14 de outubro de 2010

Os mineiros nossos de cada dia

Resgate dos mineiros é uma lição para o mundo

Após 68 dias sem ver a luz do sol e tendo sido dados como mortos por pelo menos 17 alvoradas, os 33 mineiros que estavam a 620 metros de profundidade, no meio do deserto mais seco do mundo, o do Atacama, na Mina de San José, há 45 km da cidade de Copiapó, no Chile, têm um cântico de vitória que deve celebrar a vida.
As referências geográficas parecem nos remeter a lugar algum. De fato, milhões de espectadores, leitores e ouvintes de todo o mundo que acompanharam cada etapa do resgate dos mineiros nunca foram e jamais deverão ir ao local. No entanto, do meio do nada, os habitantes do globo terrestre têm a possibilidade de fazer inúmeras reflexões com o exemplo de garra e determinação que emanam desta linda história.

O próprio presidente chileno, Sebástian Piñera, afirmou que o "Chile não é o mesmo país de 69 dias atrás". Isso reflete um pouco das grandes lições que se pode extrair do 'renascimento' dos mineiros. Vi e ouvi diversos depoimentos de pessoas que se transportaram para o acampamento de resgate. Em um determinado momento, não importava que não tivesse nenhum patrício sob os escombros, o fato mais importante é que também são imagem e semelhança do Criador.

Embora os protagonistas da história sejam os mineiros, outros personagens deste episódio deixam importantes lições. Merece destaque o clima de 'grande família' propiciado pelas esposas, filhos, pais, amigos e centenas de profissionais envolvidos.
Repórteres admitiram ser tratados pelos parentes dos mineiros como membros da família. Sem dúvida, um momento esplêndido para as centenas de jornalistas de todo o mundo que foram enviados ao local para monitorar todo o trabalho.
A disposição de profissionais de todo o mundo no resgate também foi fundamental para o êxito da operação. A mobilização incluiu desde uma equipe da Nasa até um engenheiro norte-americano que saiu direto do Afeganistão para o meio do nada chileno.
Uma multidão de pessoas teve que doar um pouco mais de tempo, talento, experiência para não permitir que sonhos, aspirações e projetos dos 33 homens e suas famílias acabassem.

Este resgate dramático e pleno de sucesso fez minha mente viajar em outros resgates que precisamos fazer todos os dias. Exatamente neste momento, talvez no quarto ao lado, na divisão da empresa, sentado no banco de uma praça, deitado no leito de um hospital, atrás de um caixa de supermercado, enfim, em múltiplas funções e lugares, há alguém que, embora o corpo não esteja no fundo do poço, a alma está escondida em alguma caverna sem expectativa de sair.

Os motivos que os levaram ao fundo do poço são múltiplos. Vão desde drogas à perda de um ente querido. Podem ter vivido terremotos que soterraram sonhos, projetos e visões. Alguns podem estar submersos no poço do ostracismo, do esquecimento, da solidão por escolhas erradas, por não ter ouvido o conselho do pai ou da mãe, por ter se isolado sistematicamente dos amigos, enfim, os motivos para cair são tão variados que não cabe citar aqui.

O que realmente importa é o quanto nos esforçamos para tirá-los de lá. Sempre há algo que possamos fazer: uma oração, um estender das mãos, um emprestar de ombro para que se faça um desabafo, um sorriso, um abraço, qualquer gesto que indique estarmos em comunhão, isto é, comendo na mesma mesa um pão que não é produzido entre os homens, mas que vem fresquinho da parte de Deus.
Foi do fundo do poço que Cristo se propôs a retirar a humanidade quando deu a sua vida em lugar dos pecadores. O Filho de Deus pagou o preço do resgate. Embora não possamos chegar ao valor pago pelo Messias, podemos nos empenhar, juntar todos os nossos esforços, talentos, conhecimentos e habilidades para que os semelhantes à nossa volta sejam alcançados por cordas de amor.

2 comentários:

Geziel disse...

Resumindo em uma palavra, o "post" é CONSTRANGEDOR! Sim, isso mesmo.

Através da metáfora e analogia apresentadas no texto, nos deparamos com uma lição clarividente do genuíno "amor ao próximo", do qual por muitas vezes falamos e sequer sabemos do que se trata, tanto na teoria quanto na prática.

O fato é que, sob o prisma exposto pelo nosso querido jornalista Manu, o episódio "mineiros soterrados" nos leva a reconsiderarmos vários valores cristãos, pois vimos uma comoção mundial em prol do resgate dos mineiros, porém fechamos os olhos quando o assunto é o resgate de uma alma.

Que o Espírito Santo nos remeta diariamente ao cristão e verdadeiro significado do "amor ao próximo", de maneira tal que possamos gerar uma comoção para o resgate das almas que estão sob o julgo do pecado, encarcerados nas garras de satanás.

Pegue sua pá, pois empunhei minha enxada e vou começar a cavar...

Eloana disse...

Muito profundo suas palavras Manu.

Embora tenhamos nossos proprios problemas para resolver, e nossa vida para resgatar, temos que ter força para resgatar o próximo no mínimo que for, que nossas forças seja realmente verdadeiras e sinceras, e nao só num momento de "holofotes".

 
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