23 de outubro de 2010

Serra e eu

Eu também não gosto do Serra, mas meu voto é dele. Eu também acho o presidenciável tucano antipático, de sorriso amarelo, por vezes, arrogante. É claro que essa leitura é de alguém que nunca trocou sequer um 'bom dia' com ele.
Já fiquei num estado de nervos alteradíssimo quando, em 2008, Serra sinalizou que viria na inauguração da escola estadual Elza Facca, em Botujuru, e na última hora não veio. Fiquei tão virulento, que quando ele compareceu na assinatura de convênio para instalação da escola técnica, também em Botujuru, sequer quis ir ver.

Quando se tornou candidato à presidência, tive que por meus ressentimentos de lado. Nesta hora, as minhas birras como cidadão e eleitor perdem totalmente a importância diante de questões que dizem respeito ao futuro do meu município, Estado e país.
Não posso decidir meu voto simplesmente por achar o fulano mais bonito ou feio, de sorriso mais fácil ou de cara feia. Não posso votar em função de ter ou não afinidades com este ou aquele. Quando preciso decidir para quem vai o meu precioso voto, tenho que por na mesa muito mais que justificativas emotivas, preciso recorrer a justificativas racionais, ou seja, aquelas que podem ser testadas e aprovadas.

Não posso decidir voto por sentimento, emoção, feeling ou qualquer outro nome que se dê. Tenho que decidir voto considerando propostas, experiência e competências de quem propõe. Recentemente, ouvi um grupo de professoras dizerem: 'não voto no Serra porque se não esse país para'. Engraçado.... Há exatos 191 dias, Serra estava à frente do governo de São Paulo. Conduzia com maestria a unidade federativa mais potente da República. Até onde sei, se é que não fui abduzido, o Estado não parou. Pelo contrário, continua com o status de potência econômica nacional e com índices de crescimento em todos os setores.

Há quem reclame que o Serra criou pedágio demais. Também não gosto de pagar R$ 10 para ir a Cabreúva-SP e voltar, mas gosto de ter uma estrada bem pavimentada, segura e com suporte para qualquer emergência. E, infelizmente, isso não seria possível sem o tal pedágio. É fácil ficar na trincheira e criticar pejorativamente ao ex-governador, mas é difícil avaliar racionalmente as próprias críticas.
Alguns grupos da sociedade levantam a bandeira de que a progressão continuada é o grande mal do governo tucano. Será? Os petistas dizem que resolveriam isso no Estado. Acho engraçado que as Universidades Federais, onde o governo Federal tem influência direta, também se queixam de sucateamento. Se saberiam como resolver a educação básica paulista, porque se atrapalham para elevar a qualidade do Ensino Superior?

Para quem diz que Serra pararia o Brasil, e mora na região Campo Limpo Paulista -há 60km de São Paulo-, vale lembrar que graças à sua percepção dos temas realmente importantes e coragem para tomar as medidas certas, o rio Jundiaí ganhou esperança de voltar a ser limpo e vivo com a construção do Sistema Integrado de Esgotos. A obra, prevista para ser entregue em janeiro de 2013, vai melhorar o saneamento básico em toda região. Com melhor saneamento, há mais saúde.
Com um custo de R$ 112 milhões, seria impossível para Campo Limpo e Várzea Paulista executarem projetos desta dimensão sem a intervenção do governo estadual. O custo da obra corresponde a todo o dinheiro do orçamento de 2010 que a prefeitura de Campo Limpo teve para pagar todas as suas despesas.
Por esses e outros fatores, não adianta eu não gostar da careca do Serra. Tenho que gostar mais, aliás, tenho que amar mais ao meu país, meus patrícios e meus herdeiros.

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