20 de junho de 2011

Tempo a perder

"A Persistência da Memória" tela do pintor Salvador Dalí retrata uma preocupação humana com o tempo

Uma das expressões mais comuns que ouvimos por aí, quer por razões verdadeiras quer por mera força do hábito, é a seguinte: "Não tenho tempo". O assunto gestão do tempo é tão importante que faz parte do currículo de cursos e palestras dos consultores deste tema. Pois é. Chegamos ao ponto de ter alguém 'especialista' para nos ensinar a utilizar as 16 horas que temos fora da cama, considerando que deveríamos dormir de 6 a 8 horas segundo os melhores princípios médicos.

Alberto Alvarães, consultor organizacional e professor universitário, ressalta que o aumento de carga de trabalho, número reduzido de funcionários, pressões por resultados, mudanças no mercado e falta de planejamento organizacional são os principais percalços, segundo os profissionais e suas empresas, que impedem as pessoas de administrarem seus tempos de forma eficiente e eficaz.

Para Alvarães, entretanto, a administração de tempo não é uma técnica, mas sim um comportamento. Ele recorda, ainda, que não existe a administração do tempo no trabalho. "O tempo é um recurso constante no nosso dia-a-dia. O tamanho de uma hora ou de um minuto é o mesmo, não importando a atividade desempenhada. Os nossos dias sempre têm vinte e quatro horas e neste espaço de tempo você tem que se dedicar, além do trabalho, ao lazer, à família, à sua saúde, ao seu desenvolvimento, ao seu relaxamento, ao seu descanso. Portanto, nós administramos o tempo de nossas vidas e não do trabalho", afirma.

Muitos são os percalços pelo caminho que tornam a gestão do tempo uma tarefa em si mesma, tais como interrupções desnecessárias numa tarefa em andamento; enrolação, ou seja, deixar as horas passarem e adiar todas as tarefas até à última hora possível; não delegação de competências de modo a tentar fazer tudo sozinho, mesmo sabendo que não é possível.

As discussões do porque falta-nos tanto tempo e como seria possível esticá-lo se estendem aos meios acadêmicos, ocupam milhares de páginas de livros e sites. Contudo, a nossa queixa comum para a falta de tempo fica difícil de ser crível uma vez que mesmo dizendo que não temos tempo, estamos sempre às voltas com o cuidar da vida dos outros, com o péssimo hábito de criticar pejorativamente uma pessoa, uma instituição, o patrão, o colega de trabalho, o cunhado, a sogra.

Ora, se aplicamos tanto tempo em apontar o que está errado, o que nos faz perdê-lo de modo irreversível, por que não aplicamos o mesmo tempo fazendo o que entendemos ser o certo?

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