20 de outubro de 2011

Antecipação X Procrastinação

Antes de 7 de outubro de 2012 tem muita água para rolar sob a ponte

No Brasil, trabalha-se as políticas públicas de 2 em 2 anos. Pior: a sociedade tem cara de quem está viva somente nos intervalos de 730 dias. Por quê isso? Por causa deste sistema eleitoral, no mínimo, esquisito que nos faz ir às urnas a cada dois anos.
Já ouvi a desculpa de que isso ocorre porque as massas de eleitores não teriam condições de votar, de uma única vez, em sete cargos que são: vereador, deputado estadual, deputado federal, senador, prefeito, governador e presidente da República.
Como o voto é uma conquista social que precisou do sangue derramado de muita gente, vá lá que voltar às sessões eleitorais a cada 730 dias não seja de todo ruim.

O que, de fato, tem me irritado profundamente é que, desde 2010, ouve-se falar das eleições de 2012! Esta antecipação tem sido cada vez mais comum. Mais irritante ainda é que a atual presidente, Dilma Rousseff, nem bem esquentou a cadeira e já tem beócio de plantão antecipando as eleições de 2014!
Pois é. Antecipa-se o que pode esperar e procrastina-se o que tem caráter de emergência. Para quem não conhece o termo, procrastinar é adiar, postergar, deixar para depois.

Via de regra, fazemos isso com muita coisa ao longo da vida. No trabalho, procrastinamos aquela faxina na gaveta. Na escola, a leitura do livro. Na família, postergamos a hora de declarar amor ou fazer um programa juntos. Com os amigos, procrastinamos a ligação para perguntar: 'Como vai?'.

Enfim, sempre deixamos para depois coisas que são fáceis de fazer, e que, apesar da simplicidade, podem repercutir de forma impensável tanto em nossa própria vida quanto para aqueles que são alvo das nossas ações.
Entretanto, somos céleres na antecipação da reclamação, da blasfêmia, da ofensa, da ira. Temos a habilidade ímpar de trazer para hoje o mal de amanhã. Bem recomendou Jesus, o Messias: "Basta a cada dia o seu mal". (Mt. 6:34)

Tal como agimos nos relacionamentos interpessoais, fazemos o mesmo com relação aos temas de interesse social.
Antecipa-se a celeuma sobre quem será o candidato a presidente da República de 2014, e procrastina-se as discussões que, se não são de aplicação imediata, são fundamentais para garantir um mínimo de perspectiva às próximas gerações. Somos imediatistas e egoístas. Colocamos muitos filhos no mundo e esquecemos de preparar um mundo para os nossos filhos.

Daqui a 254 dias vamos começar a receber uma enxurrada de promessas de toda sorte. Vai ter gente prometendo trazer até fast-food americano para a cidade. Será uma algazarra de verbos no futuro: 'farei', 'darei'... Para nos protegermos, o melhor a fazer é prestar atenção nos verbos conjugados no passado, isto é, o que realmente cada nobre cidadão já fez ou, ao menos, intentou fazer.

0 comentários:

 
Powered by Blogger