10 de novembro de 2011

Erros e acertos

Caso o projeto original da criação do homem pudesse ser desenhado ou escrito para ser lido ou interpretado na linguagem humana, muito provavelmente ele seria algo que, de tão belo, seria considerado raro, precioso, digno de integrar o acervo do maior e melhor museu ou biblioteca do mundo.
Ainda que pessoas como o escritor português José Saramago (1922 - 2010) tenha dito que "a humanidade não merece a vida" e que a "história da humanidade é um desastre" tenho absoluta tranquilidade em dizer que ele estava errado.

Mesmo que ao longo dos séculos tenhamos cometido muitos erros, não acredito que devamos ser medidos por eles, e, sim, pelos nossos acertos. É bem verdade que a exploração desordenada dos recursos naturais, a poluição da 'casa' que o Criador nos deu para morar e cuidar, as intervenções desastrosas no leito de rios, são erros que, se não vem com a fatura para a geração que os cometeu, sem dúvida as gerações sequentes, um dia, colhem os resultados das infelizes escolhas dos seus antecessores.
Como raça humana erramos, e muito, quando optamos pelas armas ao invés do diálogo. Nos mantemos num padrão de desvio do projeto original do Criador quando nos determinamos a arquitetar e executar o mal.
Ainda que nossas falhas pessoais sejam abundantes o que decorre em erros coletivos, felizmente, para cada erro existe um acerto. Antes que uma ação errada seja executada, primeiro, ela foi formulada na mente, devidamente fortalecida e, finalmente, praticada.
Se para o errado há um fluxograma de concretização, os acertos seguem a mesma lógica, porém com um agravante: nem sempre acertar é uma ação tomada sem dor ou, no mínimo, renúncia.
O erro, por sua vez, ao menos durante sua execução, dá uma sensação de prazer, por vezes mórbido.
Nunca experimentei nenhum tipo de drogas, mas mesmo sabendo-se de toda ilegalidade, o uso delas para o dependente químico é um erro que dá prazer e, como os efeitos passam rápido, o erro se repete muitas vezes durante um único dia.
Também é errado alimentarmos e satisfazermos os sentimentos de vingança. Contudo, via de regra, cedemos a esta mesquinharia e nos enganamos quando, ao executarmos a vingança, seja ela em que escala for, achamos que estamos prejudicando ao alvo, quando, na verdade, fazemos mal muito maior a nós mesmos.
Para não focar apenas nos nossos muitos erros, quero concluir falando de acertos. Eles, ao contrário dos erros. Acertar implica em renúncia, revisão de pontos de vistas, mudança de rota, esvaziamento, calar na hora que se quer berrar, dar um abraço quando se quer dar um murro, andar mais uma milha quando não se tem mais força para dar sequer mais um passo.
Um dos acertos mais dolorosos é o perdão. Na jornada da vida temos sempre muitos e intensos conflitos. Não bastassem os internos, temos ainda as guerras públicas. Algumas a gente até lembra quando, onde e porque começou. Outras são justificadas por razões que, analisando friamente, faria corar de vergonha até um gélido cadáver.
Quando discordo de Saramago de que o homem não merece a vida, faço-o com base em alguns exemplos que povoam minha mente. Poucos? Diria que não são na quantidade que eu gostaria, mas consolo-me com o fato de que eles existem. Refiro-me a pessoas que tiveram a dignidade de rever posições, baixar a guarda, livrar-se das armas e permitir-se ao crescimento ímpar decorrente do perdão.

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