15 de março de 2009

A luta é de todos [Sobre Dia da Mulher]

A velha história de 'mulher tem que ficar em casa, esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque' há algum tempo provoca profunda irritação nas mulheres de todas as idades.

Em tempos remotos, a sociedade era composta por mulheres que até endossavam esse conceito da mulher exclusivamente doméstica, sem direito a estudar, trabalhar fora de casa ou ter vida social com o mínimo de badalação.

Tudo era supervisionado ou controlado primeiro pelo pai, irmão mais velho, tios, padrinho de batismo, marido, enfim, sempre algum homem se sentia no direito ou obrigação de fazer a tutela da mulher de modo que a liberdade de expressão e ação femininas era algo impensável.


O machismo que dominava as relações sociais mais elementares defendia que a mulher não tinha capacidade para fazer mais do que cuidar da casa, marido, filhos e, no máximo de empregados, para a ínfima parcela da população que dispõe deste conforto.

Felizmente, a sociedade está sob constante mudança. Quer pelo amadurecimento de ideias ou pelo derramamento de sangue, estamos sujeitos a novos modelos, quebra de tabus e, enfim, alcançarmos o tão almejado progresso e desenvolvimento social.


As mulheres estão levando sua inteligência, perspicácia, beleza e coragem em muitos outros setores da sociedade. Elas são juízas, delegadas, desembargadoras, embaixatrizes, chanceleres, vereadoras, deputadas, prefeitas –mais de 500 eleitas em todo Brasil, no último pleito–, governadoras, presidentes de repúblicas, executivas de multinacionais, mecânicas de automóveis, carreteiras, taxistas.
Até no futebol, nas sagradas quatro linhas masculinas, as mulheres já fincaram o pé, onde garantem cada vez mais espaço e reconhecimento como jogadoras, árbitra e bandeirinhas. Que se cuidem os homens, tem muitas Martas para serem reveladas por aí.

Apesar da presença feminina na sociedade ser maior, seus atributos serem reconhecido e até elogiados por profissionais de diversos setores, as reivindicações das mulheres do século 21, ainda se parecem muito com as das mulheres do final do século 19.
Mesmo revelando todo seu potencial as lutas por melhores salários –receber o mesmo que os homens pelo menos–, condições de crescimento nas hierarquias das empresas, proteção contra a violência doméstica ou moral –muito comum nas empresas–, todas essas bandeiras ainda precisam tremular no horizonte.

Conquistar essa igualdade de direitos não é causa que apenas as mulheres devam lutar. Os homens também podem e devem se engajar na luta, pelo menos aqueles que querem fazer valer o título de homem de bem, cidadão honrado, justo, íntegro, lúcido, inteligente.
Aos que preferem se eximir de qualquer responsabilidade, ou mesmo àqueles que transgridem as leis e corrompem os direitos das mulheres, são indignos de serem apresentados como seres humanos.

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