2 de setembro de 2009

Entre tapas e beijos

"O beijo de Judas", tela de Giotto di Bondone, pintor italiano



Prefiro o tapa da verdade, ao beijo da mentira. Estou "abestado"? Não! Continuo absolutamente são do juízo, ao menos é o que acredito.

É claro que ao falar da preferência de tapa a beijo, deixo grande margem de dúvida quanto à minha sanidade mental, mas explico.
Não me refiro ao tapa literal, aquele cinematográfico com direito a quem apanha jogar o corpo todo para o lado ou até para o chão.
O tapa que falo é aquele que somente os bons e verdadeiros amigos sabem dar. Um bom amigo, bate bem. Eles não poupam na hora de dizer: 'Você está errado!'. Não economizam quando percebem que o amigo ou amiga está enveredando por caminho mal.

Amigo leal, verdadeiro, não tem cerimônia para contestar, se opor, até impedir  a quem ama de fazer o que ele entende como prejudicial. Ele também sabe reconhecer, parabenizar e, na medida do possível, ajudar.
É por isso que se tiver que apanhar, prefiro que seja de um amigo. No calor do momento, provavelmente, vou ficar roxo de raiva, mas ela passa, sendo que a lição fica e amizade se fortalece.

Entretanto, existe um outro gênero de pessoas que se apresentam como amigos e o melhor 'cartão de visita' deles é o beijo.
É um tipo de gente que sempre se aproxima com ares de gato, isto é, vem com aquela mania de se esfregar entre as pernas, nos braços... Eles –os gatos– miam com uma candura que enternece qualquer coração. No entanto, a eles também pertence a máxima: "dá o tapa e esconde a unha".
Diferentemente do bom amigo, que bate e assume, aqueles que tem comportamento de gato, acariciam, ficam manhosos e, de repente, dão o golpe, mas não reconhecem que são  traiçoeiros. Tal qual os felinos, tem aqueles que só se aproximam com elogios, rasgação de seda, chita, organza, viscose e tudo o mais, no entanto não são dignos de confiança.

A analogia é perfeita para gente que faz como o tesoureiro de Jesus que foi até o Mestre de modo sutil, com passos rasteiros no jardim para ouvir da vítima: "Judas, com um beijo trais o Filho do homem?" (Lucas 22:48).
Infelizmente, estamos às voltas com muitos Judas no nosso cotidiano. Não quero com isso dizer que estamos irremediavelmente perdidos. Ainda que os Judas existam para trair com um beijo, há os Joões que permanecem ao lado do amigo até o último momento. Há também os Pedros que, num momento de fraqueza, podem negar, mas com nobreza peculiar a um verdadeiro amigo se arrependem e pedem perdão.

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