5 de outubro de 2011

Sementes do mal

O autor do livro de Provérbios, o rei Salomão, registrou um perfil que causa ou deveria causar medo até no mais corajoso dos homens: "Existem sete coisas que o Senhor Deus detesta e que não pode tolerar: 1) o olhar orgulhoso, 2) a língua mentirosa, 3) mãos que matam gente inocente, 4) a mente que faz planos perversos, 5) pés que se apressam para fazer o mal, 6) a testemunha falsa que diz mentiras, e 7) a pessoa que provoca brigas entre amigos" (Linguagem de Hoje). Na versão Revista e Corrigida de João Ferreira de Almeida, o item 7 foi traduzido da seguinte maneira: "o que semeia  contendas entre irmãos".
Há duas edições, falei sobre uma possível plantação de vento e colheita de tempestade. Hoje, retomo a ideia da semente e quero abordar algo que é mais fácil de identificar do que uma plantação de vento.

Considerando que Deus abomina, isto é, não pode tolerar aqueles que incitam uma pessoa contra a outra, é de ficarmos com vergonha alheia quando, sem muita dificuldade, notamos pessoas que fazem parte do nosso convívio e que, com maestria, sabem fazer funcionar uma espécie de sistema de comunicação da maldade.
 Em geral, estes 'profissionais' deste sistema do mal têm alguns jargões na ponta da língua. Vejamos: a) 'Você ficou sabendo?'; b) 'Olha, não diga para ninguém que te contei'; c) 'Pelo amor de Deus, diga que vai guardar segredo!'; d) 'Olha, gosto muito do Fulano, não quero o mal dele, mas...'; e) 'Não estou fofocando, é só pra você ficar por dentro'.

Já ouviu alguma dessas? Pois é, eu também. Apesar de ser um hábito muito feio, existe uma habilidade nestes semeadores de contenda que despertam minha atenção: a cara-de-pau. A capacidade de teatralização deles é sonho de consumo até para Antunes Filho.
Embora eu tenha um espaço de vida relativamente curto, 33 anos, não é difícil apurar pessoas que, em tempo recorde, colhem o que plantou em escala bastante generosa.
Só fico intrigado porque essa colheita é de frutos podres, mas os semeadores da maldade acham que colheram uma safra capaz de dar inveja a qualquer cultivador de soja do Centro-Oeste brasileiro.

Estão convencidos de que sabem o que estão fazendo. Vendem a imagem de altruístas e resignados, ou seja, que tudo o que dizem e fazem é pelo bem das pessoas e que abrem mão de qualquer conflito, desentendimento ou prevalecimento sobre outrem (sic!).
Entretanto, o que está em jogo são os próprios interesses. O que importa, de fato, é o quanto se pode ganhar (não necessariamente com honestidade).
No mau uso de suas atribuições nas empresas, esferas de governo, igreja, clube, associação, enfim, em todos os setores da sociedade este pulgão está presente pronto para fazer definhar qualquer árvore frutífera.

Os semeadores de contenda têm prazer mórbido em ver as pessoas se separarem. Via de regra, quem gosta de contender também busca, a qualquer preço, a bajulação. Digo sempre que o que gostam mesmo é de uma caprichosa 'lambeção' (permitam-me o neologismo).
Quando tentam separar as pessoas de seus núcleos, querem que elas se tornem seus dependentes. Entretanto, a dependência que estimulam não tem o objetivo de agregar para expandir, mas, sim, de reunir para sugar, extorquir, enfraquecer, tolher, mutilar, e, se possível, derrotar.

Retomando a capacidade teatral destes semeadores do mal eles fazem tudo o que está acima com um sorriso amarelo bem estampado em qualquer lugar que passam. Do velório à ação de graças pelo aniversário são capazes de abraçar, desejar condolências e, como um habilidoso tamanduá, dão aquele abraço capaz de estrangular sua vítima.

Se é preciso ter medo deles? Não! Basta sabermos manter uma boa distância e, como cristãos, pedirmos a Deus em favor da redenção de suas almas.

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