer que não temos domínio de todas as ciências –se tivéssemos seríamos deuses–, uma liberdade e leveza se faz perceber no corpo, na alma e no espírito. 

Quando, corajosamente, falamos para nós e para os outros: 'Não sei fazer, me ajude' ou 'Faça você, pois sei que vai ser melhor que eu', damos passos decisivos à liberdade da alma que não estará mais amarrada a sentimentos mesquinhos. 
Se ouso trilhar os caminhos da humildade e reconheço, sem meias palavras, a minha incapacidade, aquilo que pareceria covardia, na verdade, ganha um sentido inverso e apresenta-se como uma coragem única.
Esta visão clara de si, permite que olhemos para fora, vejamos outros com suas habilidades e, se temos alguma inteligência, pouco a pouco formamos uma galeria de gente boa, capaz, leal, corajosa, grata e sempre disposta a fazer mais do que se pede. Resultado: o grau de produtividade vai muito além do que se determina. 

Reconhecer as próprias limitações, exaltar as potencialidades de outrem é um caminho sem volta para alimentação do amor e crescimento como imagem e semelhança do Criador.
O contrário disso, acredito que nem preciso detalhar no que resulta. Experimente. Exalte as potencialidades alheias. Não vai doer, é de graça e, de quebra, você vai descobrir quanto vai produzir a mais se somar esforço com o seu próximo.

1 comentários:

Alex Bogagio disse...

O que fazer quando não se sabe o que fazer

O rei Josafá está encurralado por adversários medonhos e insolentes. Uma grande multidão, fortemente armada estava pronta para atacar Jerusalém. Não dava tempo para reagir nem Josafá tinha recursos para resistir àquele aparato militar que pretendia varrer Jerusalém do mapa. Ao saber da tragédia, humanamente irremediável, Josafá teve medo e pôs-se a buscar o Senhor, convocando a nação para orar e jejuar. Em sua oração, o rei disse: "Ah! Nosso Deus, acaso, não executarás tu o teu julgamento contra eles? Porque em nós não há força para resistirmos a essa grande multidão que vem contra nós, e não sabemos nós o que fazer; porém os nossos olhos estão postos em ti" (2Cr 20.12). Diante da situação tão desesperadora, Josafá admite sua incapacidade; reconhece que não sabe o que fazer, mas põe os seus olhos em Deus. Desse episódio podemos tirar quatro lições:

1. Quando você não souber o que fazer, busque a Deus em oração e jejum (2Cr 20.3)
- Há momentos em que os problemas vêm sobre nós como uma torrente caudalosa, como uma avalanche avassaladora, como um terremoto assustador. Nessas horas, nossos recursos são absolutamente insuficientes para enfrentarmos a situação e nada podemos fazer senão recorrermos ao Deus do céu, e clamar por sua ajuda e socorro. A oração e o jejum são recursos sobrenaturais, são armas espirituais à disposição do povo de Deus. Quando agimos por nossa própria destreza e fiados em nossos próprios recursos, ficamos sujeitos a derrotas acachapantes. Mas, quando buscamos a Deus em oração e nos humilhamos sob sua onipotente mão, então, seu braço onipotente sai em nossa defesa e nos concede vitória.

2. Quando você não souber o que fazer, confie nas promessas de Deus (2Cr 20.4-12)
– Não basta orar, precisamos orar como convém. Não basta pedir, precisamos conhecer aquele a quem pedimos. Josafá reconhece que Deus é o soberano Senhor nos céus e domina sobre todos os reinos da terra. Ele ora consciente de que nas mãos de Deus estão toda força e poder e não há quem lhe possa resistir. Quando compreendemos a grandeza de Deus, nossos grandes problemas se apequenam. Mas, Josafá deu um passo além em sua oração: ele fulcrou sua súplica nas promessas de Deus. Ao mesmo tempo em que buscou a Deus em oração, abriu as Escrituras para orar e fundamentar sua petição no alicerce firme das promessas de Deus. Oramos com eficácia quando ancoramos nossas petições nas promessas daquele que tem zelo pela sua Palavra e fidelidade em cumpri-la.

3. Quando você não souber o que fazer, ouça e obedeça a Palavra de Deus (2Cr 20.13-19)
- Quando todos os homens, mulheres e crianças se reuniram para falar com Deus em oração, Deus se manifestou e falou com eles, trazendo-lhes sua Palavra. Por intermédio da oração falamos com Deus; por meio da Palavra Deus fala conosco. A Palavra divina que veio ao povo encorajou-o a não olhar para as circunstâncias e não temer as ameaças do inimigo. Deus lhes acalmou o coração dizendo que pelejaria por eles e lhes daria a vitória. A Palavra gerou fé no coração deles e tirou seus olhos do problema para colocá-los no Deus que está acima e no controle da situação.
4. Quando você não souber o que fazer, louve a Deus com confiança (2Cr 20.20-30) – Quando o povo ouviu a voz de Deus, o medo foi substituído pelo louvor. Eles enfrentaram os exércitos inimigos não com armas carnais, mas com louvor. Eles não louvaram depois que o inimigo foi derrotado; louvaram para derrotar o inimigo. O louvor não é apenas conseqüência da vitória, mas é a causa da vitória. "Tendo eles começado a cantar e a dar louvores, pôs o Senhor emboscada contra os filhos de Amom e de Moabe e os do monte Seir que vieram contra Judá, e foram desbaratados" (2Cr 20.22). O louvor é o brado de triunfo dos filhos de Deus no campo de batalha. Quando os problemas parecerem insolúveis, faça o que fez Josafá: ore, jejue, obedeça, e louve ao Senhor, e o inimigo será desbaratado.

Saudações Em Cristo

 
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