17 de junho de 2010

Saudável dependência

Depender de alguém ou de alguma coisa, em geral, é uma situação que provoca asco. Ao longo da vida, somos estimulados a buscar, a qualquer preço, a independência. Não queremos depender do pai, da mãe, do cônjuge, do filho, do irmão, do amigo, do colega de trabalho, do patrão ou de quem quer que seja.

É legítimo desejarmos "não dar trabalho" às pessoas que nos cercam. Também é inteligente não ser um tipo de sanguessuga que se aproveita da boa vontade de algum desavisado para ter uma boa vida, não planejar o futuro e manter-se deitado em berço esplêndido.
Podemos e devemos ser independentes para pagar nossas contas. A independência que permite ir à luta e colocar o pão na mesa, vestir, calçar, morar, se divertir, viajar, enfim, esta autonomia para bancar as próprias despesas, chega a ser fator de saúde emocional e equilíbrio social.

Muitas pessoas ficam depressivas por não conseguir dar aos filhos o que gostariam. Sociedades inteiras podem entrar em colapso se o dinheiro começa a virar coisa rara ou se desvaloriza. Gritamos, e alto, quando a nossa independência financeira fica ameaçada.
No entanto, no frigir dos ovos, a nossa relação de dependência uns dos outros vai além do que conseguimos mensurar. Podemos até dar um grito de liberdade no tocante às coisas materiais, mas o Criador elaborou um sistema de relações do qual não podemos fugir.

É loucura tentar viver numa redoma de vidro, sem contato com o próximo. Por mais que os céticos e egoístas odeiem admitir, precisamos uns dos outros.
Sempre precisamos de alguém que seja um suporte capaz de impedir a queda fatal, em função de um tropeço na jornada da vida. Se a queda foi inevitável, se já estamos no fundo do poço, invariavelmente, vamos precisar de alguém que nos estenda a mão ou lance a corda para nos tirar de lá.

Se cairmos irremediavelmente enfermos, vamos precisar de médicos, enfermeiros profissionais ou, pelo menos, aqueles 'anjos da guarda' que mesmo leigos sabem tratar do corpo e, de quebra, refrigeram a alma.
Quando Deus criou esse sistema de relações tão complexo, acredito que este foi o método que Ele encontrou para se revelar pouco a pouco a quem projetou como sua "imagem e semelhança". Além disso, acredito que o Criador pretende comunicar que, assim como dependemos uns dos outros, não podemos esquecer, sob circunstância alguma, que dependemos dEle.

Erramos loucamente quando nos determinamos a sermos auto-suficientes e não buscamos em Deus a sabedoria, capacidade, forças, graça para vencer cada obstáculo da vida. Não importa a fúria do vendaval, não importa o tamanho das ondas sobre o frágil barco da existência. Se não descartamos a possibilidade de depender do Todo-Poderoso, estamos com a estratégia certa para vencer. Se depender do próximo é inevitável, admitir a dependência de Deus é um dos segredos de uma vida feliz.

3 comentários:

Eliseu disse...

Querendo ou não... todos dependem.
Eh isso?? É um bom texto!

Anônimo disse...

Quando esta dependência é legalmente válida?
Precisamos uns dos outros, mas erramos quando transferimos isto a "seres" iguais ou parecidos conosco, ao invés de depositarmos em Deus nossa confiança! Todos nós somos passivos de erros, depender de Deus e acreditar (com reservas)no próximo, não nos leva à lona...

Parabéns (mais uma vez) pela matéria!

Bjos Vania

Anônimo disse...

Emanuel, suas maneiras de expressar na escrita, revela em você um novo homem...
Homem de DEUS, que se dedica em toda boa obra que exalte o mestre e colabore para o seu reino...
Como este Texto.. !

DEUS te abençoe...
E continue produzindo... gostei viu.

 
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